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segunda, 18 de fevereiro de 2019 - 05h15min

CAUSOS DA BOLA

Em Copa do Brasil de zebras, Comercial marcou história de MS há 25 anos

8 FEV 19 - 17h:00RAFAEL RIBEIRO

E começou na última quarta-feira (6) a única competição na qual os clubes de Mato Grosso do Sul têm a chance de medir forças com os gigantes do futebol brasileiro: a Copa do Brasil.

Se o Corumbaense já se despediu após um empate sem gols com o Luverdense (MT), em casa, o Estado tem ainda a oportunidade de tentar fazer história com o Operário, que enfrenta o Botafogo-PB na próxima quarta-feira (13), no Morenão.

É mais um capítulo desde 1989, quando a Copa do Brasil foi criada. Com exceção da Copa João Havelange, em 2000, o maior mata-mata do futebol brasileiro é a única chance dos clubes sul-mato-grossenses de buscar uma glória diante dos grandes. 

E, apesar do retrospecto nada animador, nem só de lamentações vive a história de 30 anos de disputa de Mato Grosso do Sul na Copa do Brasil, como a coluna de esportes preferida do Estado mostrará no CAUSOS DA BOLA desta semana.

O Comercial de 1994: histórico não só na história colorada, mas também no futebol sul-mato-grossense

ÚLTIMO BRILHO

Não era nada fácil ser torcedor do Comercial naquele início dos anos 1990.

Sem conquistar o título estadual desde 1987, o Colorado, primeiro participante sul-mato-grossense (ainda com o Estado unificado) teve no fatídico 1986 sua última participação em um campetição nacional de primeiro nível.

E por que fatídico? Porque foi o último ano em que o Brasileirão teve de fato participantes de todos os estados brasileiros, antes da famigerada Copa União do ano seguinte (acreditamos que você já saiba dessa história leitor).

Aquela campanha prometia ser de festa para o Manda Brasa. Enquanto o rival Operário foi eliminado na primeira fase em seu grupo, o Comercial teve relativo sucesso. Na Chave D, ao lado de times como o Botafogo-RJ, Palmeiras e Portuguesa, fez bem a lição de casa e se classificou pela campanha regular.

Na segunda fase, no Grupo K, o Comercial sucumbiu enfrentando, entre outros, Cruzeiro e Bahia, ficando na lanterna, com duas vitórias e cinco empates em 16 jogos.

FUNDO DO POÇO

Eliminado da campanha que prometia ser histórica, o Colorado viu as gozações rivais voltarem, seja pela histórica campanha de 1977 do rival, seja pelo título do Módolo Azul da Copa União de 1987 (que não valia a disputa direta pelo título brasileiro daquele ano, até hoje para motivo de discórdia entre Sport de Recife e Flamengo). (A gente promete que contará os detalhes dessas campanhas em breve operarianos)

Se por um lado o título estadual daquela temporada amenizou o sentimenrto de ver o rival com uma campanha gigante em nível nazional, o Comercial viveria o pior momento de sua história nos anos seguintes.

Além da fila, o Manda Brasa viu o tricampeonato operariano em 1988, 1989 e 1991 e uma ascensão do interior, com título do Ubiratan, em 1990, e Nova Andradina, em 1992.

Nesse último ano (já tratamos dele aqui, perdeu, é só clicar e relembrar), o fundo do poço: com crise financeira e política, intrigas internas entre diretores, o Colorado sequer disputou o Estadual.

A redenção viria no ano seguinte.

Reestruturado, o Comercial voltou ao Estadual em 1993 para ser campeão justamente contra seu maior rival. E, mais importante que o fim do jejum de sete anos, selando a conquista da vaga para a Copa do Brasil do ano seguinte, seu retorno a um torneio de primeiro nível depois do pífio desempenho nos anos anteriores.

A HISTÓRIA

Com apenas 32 clubes na disputa (hoje são 91), a Copa do Brasil de 1994 terminou com o Grêmio campeão, mas ficou marcada pelo sucesso das zebras.A começar pelo próprio adversário dos gaúchos na decisão, o Ceará, que eliminou Palmeiras e Internacional antes de chegar na semifinal contra a surpresa maior da temporada: o Linhares, do Espírito Santo, que mostrou suas garras logo na primeira fase, eliminando o Fluminense.

É onde a história do Comercial terminaria, nas quartas-de-final. Com uma base que vinha do título estadual de 1993 (e que conquistaria o bi naquela temporada), o Colorado entrou para a história logo em sua primeira participação.

Até então, o futebol sul-mato-grossense havia passado de fase somente uma vez, em 1990, quando o Operário eliminou o Mixto (MT) e depois caiu para o Goiás levando uma goleada por 5 a 0.

Para 1994, a expectativa não era das melhores. O sorteio colocou o Comercial de frente com o Paysandu, gigante do Pará. Mas a zebra apareceu. Segurou o Papão bicolor nos dois jogos, que terminaram em 0 a 0, e nos pênaltis, no Morenão, passou após vencer por 6 a 5.

A maior lembrança colorada daqueles dois jogos vieram na partida de ida, no Morenão, com o goleiro Osmar defendendo dois pênaltis dos paraenses e evitando uma derrota que poderia abreviar a trajetória do Manda Brasa, que errou diversas cobranças na série, conforme estampou o Correio do Estado.

A segunda fase não reservou grandes preocupações à torcida colorada. Em ano de surpresas, o rival nas oitavas-de-final era o modesto Kaburé, de Tocantis, hoje já licenciado, e venceu por 2 a 0 as duas partidas.

A expectativa nas quartas-de-final era grande, diante de um Linhares que apesar de temido em seu estado, não transmitia preocupações, ainda mais pela decisão ser no Morenão.

Deu tudo errado. Na ida, em 5 de junho, em terras capixabas, o Linhares venceu por 1 a 0, gol do famoso atacante Vandick, na época em início de carreira e que depois rodaria em diversas equipes de menor expressão.

Sete dias depois, em um Morenão com mais de 15 mil pagantes, Gersinho, aos 42 do primeiro tempo, abreviou o sonho colorado, que chegou a empatar com Neilor, aos 15 da etapa final, mas não teve como buscar os outros dois tentos que lhe dariam a almejada vaga contra os cearenses.

 Tratado pelos colorados como o '1977 do lado vermelho de Campo Grande', até hoje a campanha de 1994 está imortalizada nos c orações da Capital como um dos grandes feitos daquele ano, ao lado do tetracampeonato Mundial da Seleção Brasileira.

Naquela Copa do Brasil, o surpreendente Linhares cairia para o Ceará na semifinal, mas para o Comercial pouco importava. Cravou seu nome na história e força o rival a, quem sabe, repetir o feito neste ano, em sua volta à competição após 13 anos.

PARTICIPAÇÕES DE MS NA COPA DO BRASIL

Operário: dez participações
(1989, 1990, 1992, 1993, 1996, 1997, 1998, 2001, 2006 e 2019*)
Melhor colocação: oitavas-de-final em 1990
*Estreia nesta temporada na próxima quarta-feira

Comercial: oito participações
(1994, 1999, 2000, 2001, 2003, 2011, 2016 e 2017)
Melhor colocação: quartas-de-final em 1994

Cene: oito participações
(2003, 2004, 2005, 2006, 2008, 2012, 2014 e 2015)
Melhor colocação: segunda fase em 2004 e 2006

Naviraiense: quatro participações
(2010, 2011, 2013 e 2014)
Melhor colocação: segunda fase em 2013

Corumbaense: duas participações
(2018 e 2019)
Melhor colocação: segunda fase em 2018

Águia Negra: três participações
(2008, 2013 e 2015)
Primeira fase em todos

Chapadão do Sul: três participações
(2004, 2005 e 2007)
Primeira fase em todos

Ivinhema: duas participações 
(2010 e 2016)
Primeira fase em todos

Coxim: uma participação
2007 - primeira fase

Aquidauaenense: uma participação
2012 - primeira fase

Sete de Dourados: uma participação
2017 - segunda fase

Pontaporense: uma participação
1995 - primeira fase


Novo: uma participação
2018 - primeira fase

*Amigos e amigas leitores do Correio do Estado, o Campeonato Estadual de futebol de Mato Grosso do Sul começou. E, para embalar a bola que vai rolar pelos gramados, temos o prazer de apresentar a vocês nossa nova coluna: 'Causos da Bola'.

Semanalmente, sempre aos sábados, convidamos você a viajar no tempo da história esportiva sul-mato-grossense através dos 65 anos acumulados nas páginas do jornal mais tradicional e querido do Estado.

Embarque com a gente nesta máquina do tempo e reviva junto conosco o que de melhor nosso arquivo tem a oferecer sobre os fatos esportivos. 

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