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segunda, 18 de fevereiro de 2019 - 05h08min

CAUSOS DA BOLA

Em 1980, técnico escalou o próprio patrão. E afundou o time...

1 FEV 19 - 19h:02RAFAEL RIBEIRO

No mundo do futebol, quase sempre uma goleada sofrida não é exatamente bem recebida por um time. E, na maioria das vezes, é o suficiente para abrir uma crise sem precedentes, ainda mais em um derby municipal.

Foi assim em 1980. Corria a segunda edição do Estadual de Mato Grosso do Sul e o Atlântico, então um modesto time de Campo Grande sustentado pela fábrica de mesmo nome, viu uma denúncia abalar suas estruturas após uma derrota por 4 a 0 para o Operário, grande bicho-papão daqueles tempos, então com quatro conquistas seguidas (sendo três com o Estadual ainda unificado com o norte), e que cuja sequência só seria interrompida em 1982.

Mesmo assim, para vir à tona o escândalo que deixou muita gente enojada, foi preciso chamar a atencao com o goleiro que mistoriosamente apareceu no time titular atlanticano no segundo tempo do jogo, Osvaldo.

O jogo estava 1 a 0 para o Galo Mais Querido e o reserva das metas do rival, segundo o próprio Correio do Estado destacou, "engoliu três perus", selando a goleada final.

"Técnico escala patrão que funda time", foi a chamada de capa na edição do dia 16 de setembro de 1980, confirmando, dois dias depois, a suspeita geral de mutreta: o goleiro era dono de um comércio onde empregava o técnico Nenê, que só o escalou como forma de garantir o emprego fora dos gramados. E se deu mal.

ENROLADO

A curiosa história, na íntegra na última página daquela edição, contava toda a tramoia do goleiro Osvaldo, último reserva atlanticano para o gol naquela temporada e praticamente inscrito no campeonato como forma de retribuir o valor que doara para a montagem do time.

Como o próprio texto explica, o Atlântico era um clube marcado pelo amadorismo. A maioria de seus jogadores possuiam outras profissões e dividiam o cotidiano entre a jornada de trabalho e os treinos noturnos no campo que existia no distrito do Indubrasil, região oeste de Campo Grande.  

Essa condição gerou situações inusitadas. Como a que relataremos nessa coluna. Segundo o Correio informou, o treinador atlanticano foi chamado por Osvaldo na sexta-feira antes do jogo, que exigiu sua entrada em campo sob a ameaça de demissão da loja de tecidos no Centro em que empregava o próprio treinador.

"Temeroso de perder seu emprego, o técnico Nenê, sem falar nada para os diretores atlanticanos, resolveu então, no segundo tempo do jogo com o Operário", diz o texto. "Ninguém entendeu a atitude de Nenê, no entanto de nada suspeitavam a respeito da pressão que havia sido exercida sobre o técnico."

Descoberta todo a tramela, a diretoria do Atlântico optou por demitir Osvado. Manteve Nenê, classificado como vítima, como treinador. E ainda se propuseram a encontrar um novo emprego para o treinador, querido pelo elenco.

Abalado pelo episódio, o Atlântico manteve a regularidade de suas outras campanhas no Estadual - e isso não é uma coisa necessariamente positiva. Ficou em sexto lugar de oito times, com quatro vitórias em 14 jogos disputados.

*Amigos e amigas leitores do Correio do Estado, o Campeonato Estadual de futebol de Mato Grosso do Sul começou. E, para embalar a bola que vai rolar pelos gramados, temos o prazer de apresentar a vocês nossa nova coluna: 'Causos da Bola'.

Semanalmente, sempre aos sábados, convidamos você a viajar no tempo da história esportiva sul-mato-grossense através dos 64 anos acumulados nas páginas do jornal mais tradicional e querido do Estado.

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