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Campo Grande - MS, sábado, 17 de novembro de 2018

SÃO PAULO

Um mês após ter testa tatuada à força, menor escreve carta à mãe: 'saudades'

9 JUL 2017Por G113h:00

Um mês depois de ter sido tatuado à força porque teria tentado furtar uma bicicleta no ABC, o adolescente de 17 anos escreveu carta para a mãe no centro de reabilitação particular para usuários de drogas na Grande São Paulo onde faz tratamento contra o vício em crack e álcool. O jovem ainda ostenta na testa a inscrição "eu sou ladrão e vacilão".

“Mãe minha rainha te amo de verdade do começo até o fim [sic] do meu coração. queria [sic] que a senhora foce [sic] me ver aqui na clínica", escreveu à caneta o menor em uma folha de caderno, intitulada "carta de saudades" a Vânia Aparecida Rosa da Rocha, de 34 (assista acima o vídeo que o G1 fez com ela lendo a mensagem do filho).

Na semana passada, a mulher visitou o filho e contou que ele disse que perdoa quem o tatuou e quem filmou o crime. "Eu perdoo os dois rapazes", disse Vânia sobre o que o filho lhe contou.

"Nossa família unidade [sic] já mas [sic] será detroida [sic]. Sem data para n virar passado!!", termina o manuscrito do garoto, que também desenhou carros com as palavras "paz" e "alegria", seguidas de um rosto com cara de mau, como se o identificasse antes, e sorridente, como se vê atualmente.

No final do mês passado, o adolescente começou a ser submetido à aplicação gratuita de laser para remover a tatuagem feita no dia 9 de junho pelo tatuador Maycon Wesley Carvalho dos Reis, de 27 anos, e filmada por um vizinho dele, o pedreiro Ronildo Moreira de Araújo, de 29, em São Bernardo do Campo.

As imagens da sessão de tatuagem divulgadas e compartilhadas pelo WhatsApp repercutiram e tornaram o caso conhecido. Foi por meio delas que a Polícia Civil prendeu o tatuador e o pedreiro. Segundo a dupla, o objetivo era punir o garoto pela suposta tentativa de levar a bicicleta. O dono do veículo, o ambulante Ademilson de Oliveira, de 31, declarou ao G1, dias após a agressão, que não concordava com a punição.

À reportagem, o adolescente negou, também no mês passado, ter tentado furtar a bicicleta. ‘Tive vontade de morrer, comecei a chorar', disse o garoto, que antes e após a tatuagem estava desaparecido. Ele só foi encontrado no dia 10 de junho por familiares e amigos.

Alegando questões de segurança, a Clínica Grand House, em Mairiporã, onde o menor está internado gratuitamente desde 13 de junho, não permitiu que ele desse mais entrevistas. 

Réus

Os dois agressores são réus no processo no qual respondem presos pelos crimes de constrangimento ilegal, lesão corporal e ameaça. A Justiça marcou para o dia 12 de setembro a audiência de instrução do caso, que antecede um eventual julgamento.

Caberá à juíza Daniela de Carvalho Duarte, da 5ª Vara Criminal de São Bernardo, decidir se os dois são culpados ou inocentes das acusações e se deverão ser condenados ou absolvidos. A Justiça negou na semana passada o pedido das defesas dos dois para que eles respondessem ao processo em liberdade.

Inicialmente, a Polícia Civil havia indiciado Maycon e Ronildo por tortura, mas o Ministério Público (MP) não concordou e entendeu que ocorreram os crimes de constrangimento, lesão e ameaça. A Justiça aceitou, o que irritou a mãe do menor. "Se fosse filho de rico seria tortura", havia dito Vânia ao G1, no mês passado.

Por questões de segurança, Maycon e Ronildo estão detidos atualmente na Penitenciária de Tremembé, interior do estado, à espera do julgamento. Os dois presos teriam sido ameaçados por outros detentos no ABC, que não aceitaram o crime cometido contra o menor.

Tatuagem

Enquanto isso, Vânia se alterna nas visitas ao filho na clínica Grand House, que cedeu o espaço para tentar recuperar o garoto, que é usuário de entorpecente e alcoólatra.

Foi nesse mesmo lugar que o garoto passou pela primeira sessão para remover a tatuagem, no último dia 24 de junho. Dias depois, a clínica divulgou foto na qual era possível ver que a frase ‘eu sou ladrão e vacilão’ começou a sumir da testa. A remoção está sendo feito por uma clínica do ABC que pediu para não ter o nome divulgado.

O menor ainda deverá passar por mais nove sessões. Cada sessão é mensal. A expectativa é a de que a inscrição seja removida até março de 2018.

 

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