Terça, 24 de Abril de 2018

Brasil

Temer tenta recuperar influência
sobre eleição

12 JAN 2018Por FOLHAPRESS08h:01

Sob risco de ficar isolado na sucessão presidencial, Michel Temer decidiu fazer gestos públicos aos principais atores de seu bloco político para tentar recuperar influência na construção das alianças da próxima eleição.

Nos últimos dias, o Planalto deu sinais de reaproximação com Geraldo Alckmin (PSDB), enquanto apresentou restrições a uma possível candidatura de Henrique Meirelles (PSD) e tentou erguer barreiras às articulações de Rodrigo Maia (DEM).

A ideia original de Temer e seus auxiliares era organizar, em parceria com Maia, uma coalizão única dos partidos governistas. Esse grupo lançaria um candidato para defender a gestão do presidente e disputar com o tucano o eleitorado localizado mais ao centro do espectro político.

Os principais ministros de Temer estavam incomodados, desde o fim do ano passado, com o fato de Alckmin ter acelerado as negociações com parte dessas siglas de maneira isolada, minando a unidade do bloco.

Além disso, os aliados do presidente acreditavam que os movimentos de Maia para tentar viabilizar uma candidatura majoritária reduziriam o protagonismo de Temer como líder dessa aliança.

Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", na quarta-feira (10), Temer tentou recuperar essa posição para as negociações que se darão nos próximos meses.

Ele minimizou a expectativa de seu ministro da Fazenda disputar a Presidência com apoio do bloco governista. "Ele seria um grande presidente, mas, para mim, é claro que é muito melhor que fique na Fazenda", disse.

O presidente também investiu contra os movimentos de Maia, que em poucos meses fechou acordos com dois partidos dessa coalizão (PP e Solidariedade) e abriu negociações com o PR, ao receber nesta quinta (11) o ex-deputado Valdemar Costa Neto.

"Ainda acho que a prioridade dele [Maia] é se reeleger para a presidência da Câmara. De qualquer forma, ele não tem nada a perder. E é aquela história, 'se colar, colou'", afirmou o presidente.

Segundo auxiliares, Temer percebeu que Maia começava a aglutinar um bloco partidário próprio, que poderia, em última instância, excluir o presidente e seu partido, o MDB, das negociações.

Com as recentes declarações, Temer quis mostrar que ainda é um ator importante para a montagem da aliança.

O aceno a Alckmin sinaliza que o presidente poderia ajudar o governador paulista na construção de acordos com partidos de sua base.

Diante das tensões, aliados de Maia ainda consideram incerta a viabilidade da candidatura do presidente da Câmara. Acreditam que ele só vai adiante se atingir entre 8% e 10% das intenções de voto até junho.

"O DEM tem um trabalho planejado para ser protagonista em 2018. Não estamos trabalhando para ir a reboque de nenhuma legenda. Queremos ter um projeto próprio e Maia é quem representa este movimento", afirmou o líder da sigla na Câmara, Efraim Filho (PB).

Alguns dirigentes do DEM, entretanto, admitem que, caso Maia não decole, estará bem posicionado para negociar o apoio desse bloco partidário a Alckmin e fazer a indicação do vice na chapa do tucano. Um dos principais cotados é o ministro Mendonça Filho (Educação).

Ao se reposicionar, Temer se descola do nome que era considerado o candidato natural do governo, Henrique Meirelles. O ministro da Fazenda não passou de 2% nas pesquisas, não agrada aos partidos do "centrão" –nem mesmo à sua sigla, o PSD– e, na visão do presidente, precisa continuar focado na condução da agenda econômica.

MINISTÉRIOS

Temer vai aproveitar a reforma ministerial, que será feita nos próximos meses, para reforçar seus laços com dirigentes dos partidos de sua base e tentar manter esse bloco unido para a negociação de alianças na eleição.

O presidente, porém, deve enfrentar dificuldades para cumprir a missão e evitar atritos com as siglas –como no caso da disputa jurídica para a nomeação da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o Ministério do Trabalho.

Temer insiste em nomear a parlamentar, filha do presidente do PTB, Roberto Jefferson, apesar de a Justiça ter mandado suspender a posse.

O Planalto vai aguardar até a próxima semana para recorrer da decisão no STF (Supremo Tribunal Federal), no STJ (Superior Tribunal de Justiça) ou no plenário do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região.

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