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Campo Grande - MS, sexta, 16 de novembro de 2018

PREMIADOS

Publicitários brasileiros no exterior levam cinco Grands Prix em Cannes

24 JUN 2017Por Folhapress18h:34

Publicitários brasileiros que fazem carreira fora do país conquistaram 5 dos 24 Grands Prix distribuídos durante o festival internacional de publicidade Cannes Lions, encerrado neste sábado (24).

O Grand Prix é o troféu máximo oferecido em cada uma das 24 categorias, que, por sua vez, contam com diversas subcategorias para as quais é possível ganhar Leões de Ouro, Prata e Bronze.

Na conta oficial por país, o Brasil obteve 99 Leões (14 Ouros, 33 Pratas e 52 Bronzes) enenhum Grand Prix. É mais do que no ano passado (90), mas o número de inscrições também subiu (7,7% para 3.020).

Considerando o retorno sobre o investimento, sem entrar no mérito da cor do metal, foram necessárias 30 inscrições para cada troféu que as agências levaram para casa.

O melhor desempenho do Brasil aconteceu em 2013, quando o país levou 115 troféus (incluindo dois GP, sendo um de Titanium, o mais cobicaço) e a Ogilvy Brasil faturou o prêmio de a agência do ano. E é do time da Ogilvy que brilhou em 2013, com a campanha de Dove ("Retrato de Real Beleza"), que vem a maioria dos GPs dos profissionais expatriados.

Depois do sucesso de Dove, o criativo Anselmo Ramos, que já tinha atuado no exterior, mudou-se para os EUA para fundar a David Miami: neste ano, ele levou dois Grands Prix com campanhas para o Burger King.

Também do time de Anselmo para a Dove em 2013, a dupla Rafael Rizuto e Eduardo Marques, hoje diretores-executivos de criação da agência 180LA, de Los Angeles (EUA), faturou dois GP: Promo & Ativação e o prestigioso GP da categoria Integrated, anunciado neste sábado.

O quinto GP foi para um brasileiro que já está na Europa desde 2008, Miguel Bemfica, diretor criativo global da MRM/McCann na Espanha.

Bemfica venceu o GP na categoria Entretenimento, com um filme de 17 minutos para o Santander. Exibido em salas de cinema com ingresso pago, "Beyond Money" (Além do Dinheiro) é uma ficção científica ao estilo Black Mirror, com Adriana Ugarte (que fez o último filme de Almodóvar) no papel principal.

NEYMAR

Para Bemfica, o Brasil pode comemorar os GPs, mesmo não sendo oficiais.

"É como o Neymar jogando no Barcelona. Cada gol que ele faz deixa a gente feliz. A gente treina aqui fora para um dia voltar", afirma o publicitário pernambucano, que um ano antes de deixar o país fundou uma escola de criativos em SP, a Escola Cuca.

"Nossos alunos e ex-alunos estão competindo comigo e já ganharam 26 prêmios em Cannes este ano", comemora.

Ele segue na metáfora futebolística para explicar o destaque dos brasileiros no exterior.
"Você bate bola na favela, vem aqui para o condomínio e arrasa. O país é uma ótima escola, tem a mídia dentro da agência, talento em abundância e um mercado difícil. A gente aprende a sobreviver na raça."

O sucesso dos brasileiros em Cannes ganhou destaque na mídiaespecializada nos EUA. Uma semana antes da abertura do festival, a revista "Advertising Age" publicou uma reportagem mostrando que "os brasileiros são os novos suecos" para os headhunters de agência nos EUA.

Há dez anos fora do Brasil, Rafael Rizuto, 37, saiu de Recife, sua cidade natal, direto para a uma agência no Bahrein.

"Nunca tinha saído do Brasil", recorda. De lá foi para a Ogilvy e depois Leo Burnett, em Dubai.

Em 2012, passou um ano no time de Anselmo Ramos na Ogilvy em São Paulo, depois foi para a Califórnia trabalhar na Pereira O'Dell, agência de San Francisco que tem como sócio o brasileiro PJ Pereira (que presidente do júri de Entretenimento este ano).

Há dois anos, é diretor-executivo da 180LA. "Não penso em voltar. Minha mulher é americana, está grávida. Me considero um cidadão do mundo."

Em dois anos na 180LA, acumula 20 Leões, incluindo 3 GPs, e atribui o sucesso à diversidade do time que montou.

"Quando cheguei, só tinha americano branco fazendo propaganda tradicional. Hoje temos gente de 28 países, muitas mulheres. "É a prova de que uma equipe diversa melhora o resultado."

Rizuti diz que o brasileiro e o americano têm visões muito diferentes da carreira.

"Nos EUA é mais um trabalho. Para o brasileiro, é um estilo de vida. Tem um amor, uma dedicação. Nossas referências profissionais são celebridades: Nizan Guanaes, Washington Olivetto", afirma.

"E tem a crise que faz a gente tirar leite de pedra. Aprendemos nadando contra a corrente e quando chegamos aqui e vendo o mar a favor, nadamos de braçada."

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