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Campo Grande - MS, quarta, 19 de dezembro de 2018

SÃO PAULO

PM é baleado com a própria
arma após briga de trânsito

A arma do policial continua desaparecida

13 OUT 2018Por FOLHAPRESS21h:00

Um policial militar está internado em estado grave após ter sido baleado na cabeça neste sábado (13) durante uma discussão de trânsito em Franco da Rocha, na Grande São Paulo.

O disparo foi dado com a própria arma do PM, o soldado Robson dos Santos Gomes, 36, que estava de folga, em trajes civis, dirigindo o próprio carro na periferia da cidade.

Segundo a polícia, após uma discussão de trânsito, o soldado foi rendido por cinco criminosos que estavam na contramão. O PM teria descido do carro para reclamar e, na confusão, um dos homens tomou-lhe a arma, partiu para a agressão e, na sequência, atirou quando o PM já estava de costas.

O policial trabalha em Franco da Rocha, e a polícia ainda investiga as circunstâncias do crime para saber se elas se limitam à discussão de trânsito ou se podem estar ligadas também ao trabalho do PM.

O carro em que os criminosos estavam, um Honda Civic, foi localizado momentos depois, estacionado em uma garagem da cidade. Os criminosos foram localizados e presos quando voltaram a participar de uma briga generalizada em uma outra rua de Franco da Rocha. Os nomes deles não foram divulgados.

A arma do PM continua desaparecida.

O policial Gomes agora faz parte de uma triste estatística no estado de São Paulo. Publicado em maio passado, levantamento inédito feito pela Folha de S.Paulo com base em relatórios sigilosos da PM de São Paulo mostra que, de cada dez ataques a policiais, em nove eles acabam feridos ou mortos. A maioria em roubos, envolvendo soldados.

Os dados mostram ainda que em cerca de 23% dos crimes, além de atacar o policial, os bandidos ainda levam a arma dele. E há episódios em que o PM é morto com a própria pistola, aquela que carregava para se proteger -isso ocorreu em 4% dos casos.

Esses números são resultado de análise feita pela reportagem em 491 relatórios de PMs vítimas, documentos elaborados de 2006 a 2013 por equipes da Corregedoria da PM especializadas em investigar ataques desse tipo no estado.

Segundo os dados, desses 491 policiais com registro de violência, 218 foram mortos e 233 ficaram feridos -sendo ao menos 81 deles atingidos na cabeça por tiro ou paulada. No total, só 40 saíram ilesos, o equivalente a 8% do total.

Os documentos descrevem as circunstâncias em que os crimes se deram, as primeiras informações sobre o estado de saúde do policial militar e o destino do criminoso.

Essas apurações são abertas quando o PM é atacado e figura na condição de vítima, como em casos de roubos ou assassinatos, além de tentativas desses dois crimes.

Não entraria nessa lista, portanto, o caso da PM Katia da Silva Sastre que baleou e matou um criminoso na porta da escola da filha, em Suzano, na Grande São Paulo, em maio passado, já que ela não era o alvo do crime e interveio ali de surpresa como policial. Katia foi eleita agora deputada federal.

Parte dos relatórios da Corregedoria da PM analisados pela reportagem foi redigida pelo sargento Maurício dos Santos, 49. Ele se aposentou no ano passado, após 28 anos de corporação, sendo 26 deles no setor de PMs vítimas, e participou de centenas de apurações de policiais atacados –inclusive de um colega que trabalhava nessa mesma equipe.

Maurício afirma que os resultados do levantamento refletem aquilo que ele presenciou ao longo dos anos.

Por isso, ele passou a defender o desarmamento de policiais nos horários de folga. Para ele, essa medida reduziria a quantidade de mortes especialmente nos roubos. Nesses casos, o bandido geralmente já chega com arma em punho, não dá chance de o policial reagir e atira assim que encontra o armamento.

"Se for pego com a arma, vai morrer. O crime não perdoa", afirma Maurício. Nessas quase três décadas, ele diz não se lembrar de nenhum caso de alguém que tenha sido poupado pelos criminosos após ser identificado como PM.

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