Terça, 23 de Janeiro de 2018

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No texto, governo admite uso de "robôs" por candidatos na internet durante as eleições

18 MAR 2015Por r710h:30

Em documento reservado do Palácio do Planalto, o governo admitiu o uso de robôs para disseminar mensagens pela internet a favor da então candidata à reeleição Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral do ano passado. E afirma que o mesmo expediente foi usado por parte do PSDB, inclusive depois da eleição. A ação online dos grupos opositores, incluindo os organizadores das manifestações de 15 de março, teria custado R$ 10 milhões, segundo o texto.

"A partir de novembro, as redes sociais pró-Dilma foram murchando até serem extintas. Os robôs que atuaram na campanha foram desligados e a movimentação dos candidatos do PT foi encerrada", diz o texto.

Os chamados robôs são programas que executam com maior velocidade e precisão do que a mão humana tarefas como replicar mensagens nas redes sociais. Com isso, infla-se o número de seguidores de uma conta ou de curtidas de uma publicação, o que lhe rende mais destaque nas redes sociais e alcance maior de internautas.

O texto não só afirma que o tucano Aécio Neves usou robôs durante a campanha como considera que essa estrutura foi mantida ativa pelo PSDB após as eleições. "Cerca de 50 robôs usados na campanha de Aécio continuaram a operar mesmo depois da derrota em outubro. Isso significou um fluxo contínuo de material anti-Dilma", diz.

O documento elogia o "profissionalismo" da ação online dos grupos que participaram do protesto contra Dilma e o PT no domingo passado, segundo o texto, também com uso de robôs. "A partir do final de janeiro, as páginas mais radicais contra o governo passaram a trabalhar com invejável profissionalismo, com uso de robôs e redes de WhatsApp."

"Em estimativas iniciais, a manutenção dos robôs do PSDB, a geração de conteúdo nos sites pró-impeachment e o pagamento pelo envio de WhatsApp significam um gasto de quase R$ 10 milhões entre novembro e março", afirma.

O resultado é "avassalador", segundo a avaliação do governo. "Enquanto a página no Facebook do grupo Revoltados On Line engajou 16 milhões de pessoas desde janeiro e o Vem Pra Rua outros 4 milhões, as páginas de Dilma e do PT foram compartilhadas por 3 milhões de internautas", diz um trecho.

'Derrota por WO'

Segundo o cálculo governista, em fevereiro as mensagens, textos e vídeos oposicionistas atingiram 80 milhões de pessoas enquanto as páginas do PT e do Planalto chegaram a 22 milhões. "Se fosse uma partida de futebol estamos entrando em campo perdendo de 8 a 2". O texto registra ainda a diminuição do número de fãs da página Dilma Bolada no Facebook, considerada pró-governo, "que pode significar uma situação de quebra de imagem".

O cenário hoje, conforme a análise, é de um lado Dilma e Lula acusados "por todos os males que afetam o País" e de outro a militância petista acuada e desmotivada. "Não é uma goleada. É uma derrota por WO", conclui o documento.

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