Campo Grande - MS, terça, 14 de agosto de 2018

Protesto

MST invade Fazenda Esmeralda para protestar contra Temer e a favor do combate à corrupção

De acordo com o MST, 800 integrantes do movimento participam da ocupação

25 JUL 2017Por G109h:36

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram a Fazenda Esmeralda, entre Duartina e Lucianópolis (SP), na manhã desta terça-feira (24).

De acordo com o MST, 800 integrantes do movimento participam da ocupação. A Polícia Militar divulgou um número menor, de 500 pessoas.

Em nota, o MST afirma que a invasão é um protesto contra o presidente Michel Temer e a favor do combate à corrupção.

As terras pertencem a empresa Argeplan, de arquitetura e engenharia, que tem como um dos sócios João Batista Lima Filho, conhecido como Coronel Lima, que já foi assessor do presidente Michel Temer, de quem é amigo pessoal.

Lima já foi citado nas delações da JBS, segundo a reportagem do Jornal Nacional. No entanto, manifestantes afirmam que a fazenda, que tem cerca de 1,5 mil hectares, pertenceria ao próprio presidente.

Esta é a segunda vez que o movimento, que reivindica a reforma agrária, ocupa a Fazenda Esmeralda. Na primeira, o MST alega que encontrou cartas endereçadas a Temer e materiais de sua campanha para deputado federal de 2006.

Na invasão promovida pelo Movimento Social Sem Limites, que faz parte da União Nacional Camponesa, em 22 de maio, a Assessoria da Presidência da República negou que o presidente Michel Temer seja dono de qualquer propriedade rural.

Outras invasões

Em maio de 2016, cerca de mil integrantes do Movimento Sem-Terra (MST) ocuparam a fazenda por quase uma semana, entre os dias 9 e 15.

Na época, segundo o movimento, o objetivo da ocupação era "denunciar as conspirações golpistas de Temer, muitas vezes articuladas de dentro da propriedade".

Ainda de acordo com o MST, os manifestantes denunciavam também o cultivo de eucalipto na propriedade e as condições de trabalho que seriam análogas à escravidão. O grupo também queria colocar em pauta a reforma agrária em todo país.

O Incra informou que inexiste o processo administrativo de desapropriação ou fiscalização cadastral tendo como objeto imóvel denominado Fazenda Esmeralda, localizado no município de Duartina.

O MPT de Bauru não confirmou a denúncia de trabalho escravo. Eles informaram que não foi feita fiscalização em Duartina em fazenda com plantação de eucalipto. Também não consta nada com o nome de Fazenda Esmeralda ou da empresa Argeplan.

Os integrantes desocuparam a fazenda pacificamente no dia 15 de maio. O pedido de reintegração seria executado no dia seguinte. A assessoria de imprensa do MST informou que não foram notificados da reintegração de posse.

Assim que o grupo deixou a propriedade, os funcionários da Fazenda começaram a levantar os prejuízos.

Danos

Segundo a polícia, pichações foram encontradas e alguns veículos foram danificados. Câmeras de segurança de um barracão foram arrancadas. As portas do escritório foram danificadas ao serem arrombadas.

Ainda de acordo com a polícia, cabeças de gado foram mortas e furtadas. O MST informou por nota que não houve nenhum tipo de depredação ou dano cometido na área. Um inquérito foi aberto para apurar o caso.

Menos de 10 dias depois dos integrantes do MST deixarem a fazenda, cerca de 900 pessoas da Frente Nacional de Lutas ocuparam as terras. A invasão começou no dia 23 de maio e dois dias depois, os integrantes da FNL deixaram a fazenda, após a Justiça conceder a reintegração de posse aos proprietários.

A fazenda foi invadida novamente em 22 de agosto pelos integrantes da FNL. Cerca de 320 pessoas, segundo a FNL, invadiram o local com o objetivo de pressionar o Incra em relação a outras terras, que já estariam em processos de liberação para reforma agrária na região de Bauru. Eles deixaram o local dois dias depois, quando saiu a reintegração de posse.

Na época, o Incra informou que por causa das outras ocupações na Fazenda Esmeralda, o órgão está impedido de vistoriar, avaliar ou desapropriar este imóvel pelo período de dois anos a partir da data de sua desocupação.

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