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polêmico

Marco Aurélio Garcia, ex-assessor de
Lula e Dilma, morre aos 76 anos

20 JUL 2017Por FOLHAPRESS20h:39

Morreu nesta quinta-feira (20) o assessor para assuntos internacionais da Presidência nos governos Lula e Dilma, Marco Aurélio Garcia, 76.

Professor aposentado do Departamento de História da Unicamp, ele sofreu um infarto fulminante e foi encontrado morto em seu apartamento, no centro de São Paulo, por volta do meio-dia. Seu corpo foi velado na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Garcia ocupava nos últimos tempos uma cadeira no conselho curador da Fundação Perseu Abramo, função que assumiu após o impeachment da ex-presidente Dilma.

Ele foi entusiasta do Brics, grupo de países de economia emergente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A Garcia era creditada parte da projeção internacional do Brasil durante o governo Lula.
Embora sofresse de graves problemas circulatórios, o ex-assessor participava ativamente da agenda partidária, como o ato em solidariedade a Lula na semana passada.

Na sexta-feira (14), apresentou à fundação um texto sofre o futuro da esquerda.

No fim de semana, fez compras no centro de São Paulo, onde vivia sozinho em um apartamento com vista para a praça da República. Ele deixa um filho, Leon.

Garcia foi secretário municipal de Cultura de Campinas (1989-1990) e São Paulo (de 2001 a 2002), na administração da ex-prefeita Marta Suplicy (hoje no PMDB).

Iniciou sua trajetória política no movimento estudantil. Exilou-se na França e no Chile durante a ditadura militar. De volta ao Brasil, em 1979, ajudou a fundar o PT, partido que também presidiu.

POLÊMICAS

Garcia colecionou polêmicas ao longo de sua carreira. Como conselheiro de Dilma, foi responsabilizado pelo silêncio da ex-presidente sobre a violenta relação do governo de Nicolás Maduro com opositores na Venezuela.
Foi ainda influente na exclusão do Paraguai do Mercosul, em 2012, após o impeachment-relâmpago do presidente Fernando Lugo.

Um dos fundadores do PT, era chamado de "professor" entre os amigos.

Dos inimigos, recebeu o apelido de "Top Top", em alusão a um gesto obsceno que fez, em 2007, ao assistir ao noticiário sobre o acidente do Airbus A320 da TAM.

Desde então, Garcia lamentava o fato de ter sido filmado, de fora de seu gabinete no Palácio do Planalto, fazendo um movimento com as duas mãos enquanto via reportagem sobre o acidente pela TV.

No flagrante, ele comemorava a conclusão de que um defeito na aeronave provocara o acidente, já que o governo vinha sendo culpado pela tragédia em São Paulo, que causou 199 mortes.

O assessor era famoso por não ter muitos freios e foi até repreendido por Dilma após anunciar em entrevista a possibilidade de redução das taxas de juros no Brasil.

Também causou desconforto de seus pares ao pregar afastamento de petistas investigados por suspeita de corrupção, como o ex-tesoureiro João Vaccari Neto.

Era ainda um dos defensores da formação de uma frente de partidos de esquerda, nos moldes da coalizão governista uruguaia, como saída para a esquerda brasileira e mesmo para o PT.

CRISE

Em uma entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-assessor contou ter sido alvo de hostilidade nas ruas em meio à crise enfrentada por seu partido.

"No domingo, uma pessoa passou de carro e me insultou. Num restaurante um senhor idoso veio fazer críticas. Mas este foi muito educado, tive a oportunidade de conversar com ele por dez minutos. Fico chateado. É uma consequência de um conservadorismo muito agressivo de um setor. Nunca insultei ninguém. Nunca me vali de uma situação que pudesse ser favorável para fazer igual ao que está acontecendo", relatou.

Rechaçava o rótulo de organização criminosa associado ao PT.

"Uma coisa é dizer que pessoas no PT se envolveram em malfeitos. Outra é tentar qualificar o PT como uma organização criminosa. Não estou de acordo. Não me considero criminoso. Não tenho nada a ver com isso."

Recentemente expôs críticas à política internacional do governo Temer. Em uma gravação ao site Nocaute, do escritor Fernando Morais, disse haver uma partidarização do Itamaraty.

Reclamou do ingresso do Brasil no Clube de Paris, segundo ele "uma imposição desses quadros jovens neoliberais que infestam a equipe econômica. Alguns estão plantados também na Casa Civil".

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