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EDUCAÇÃO

"Leituras elásticas" são novo conceito para formar leitores

"Leituras elásticas" são novo conceito para formar leitores
20/08/2019 05:00 - AGÊNCIA BRASIL


Para a pedagoga Carolina Sanches, especialista em mídia e educação, o conceito de leituras elásticas é uma tendência do mundo atual para formar novos leitores. Curadora do Fórum de Educação, que vai oferecer programação exclusiva e gratuita para professores durante a 19ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa no próximo dia 30, Carolina afirmou à Agência Brasil que a formação de leitores é um dos maiores desafios do nosso tempo, dominado pela tecnologia. "Um mundo em metamorfose”, reforçou.

Para ela, o destaque entre as estratégias de que educadores podem lançar mão para formar leitores neste novo tempo e que exige transformação também da leitura é a chamada leitura elástica – abordagem lúdica em que se pode misturar livros com outras plataformas. “Eu acredito que isso se dá através da leitura e da ludicidade, ou seja, do livro, dos jogos, do cinema, do Nintendo, do Minecraft. A gente vai misturando. É uma educação remix. Através da mistura de plataformas e linguagens, a gente vai conseguir dialogar com as crianças”, destacou a pedagoga. “A leitura também precisa de metamorfose”, defendeu.

As leituras elásticas chegam para atender a uma demanda de uma nova geração. Para a pedagoga, a educação, hoje, consiste na convergência de diversas plataformas.

Segundo Carolina Sanches, os professores e educadores são imigrantes digitais, enquanto os alunos são nativos digitais. “E nós queremos que eles sejam formados leitores da mesma maneira que nós fomos. Não vai dar. São novos tempos. É preciso desapegar de um tipo de formação leitora e migrar para outro.”

Virada

A pedagoga afirmou que existe atualmente uma virada enorme de entendimento de formação leitora. “Claro que existe a formação do leitor literário mas, para chegar na literatura, a gente vai precisar de outras estratégias. Se antigamente o DNA da educação era ensinar, hoje o DNA evoluiu”. Lembrando Luciano Meira, especialista em educação aplicada por meio de games, que também participará do Fórum de Educação, Carolina citou que o novo DNA da educação precisa de diversão, desafio e diálogo de narrativas e aventuras. “Significa que a nossa leitura estica como nas demais plataformas. Assim, com leituras não lineares, a gente vai conseguir avançar na formação leitora”.

Para conseguir que também os adultos adquiram o hábito da leitura nessa época atual de muita desatenção, em que as pessoas não ficam uma hora e meia hora sem consultar o WhatsApp dentro de locais fechados como cinemas e teatros, inclusive, Carolina Sanches defendeu que a estratégia é trabalhar com narrativas que tenham ligação com uma série de televisão ou com um filme, por exemplo. “Isso facilita que a pessoa consiga mergulhar ali [no livro]”. Ela acredita que isso se aplica tanto a crianças como a adultos. “É uma coisa do nosso tempo”.

Inovação

A pedadoga assegurou que a tecnologia não é inimiga do livro, porque o livro também é uma plataforma. “A gente não pode lutar contra isso. A gente só precisa entender que quando fala em inovação não é só na tecnologia. A inovação está na maneira de fazer e de pensar diferente”. Ela destaca sempre nos encontros com educadores a importância dos jogos junto com a leitura, de jogos de tabuleiro com a narratividade de um livro. Ela acredita que assim pode-se penetrar em várias camadas de leitura e formar o que chama de leitores contemporâneos.

Na avaliação de Carolina Sanches, os professores estão receptivos ao conceito das leituras elásticas e pedem por isso. “Os professores querem fazer essa mudança de paradigma. E mais que cobrar dos professores, a gente precisa ajudá-los nessa transição do tempo, nessa metamorfose”. Salientou que aprendizagem só se dá com prazer. Por isso, afirmou que o caminho da leitura e da ludicidade passa pelo prazer. “Um dia, a gente vai ter um Brasil leitor”, disse.

O Fórum da Educação está marcado para os dias 2 e 3 de setembro, dentro da Bienal Rio, no Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. A programação de palestras traz, além de Carolina Sanches, nomes como o professor português José Pacheco e Ana Mae Barbosa, que incluiu as aulas de artes nas escolas brasileiras.

Felpuda


Vêm aumentando que só os disparos de segmentos diversos contra cabecinha coroada que, até então, acreditava voar em céu de brigadeiro. O novo coronavírus chegou, ganhou espaço, continua avançando e atualmente tem sido o melhor cabo eleitoral dos adversários. A continuar assim, sem ações mais eficazes, o estrago político poderá ser grande. Observadores mais atentos têm dito que o momento não é de viver o conto da “Bela Adormecida”. Só!