Cidades

Porto de Santos

Justiça mantém decisão que impede
saída de navio com 25 mil bois

Justiça mantém decisão que impede
saída de navio com 25 mil bois

G1

04/02/2018 - 15h10
Continue lendo...

A empresa Minerva Foods, responsável pelo embarque dos mais de 25 mil bois no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, com destino a Turquia, solicitou ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região o cancelamento da suspensão da liminar que ordena o desembarque e proíbe a exportação de carga viva em todo o país, mas o pedido foi negado pelo órgão neste sábado (3). O navio Nada, que abriga os animais, continua parado no Porto de Santos.

No texto do documento, a desembargadora Diva Prestes Marcondes Marlerbi julga não estar claro se os bois estão ou não sofrendo maus tratos, por conta da divergências dos laudos veterinários apresentados. Por isso, a decisão foi mantida até que o caso seja esclarecido.

A empresa exportadora havia solicitado ao TRF que derrubasse a liminar do juiz Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara Cível Federal de São Paulo, anunciada na noite da última sexta-feira (2), que proibiu em todo o território nacional o transporte de carga viva.

A decisão do juiz atendeu ao pedido feito em ação civil pública movida pela organização não governamental Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal. Na quinta-feira (1º), a Justiça de Santos já havia determinado o desembarque de 27 mil bois do navio Nada.

Entre 26 e 31 de janeiro, o cais do Ecoporto, na Margem Direita do complexo portuário, recebeu os animais que eram criados em fazendas no interior do estado, distantes 500 quilômetros do litoral. Os bois foram comprados pela Turquia e a operação de embarque no navio Nada, o maior do tipo, teve que ser suspensa.

Trata-se da segunda operação com carga viva no Porto de Santos após 20 anos. Desde o início dos trabalhos, ativistas ligados à proteção animal alegam que os bois são vítimas de maus tratos. A prefeitura multou a Minerva Foods, responsável pelos animais, em R$ 1,5 milhão e, depois, em R$ 2 milhões, por poluição.

Em três decisões judiciais nos últimos dias, duas em esfera estadual e uma em federal, determinou-se a suspensão do embarque (faltam cerca de 2 mil bois), o desembarque daqueles animais já a bordo e a inspeção sanitária no navio.

A Minerva recorreu, em esfera estadual, da suspensão do embarque dos animais faltantes, mas, nesta sexta-feira (2), a Justiça Estadual manteve a decisão e, neste sábado, a Justiça Federal também manteve a ordem de desembarque. O impasse permanece sobre a retirada dos animais que já estão no navio, apesar de a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) já preparar um plano logístico para fazê-lo.

Operação legal

Na sexta-feira, o médico veterinário Guilherme Henrique Figueiredo Marques, que é auditor fiscal agropecuário, diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e delegado do Brasil na Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) rechaçou o impasse.

"Resta claro que a judicialização da questão, com a consequente demora para prosseguimento da viagem e desembarque dos animais no destino, causa muito mais prejuízos do ponto de vista do bem-estar animal do que o que é atribuído pelas ONGs, e que gerou o impasse", declarou, por meio de nota.

Marques explica que a exportação de bovinos no Brasil é regulamentada por uma série de atos normativos, e que a operação realizada em Santos, tanto em janeiro deste ano como em dezembro de 2017, ocorreram dentro da normalidade. Os trabalhos aconteceram, segundo ele, de acordo com regras de órgãos internacionais, como a OIA.

"A fiscalização [no Brasil] é realizada em estabelecimentos aprovados para realização dessas quarentenas, e também nos pontos de egresso de qualquer modalidade [marítima, rodoviária e aérea]. O objetivo é assegurar que os animais destinados ao comércio internacional sejam transportados em bom estado de saúde", diz.

Ainda segundo o representante do Mapa, as exportações brasileiras de bovinos cresceram nos últimos 15 anos. Por isso, a modalidade é considerada pelo Governo Federal como um segmento importante do agronegócio e que, diretamente, gera uma alternativa de mercado para os produtores rurais brasileiros.

"Existe o reconhecimento por parte dos serviços estrangeiros e dos importadores quanto à robustez e à seriedade dos controles executados [no aís]. Portanto, ações como essa geram instabilidade no mercado e podem gerar desconfiança por parte dos parceiros comerciais, o que vemos com muita preocupação", comenta.

A Minerva Foods, por meio da assessoria de imprensa, informou que a exportação de bois vivos "é uma atividade regulamentada pelo Mapa" e ressalta que, em seu processo, "o manejo do gado segue todos os procedimentos adequados para preservar o bem-estar". A empresa não comentou sobre as penalidades aplicadas.

Também por nota, o Ecoporto informou que a movimentação de carga viva é uma operação experimental na instalação, mas que seguiu as regras e que todo o trabalho foi acompanhado pelas autoridades. "A empresa dará imediato cumprimento às ordens judiciais recebidas tão logo sejam oferecidas condições adequadas".

CARANDÁ BOSQUE

MPMS investiga licenças ambientais de condomínio de luxo em área nobre

Edifício Alto Padrão Heritage será construído na rua Antônio Maria Coelho e terá 26 andares, com 49 apartamentos e 17.801,78 m² construídos

28/10/2026 10h18

Edifício Alto Padrão Heritage

Edifício Alto Padrão Heritage DIVULGAÇÃO

Continue Lendo...

Ministério Público (MPMS) vai investigar a regularidade jurídico-ambiental do condomínio de luxo Edifício Alto Padrão Heritage, também conhecido como Edifício Isaac de Oliveira, localizado na rua Antônio Maria Coelho, bairro Carandá Bosque, em frente ao Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande.

Inquérito Civil foi instaurado pela 34ª Promotoria de Justiça de Campo Grande para apurar se o empreendimento será construído em conformidade com as leis e normas ambientais aplicáveis, com regularidade de licenças ambientais exigidas pelos órgãos competentes.

Vale ressaltar que o empreendimento encontra-se dentro da Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Prosa, o que exige cautela e impõe critérios rígidos de ocupação do solo e preservação ambiental.

A partir de uma Notícia de Fato publicada em junho de 2026, o MPMS solicitou diversos documentos à Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semades) e Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) para confirmar a regularidade jurídica ambiental do empreendimento. Confira:

  • SOLICITAÇÃO À PLANURB: documentação a respeito da existência ou não de licenciamento ambiental do empreendimento, enviando os estudos ambientais apresentados no licenciamento e os relatórios técnicos, licenças e laudos de vistoria expedidos pelo ente ambiental
  • SOLICITAÇÃO À SEMADES: documento de alvará de construção e cópia do procedimento de licenciamento urbanístico
  • SOLICITAÇÃO AO IMASUL: informações se o empreendimento situa-se na zona de amortecimento do Parque Estadual do Prosa e se foi avisado ou cientificado de eventual licenciamento ambiental, bem como se anuiu ao licenciamento, informando eventuais riscos para a unidade de conservação

A Notícia de Fato foi convertida em Inquérito Civil pelo MPMS em outubro de 2026 pelo fato de haver contradição entre o que afirma o IMASUL e o ofício. Isto significa que o ofício não foi encaminhado ou o IMASUL de fato errou na informação prestada.

A partir de então, além dos documentos solicitados e já entregues pelas autoridades, o Ministério Público ainda requisitou mais formulários dos órgãos ambientais da Prefeitura de Campo Grande e Governo de Mato Grosso do Sul:

  • SOLICITAÇÃO À SEMADES: enviar a cópia do procedimento de licenciamento urbanístico desse empreendimento
  • SOLICITAÇÃO À PLANURB: encaminhar cópia do processo administrativo de licenciamento ambiental e do processo administrativo que resultou na concessão da GDU, bem como para informar se foi encaminhado pela SEMADUR o ofício n. 2.808/SUFGA/SEMADUR, de 21 de agosto de 2024, para o IMASUL, fazendo prova desse envio
  • SOLICITAÇÃO AO CERTIFICADO DE RECEBÍVEIS IMOBILIÁRIOS: obter cópia da matrícula imobiliária do empreendimento
  • SOLICITAÇÃO AO IMASUL: verificar se localiza tal expediente (cópia do ofício de f. 174, isto é, o ofício de n. 2.808/SUFGA/SEMADUR, de 21 de agosto de 2024) e, em caso positivo, qual o encaminhamento a ele dado
  • SOLICITAÇÃO AO EMPREENDEDOR: preste as informações que entender cabíveis, inclusive se já iniciou a construção e se já está havendo a comercialização das unidades do empreendimento
  • SOLICITAÇÃO AO DAEX: examine se houve inconsistências, omissões ou fragilidades ecológicas no Estudo de Impacto de Vizinhança; avaliar se foram adotadas as medidas necessárias no licenciamento ambiental para prevenir os impactos ambientais negativos

O EDIFÍCIO

Edifício Alto Padrão Heritage, também conhecido como Edifício Isaac de Oliveira, é um condomínio de alto padrão multirresidencial vertical, destinado à classe média e alta.

Edifício Alto Padrão Heritage

Será construído na rua Antônio Maria Coelho, bairro Carandá Bosque, em frente ao Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

O projeto prevê a construção de 1 torre vertical, com 49 unidades residenciais em 26 andares, sendo 48 apartamentos nos andares e mais 1 apartamento na cobertura.

Cada unidade habitacional será composta de sala de jantar, sala de estar, três suítes e mais uma suíte master, cozinha, área de serviço/lavanderia, banheiro de serviço, circulação, lavabo, varanda, gourmet e garagens.

A área total do terreno é 3.150,96 m² e área total a ser construída é de 17.801,78 m².

Por enquanto, o empreendimento ainda está na planta: começará a ser construído neste segundo semestre de 2026, com término das obras previstas para 2029.

A empresa responsável pela construção é a Saraiva de Rezende INCG Empreendimentos Imobiliários SPE LTDA.

Unidades já estão sendo comercializadas na planta.

TRAMA OCULTA

Gaeco investiga fraude em 15 licitações e cumpre mandados em 7 municípios

Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares, em Anastácio, Caarapó, Campo Grande, Dourados, Mundo Novo, Jardim e Sidrolândia

28/10/2026 09h35

O Ministério Público Estadual afirma que a organização criminosa movimentou R$ 3 milhões nas licitações fraudulentas

O Ministério Público Estadual afirma que a organização criminosa movimentou R$ 3 milhões nas licitações fraudulentas FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta quarta-feira (28), a Operação Trama Oculta. Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de medidas cautelares diversas da prisão. Os alvos foram localizados nos municípios de Anastácio, Caarapó, Campo Grande, Dourados, Mundo Novo, Jardim e Sidrolândia.

Um grupo de empresários do ramo de confeccções atuava em uma espécie de cartel, ajustando previamente os preços das propostas apresentadas nos pregões para simular a competição e elevar artificialmente os valores das contratações públicas. Em alguns casos, valiam-se também da cooptação de servidores públicos para viabilizar as fraudes e favorecer o superfaturamento.

Até o momento, foram identificadas 15 licitações fraudadas pela organização criminosa em contratos que alcançam cerca de R$ 3 milhões.

Em Sidrolândia, de acordo com o Região News, uma das equipes do Gaeco esteve na Priscila Malhas, que pertence à empresária Priscilla Depiné, esposa do ex-secretário municipal de administração e atual secretário especial, Welbet José Biaggi de Amorim. Outros agentes estiveram na residência do casal, localizada no Eco Parque Fratelli, na manhã desta quarta-feira.

As investigações tiveram início a partir de provas extraídas de um celular apreendido durante a Operação Malebolge. O material revelou indícios de um esquema criminoso paralelo envolvendo empresários do ramo de confecções.

“Trama Oculta”, termo que dá nome à operação, remete tanto ao produto negociado pelos empresários (ramo de confecções) quantos às articulações entre efetivadas entre eles, que ajustavam previamente as propostas para simular a competição nos pregões e viabilizar o superfaturamento das contratações públicas. 

Operação Malebolge

A Malebolge cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e 39 de busca e apreensão e apurava fraudes em licitações que somam mais de R$ 10 milhões, envolvendo servidores e empresários. Os mandados foram cumpridos em Água Clara, Campo Grande, Rochedo e Terenos. 

O esquema envolvia licitações fraudulentas para compra de uniformes e outros materiais, com um empresário no centro, cooptando servidores e contando com outros empresários. Uma das buscas foi em uma empresa de vestuário em Campo Grande. Um celular apreendido na Malebolge levou o Gaeco a um grupo do ramo de confecções. 

O Gaeco chegou aos suspeitos da Malebolge por provas extraídas de celulares apreendidos na Operação Turn Off. A Trama Oculta seria, portanto, mais um desdobramento dessa cadeia de apreensões de celulares. 

Dez pessoas foram denunciadas por organização criminosa e pediu indenização de, no mínimo, R$ 22 milhões. Além disso, a denúncia do MPMS aponta crimes de fraude em licitação, peculato e corrupção entre os anos de 2022 e 2025. 

Os alvos chegaram a ganhar liberdade com tornozeleira eletrônica. Depois, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), contra o voto do relator, os manteve presos após recurso do MPMS. Mais tarde, o tribunal revogou a liberdade provisória e determinou a prisão dos réus. 

A 2ª fase foi deflagrada em 24 de julho de 2025. Já em 2026, o Gaeco prendeu quatro pessoas em Água Clara, entre elas a ex-secretária de Educação e um empresário. Segundo as investigações, ele pagava propina para aumentar as ordens de compra, e só parte dos produtos era entregue.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).