Segundo dados, já foram registrados 69 focos de fogo desde o início do ano, frente aos 32 no mesmo período em 2025
O baixo índice de chuvas desde o início de 2026 aliado às densas vegetações recuperadas dos incêndios florestais de 2024 coloca Mato Grosso do Sul em alerta para o aumento de focos de incêndios neste próximo ano.
O aumento de focos já pode ser observado. Segundo dados do BDQueimadas, desde o dia 1º de janeiro até hoje (26), os satélites de referência já detectaram 69 focos ativos no Pantanal. No mesmo período do ano passado, foram registrados apenas 34.
O trabalho de prevenção, monitoramento e combate ao fogo, campanha do Governo do Estado, já identificou esse aumento, atuando na erradicação de um incêndio que atinge a área do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, ao norte da Serra de Bodoquena, e outros dois no Nabileque e na região norte do município de Corumbá, perto do Rio Paraguai.
"Historicamente há incêndios nesta época de chuvas, mas este ano os focos se apresentam com maior intensidade. Considerando esse cenário já estamos nos preparando estruturalmente para que tenhamos capacidade de resposta, o que está sendo feito nesse momento pela nossa unidade de Corumbá, que tem empregado equipes para combater os focos que atingem a região pantaneira", explica o subdiretor da DPA (Diretoria de Proteção Ambiental) do Corpo de Bombeiros Militar de MS, major Eduardo Rachid Teixeira.
Monitoramento
O trabalho do Corpo de Bombeiros tem sido contínuo para prevenção, monitoramento e combate dos incêndios florestais desde o ano de 2024, quando teve a maior temporada de incêndios da história do Estado.
A partir dessa época, medidas foram implantadas pelo governo estadual, como a implantação das bases avançadas em diferentes regiões do Pantanal, o que permite uma resposta rápida e eficiente aos focos de incêndio, reduzindo as áreas atingidas pelo fogo.
Os resultados puderam ser notados em 2025, quando houve uma redução expressiva tanto em números de focos quanto na área queimada no Pantanal.
Conforme o balanço da Operação Pantanal em 2025, o último ano foi o melhor da série histórica que começou em 1998. Sobre os focos de calor no Estado, até o dia 31 de dezembro, foram registrados 1.844 focos, número menor que os 2.111 registrados no início da série.
Quanto à área queimada, em 2025 foram atingidos 202.678 hectares, número muito inferior ao registrado em 2024, quando foram contabilizados mais de 2,3 milhões de hectares queimados.
"É importante destacar que as ações que foram adotadas em 2025 continuam neste ano. Essas instituições estão fazendo reuniões e promovendo o alinhamento dos planos operativos para que no momento de maior criticidade da seca tenhamos condições de atuar, tendo como objetivo alcançar resultados semelhantes aos que foram obtidos no ano passado, quando conseguimos chegar próximo aos melhores resultados históricos", afirmou o major Teixeira.
Força nacional
Como noticiado anteriormente pelo Correio do Estado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) determinou que a Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) atue em ações de combate a incêndios florestais. Isso envolve atividades de polícia judiciária e perícia forense.
Com a medida, os profissionais de polícia judiciária e de polícia técnico-científica da Força Nacional de Segurança Pública atuarão em apoio às Polícias Civis dos estados e à Polícia Federal (PF) na investigação e combate às causas de surgimento de incêndios por ação humana.
Conforme o MJSP, os agentes da Força Nacional já estão em território de Mato Grosso do Sul, atuando com a PF e outros órgãos federais e estaduais.
O governo federal pontuou que foram mobilizados policiais militares, policiais civis, bombeiros militares e peritos criminais, porém, o efetivo atualmente empregado não foi divulgado, conforme regramento de missões da FNSP.
Esse trabalho já vem sendo feito desde 2024, por conta do período grave de incêndios florestais registrados no Pantanal. O apoio está concentrado, principalmente, com bombeiros, bem como policiais judiciários e peritos forenses.