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Contaminação

França investiga dona da Batavo por Salmonella em produto para bebê

França investiga dona da Batavo por Salmonella em produto para bebê

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O governo francês recebeu bem a promessa do grupo Lactalis de indenizar vítimas de uma contaminação por Salmonella em seus produtos de leite para bebês na França, mas informou que a investigação judicial para determinar os responsáveis continuará.

As fórmulas infantis, produzidas na fábrica da empresa em Craon, teriam sido vendidas para 83 países.
O presidente-executivo da Lactalis, Emmanuel Besnier, disse à publicação semanal "Journal du Dimanche" que a companhia, uma das maiores produtoras de laticínios do mundo, "pagará indenizações a cada família que foi prejudicada".

"Em momento algum houve a intenção de esconder as coisas", ressaltou Besnier, que dirige a empresa desde 2000.

Infecções por Salmonella podem ser um risco à saúde, e as famílias de crianças que adoeceram na França por causa da contaminação do leite para bebês anunciaram uma série de processos judiciais.

A promessa de Besnier foi feita dois dias após a Lactalis ter ampliado um recall de produtos para cobrir todas as fórmulas infantis feitas em sua fábrica em Craon, independentemente da data de fabricação, em uma tentativa de conter o escândalo que pode prejudicar o estratégico agronegócio francês em mercados estrangeiros.

"É preciso medir a magnitude da operação: são mais de 12 milhões de caixas", ressaltou.
O porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, afirmou em entrevista à BFM TV que "pagar uma indenização é bom, mas o dinheiro não pode comprar tudo."

O medo se intensificou na semana passada, quando os maiores varejistas da França, incluindo o Carrefour, Auchan e Leclerc admitiram que produtos que sofreram recall em dezembro tinham chegado às prateleiras mesmo assim.

"É trabalho da investigação determinar onde as falhas ocorreram e quem é culpado", disse Griveaux, acrescentando que "as responsabilidades foram compartilhadas".

Até agora, 37 bebês foram diagnosticados com contaminação por Salmonella na França, após terem consumido leite ou fórmula provenientes da unidade da Lactalis alvo da investigação, segundo balanço oficial divulgado no último dia 12.

Um bebê foi infectado por Salmonella na Espanha após consumir leite infantil da marca francesa, e na Grécia um caso está sendo investigado.

Besnier não informou o valor que as indenizações podem alcançar. Implementar um recall global será desafiador. A Lactalis, empresa de capital fechado que é uma das maiores produtoras de laticínios do mundo, exporta alimentos para bebês para 83 países por toda a Europa, África e Ásia.

A contaminação por Salmonella na fábrica foi revelada no início de dezembro. Segundo Besnier, os resultados das análises localizam o problema "provavelmente" no primeiro semestre de 2017.

"Neste período, fizemos obras na fábrica. Neste momento, a bactéria pode ter sido introduzida nas instalações", afirma o presidente-executivo da Lactalis.

No Brasil, a Lactalis comprou ativos que pertenciam à BRF, quando a companhia decidiu deixar de atuar em lácteos. Além das fábricas, foram compradas marcas como Batavo e Elegê. Em dezembro, a empresa anunciou a aquisição do laticínio mineiro Itambé, que foi suspensa pela justiça.

TRANSPORTE

Motoristas vão pagar de R$ 107 a R$ 856 para percorrer a BR-163 após tarifaço

Aumento médio de 40% no pedágio começa a ser cobrado a partir de hoje nos 845 quilômetros da rodovia no Estado

05/08/2026 07h45

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O pedágio cobrado nas nove praças da BR-163 em Mato Grosso do Sul aumenta em média 40% hoje, um ano após a Motiva Pantanal assumir a concessão.

Com este índice, o motorista de um carro de passeio vai gastar R$ 107 para percorrer os 845 quilômetros da BR-163, o que representa R$ 30,90 a mais que os atuais R$ 76,10. Um caminhoneiro com veículo de oito eixos vai desembolsar R$ 856, cerca de R$ 250 a mais.

O maior incremento será em São Gabriel do Oeste, com 42,67% e o menor em Sonora, com 39,19%. O aumento é quase 10 vezes maior que a inflação dos últimos 12 meses, que ficou em 4,64%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Embora a inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) corresponda a pouco mais de 10% do aumento da tarifa de pedágio, o incremento nestes patamares foi autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no mês passado levando em consideração o IPCA e o degrau tarifário de 33,64% por cumprimento de metas, previstas no contrato.

Este incremento médio na tarifa definido pela Agência é 1% superior aos 39,3% solicitados pela empresa em maio. À época, a empresa pediu reajustes entre 37,8% a 41,3% no pedágio das nove praças nos 845 km da BR-163 no Estado.

Até ontem, motoristas pagavam R$ 10,00 na praça de Campo Grande, valor que foi para R$ 14,10 - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

O porcentual a ser aplicado hoje foi definido pela nota técnica nº 7.371/2026 da autarquia, na qual é afirmado que a empresa tem direito ao “acréscimo tarifário de 5,16%”, bem como ao degrau tarifário de 33,64%, totalizando 40,49% de aumento médio. Com os arredondamentos dos centavos este porcentual médio passa a ser de 40%.

Para a empresa, o IPCA estimado entre novembro de 2021 até junho deste ano (considerando até junho) seria menor que o definido pela ANTT.

Em carta enviada à Agência, no dia 15 de junho, a Motiva Pantanal afirmou que aceitaria a aplicação do reajuste proposto pela ANTT, porém ressaltou que “quanto ao cálculo da atualização pelo IRT, a Concessionária não se opõe à aplicação do porcentual calculado por essa agência”, destacando que “caso a 1ª Revisão Ordinária seja aprovada com base no IRT provisório, a eventual diferença em relação ao índice definitivo deverá ser ajustada na Revisão Ordinária subsequente, por meio do Fator C (cesta de índices que entram no cálculo tarifário)”.

Neste mesmo comunicado, a Motiva Pantanal reforçou que aceitava a aplicação do degrau tarifário de 33,64%, porcentual definido no ano passado com a assinatura do aditivo do contrato de concessão que previa este incremento na tarifa caso a concessionária atingisse as metas de execução de obras previstas para até o 9º mês do primeiro ano de concessão da BR-163. A empresa cumpriu estas metas no segundo semestre.

A manifestação da Motiva Pantanal ocorreu dentro do prazo permitido – de 15 dias – para que ela dissesse que concordaria ou não com os critérios do aumento, que considerou uma média do IPCA.

Com a decisão da diretoria da ANTT no mês passado, os reajustes no pedágio a partir de hoje serão entre 39,19% a 42,67%, com média de 40% com os arredondamentos, com o maior reajuste na praça de pedágio localizada em São Gabriel do Oeste e o menor em Pedro Gomes.

PRAÇAS

Em São Gabriel do Oeste, a autarquia estipulou em 42,67% o aumento, elevando a tarifa cobrada dos carros de passeio de R$ 7,50 para R$ 10,70. A ANTT considera que em Campo Grande o aumento será de 41% e em Mundo, 41,54%.

Na Capital, o valor sugerido é de R$ 14,10 por carro de passeio, contra os atuais R$ 10. Já em Mundo, o valor sobe de R$ 6,50 para R$ 9,20.

Já nas praças de Itaquiraí e Caarapó, o aumento será de 40,45% e 41,57% respectivamente, fazendo com que as tarifas fiquem em R$ 12,50 e R$ 12,60. Em Rio Verde, o incremento será 40%, com o pedágio a R$ 14. 

Em Rio Brilhante e Jaraguari, os porcentuais a serem aplicados serão de 39,56% e 39,74%, com as tarifas subindo para R$ 12,70 e R$ 10,90 respectivamente. Em Sonora, o pedágio vai subir 39,19%, com o valor do pedágio para o carro ficando em R$ 10,30.

Estas variações nas tarifas ocorrem, entre outros motivos, por causa da abrangência de cada praça, que tem como parâmetro de cálculo a extensão em quilômetros.

Na praça de Campo Grande o usuário paga por percorrer 111,74 Km mesmo sem utilizar todo o trecho. Em Mundo Novo, são 72,34 km.

Esses porcentuais arredondados fizeram com que o aumento médio definido pela ANTT fosse de 40%, ante os 39,3% solicitados pela empresa, o que pode elevar o pedágio a cada 100 km de R$ 7,50 cobrados hoje para R$ 11,90, contra os R$ 10,47 calculado pela Motiva.

Com os porcentuais definido pela autarquia, o motorista de um carro de passeio vai gastar R$ 107 para percorrer os 845 Km da BR-163, o que representa R$ 30,90 a mais que os atuais R$ 76,10.

Já um caminhão de oito eixos, os bi-trens, vão pagar R$ 856,02, cerca de R$ 250 a mais que desembolsava até ontem. Um ônibus ou caminhão com quatro eixos vai ter de pagar R$ 428 para percorrer toda a BR-163. Serão R$ 120 a mais.

CAMPO GRANDE

Sistema inovador deve agilizar compra de medicamentos

Capital deixa de depender do Ministério da Saúde para adquirir remédios, contando com infraestrutura própria de software

05/08/2026 07h40

Marcelo Victor / Correio do Estado

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Campo Grande se tornou a primeira capital brasileira a implantar o e-SUS Assistência Farmacêutica (e-SUS AF), um novo sistema que promete ajudar o Município a adquirir medicamentos e organizar melhor o estoque de remédios disponíveis para a população, deixando de depender do Ministério da Saúde para realizar este serviço.

A partir de agora, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) conta com a infraestrutura própria do novo sistema em toda a rede pública, que começou a ser implantado no fim de abril deste ano, entrando em funcionamento em duas unidades de saúde da Capital, nos Bairros Leblon e Moreninhas, que foram usadas como projeto-piloto.

“A implantação do e-SUS AF contribui para tornar mais ágil e eficiente o planejamento das compras de medicamentos, uma vez que passa a integrar informações que antes estavam distribuídas em diferentes sistemas. Com dados atualizados sobre a dispensação e o consumo dos medicamentos em cada unidade de saúde, a Sesau consegue acompanhar a demanda de forma mais precisa, estabelecer médias de consumo e aprimorar a programação das aquisições”, explica a Pasta.

Antes da chegada do novo software, a Sesau trabalhava com quatro sistemas distintos, que, conforme a secretaria, não se comunicavam entre si, e parte desse planejamento era realizada manualmente, o que tornava o processo mais suscetível a inconsistências. Agora, a tendência é que isso mude significativamente.

“Com a integração das informações em uma única plataforma, a gestão passa a contar com dados mais confiáveis para apoiar a tomada de decisões, qualificar o controle dos estoques e antecipar as necessidades da rede. Na prática, a modernização fortalece a gestão da assistência farmacêutica e contribui para garantir mais eficiência e regularidade no abastecimento de medicamentos à população”, destaca.

Sistema controla quantidade de medicamentos com mais facilidade - Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

Conforme o Município, o novo sistema traz maior controle e rastreabilidade dos medicamentos, integração das informações com as bases nacionais do Ministério da Saúde, redução de processos manuais, mais agilidade para os profissionais das farmácias, gestão mais eficiente dos estoques e maior segurança das informações.

“É importante destacar como uma inovação tecnológica implantada nos bastidores da saúde pública pode melhorar a gestão dos medicamentos e fortalecer o atendimento ao cidadão. Também evidencia o papel de Campo Grande como protagonista na estratégia nacional de transformação digital do SUS, ao desenvolver um modelo de implantação que poderá orientar outras cidades brasileiras”, reforça a Sesau.

PROBLEMA RECENTE

A falta de medicamentos na rede municipal é um problema que acompanhou a atual gestão há, pelo menos, dois anos. Tanto que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) acompanha de perto a situação desde o ano passado, que faz parte de um inquérito civil instaurado pelo órgão.

Em setembro, a 32° Promotoria de Justiça de Saúde Pública realizou uma reunião a respeito do desabastecimento de medicamentos na rede pública de Campo Grande.

A reunião foi conduzida pela promotora de Justiça Daniella Costa da Silva e contou com a presença da promotora Daniela Cristina Guiotti, coordenadora do Núcleo de Apoio Especial à Saúde (Naes) e do promotor Marcos Roberto Dietz, da 76ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública.

Também estiveram presentes servidores da Sesau, da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) e da Secretaria Especial de Licitações e Contratos (Selc).

Daniella destacou que a investigação tem como foco o recorrente desabastecimento de medicamentos que fazem parte da Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (Remune).

Segundo a promotora, foram constatados a falta sistêmica de medicamentos e a ausência de integração entre os sistemas de controle de estoque e de gestão em inspeções já realizadas em unidades de saúde, unidades de pronto atendimento (UPA) e em almoxarifados.

Naquela oportunidade, os servidores da Pasta já haviam informado que a prefeitura estava implantando o e-SUS AF, que ajudaria a agilizar o serviço de compra dos medicamentos.

Ainda, reconheceram as falhas e relataram que já foram realizadas licitações e compras emergenciais, além de negociações com fornecedores para a quitação de débitos e regularização do fornecimento dos insumos.

A promotora Daniela Guiotti classificou a situação como “gravíssima”, especialmente por causa da falta de medicamentos psicotrópicos e alertou que, caso não haja respostas efetivas, o MPMS poderá adotar medidas judiciais.

Na semana passada, o titular da Sesau, Marcelo Vilela, disse ao Correio do Estado que o maior motivo para que Campo Grande entrasse nessa “espiral” de problemas no setor foi a burocracia para licitar a compra dos remédios. Porém, destacou que o problema foi minimizado nos últimos meses.

“A gente não consegue, na mesma velocidade da nossa necessidade, repor o que precisa ser reposto, os insumos e medicamentos. Isso tudo é causado pela morosidade da administração pública. Os caras entram na licitação, mergulham no preço, aí quando a gente pede o produto, ele quer outro preço, só esse embate aí, é no mínimo 90 dias. Hoje, conseguimos reduzir a questão da necessidade dos medicamentos no esforço”, disse.

*SAIBA

Além do e-SUS AF, Campo Grande também está no processo de implantação de outro sistema inovador do Ministério da Saúde, o e-SUS Regulação, que deve garantir mais agilidade, transparência e segurança na organização e marcação de consultas com médicos especialistas, exames e cirurgias no SUS. A ideia é estar 100% implantado até o fim deste ano.

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