Delegado disse que as investigações apontaram os irmãos como líderes do esquema criminoso
Alvo de mandado de busca e apreensão nesta quarta-feira (28), Gabriel Zahran afirmou em suas redes sociais não ter “absolutamente nada a ver” com o esquema que o liga ao irmão Camilo Zahran, alvo de mandado de prisão na Operação Castelo de Cartas, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. As declarações foram dadas em seu perfil do Instagram nesta quinta-feira (29).
Com o irmão foragido, Gabriel foi alvo de mandado de busca e apreensão e prestou depoimento de mais de 3h à polícia em Campo Grande, sendo posteriormente liberado.
Em coletiva de imprensa realizada em São José do Rio Preto, o delegado da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil, Fernando Tedde disse que as investigações apontaram os irmãos como líderes do esquema criminoso.
Nas redes sociais, declarou que jamais faria parte de qualquer fraude, disse estar colaborando com a Polícia Civil e que não mantém qualquer relação financeira ou afetiva com o irmão.
"(...) em resumo, é o seguinte, eu não tenho p@rra nenhuma a ver com essa história. Nada, nada, nada. O eu não fiz parte disso, jamais faria parte de algo assim. Tanto é que eu fiz questão e faço questão de de contribuir, colaborar com a polícia de toda maneira possível", destacou na tarde desta quinta-feira (29).
Na sequência, Gabriel disse não ter qualquer negócio junto ao irmão, e sequer laços afetivos. "Colocaram o meu nome junto com o nome do meu irmão. Eu quero deixar uma coisa bem clara aqui, não tenho negócio nenhum financeiro com o meu irmão, muito menos laços afetivos com ele. A única coisa que eu compartilho com ele é um sobrenome", frisou Gabriel, que disse não saber por onde anda o irmão, que está foragido da Justiça.
Por fim, que os fatos serão esclarecidos e que a verdade "vira à tona". "Eu tenho certeza que a Justiça vai vir à tona, a verdade vem à tona e vocês vão ver que eu não tenho absolutamente nada a ver com essa história, tá? Nunca fiz parte disso e jamais faria parte disso", finalizou.
As investigações
A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou, nesta quarta-feira (28), a segunda fase da Operação Castelo de Cartas, com mandado de prisão e busca e apreensão em Campo Grande. Na capital sul-mato-grossense, os alvos estão dois herdeiros do grupo Zahran.
Conforme informações apuradas pelo Correio do Estado, Camilo Zahran foi alvo de mandado de prisão, mas não foi encontrado, sendo considerado foragido, enquanto Gabriel Zahran foi alvo de mandado de busca e apreensão.
Gabriel prestou depoimento na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/Cepol) de onde foi liberado após os esclarecimentos, já que contra ele não havia mandado de prisão. Acompanhado do advogado, deixou o local sem falar com a imprensa.
As investigações começaram em 2025, com algumas vítimas de golpes no município paulista, e a polícia conseguiu identificar que os autores eram de Mato Grosso do Sul.
"Eles fazem parte da família que é proprietária de um grupo de empresas em Mato Grosso do Sul e, utilizando dessa falsa credibilidade, eles acabavam enganando as pessoas", disse o delegado.
Conforme a Polícia Civil, o golpe consistia em induzir empresários a adquirir cotas de empresas de fachada, sob a promessa de lucros elevados. Para dar mais credibilidade, eles se utilizavam vínculo com o grupo empresarial do setor de gás e energia, alegando que as falsas empresas seriam terceirizadas.
Vítimas de várias cidades sofreram prejuízos milionários ao investirem nestas empresas, que só existiam no papel.
"Eles criaram a empresa de fachada, que simulava essa situação, e foram angariando o dinheiro, como se as pessoas estivessem realmente investindo nesse grupo empresarial. E, quando [as vítimas] foram cobrar os dividendos, descobriram que eles estavam sendo enganados", afirmou Tedde.
O delegado paulista acrescentou que as investigações apontaram que os irmãos seriam os líderes do esquema criminoso.
"Eles fazem parte de uma família que é grande, que é proprietária de um grupo empresarial com muitas empresas e eles até recebem dividendos, mas, pelo que a gente conseguiu saber, eles não fazem parte da administração de nenhuma dessas empresas do grupo e acabaram criando essa situação falsa de investimentos para angariar dinheiro", afirmou o delegado.
A primeira fase da operação foi deflagrada na segunda-feira (26), quando foram apreendidos 10 veículos, sendo alguns de luxo, joias, cheques notas promissórias que somam mais de R$ 1 milhão, objetos de grande valor e cerca de R$ 250 mil em dinheiro em espécie.
Já a segunda fase, dois dias mais tarde, foi para o cumprimento de mandados contras os irmãos Zahran. Os crimes atribuídos a eles são estelionato comum e estelionato praticado pela internet.
As investigações seguem para identificar se há mais vítimas do esquema criminoso, assim como se há mais pessoas que participavam na aplicação dos golpes.
*Colaborou Glaucea Vaccari
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