Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

CRISE

Chanceleres do Mercosul suspendem Venezuela do bloco econômico

Chanceleres do Mercosul suspendem Venezuela do bloco econômico
05/08/2017 21:00 - Silas Martí, Folhapress


No dia seguinte à polêmica instalação da Assembleia Constituinte em Caracas, chanceleres dos países fundadores do Mercosul decidiram por unanimidade suspender a Venezuela do bloco em reunião neste sábado, em São Paulo. Essa é a sanção máxima prevista no estatuto do grupo que pode ser aplicada contra um país que deixa de respeitar a ordem democrática.

Reunidos na sede da prefeitura paulistana e liderados pelo ministro das Relações Exteriores brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira, os chanceleres do bloco lembraram que a decisão de aplicar a sanção é uma medida extrema tomada depois do fracasso de tentativas de diálogo com o governo do ditador Nicolás Maduro.

Essa é a segunda suspensão a Caracas tomada pelo bloco. O país comandado por Maduro havia sido suspenso em dezembro do ano passado e acumula agora, portanto, duas suspensões, permanecendo de fora de todos os órgãos de atuação do grupo.

Embora uma escalada no tom contra o país tenha marcado os últimos dias, em especial por parte da Argentina, onde o presidente Mauricio Macri chegou a sugerir uma "suspensão definitiva" de Caracas, a decisão tomada em São Paulo não configura um passo anterior à expulsão da Venezuela dos quadros do Mercosul.

É, no entanto, uma reação ao silêncio do governo de Maduro, que acaba de nomear Jorge Arreaza, ex-vice-presidente e genro de Hugo Chávez, para o posto de chanceler do país. Em 21 de julho, depois de uma reunião de cúpula do Mercosul em Mendoza, na Argentina, o bloco enviou uma nota a Caracas pedindo esclarecimentos sobre a ruptura da ordem constitucional no país caribenho.

O processo está embasado na cláusula democrática do Protocolo de Ushuaia, que obriga países-membros a fazer uma consulta ao país onde a ordem institucional está ameaçada.

Manifestações contra o ditador Nicolás Maduro já deixaram mais de cem mortos na Venezuela desde abril, sendo pelo menos 14 em protestos contra a votação da Assembleia Constituinte.

Empossado na última sexta, num processo denunciado por fraudes, o grupo deverá reescrever a Constituição venezuelana e reger Caracas por tempo indefinido. Os Estados Unidos, a União Europeia e nações sul-americanas, entre elas o Brasil, indicaram que não reconheceriam essa manobra de Maduro para tentar se manter no poder. Em nota, o Itamaraty afirmou que o país caribenho passa por uma "ruptura da ordem constitucional".

A ex-chanceler Delcy Rodríguez foi eleita a presidente da Constituinte, que deverá reescrever a Constituição do país e já destitui a procuradora-geral do país, Luisa Ortega Diaz, do cargo.

Felpuda


Alguns políticos estão se aproveitando deste momento preocupante de pandemia para sugerir projetos oportunistas que, em alguns casos, são de resultados extremamente duvidosos. O mais interessante – para não dizer outra coisa – é que se for analisado o desempenho normal dessas figuras, verifica-se que essa preocupação toda nunca esteve no topo das suas prioridades. Ano eleitoral é assim mesmo. Lamentável!