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SOB PRESSÃO

Cármen Lúcia diz que recebe<br> críticas como 'mulher que apanha'

Cármen Lúcia diz que recebe<br> críticas como 'mulher que apanha'
08/07/2017 08:31 - FOLHAPRESS


 

A presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, afirmou nesta sexta-feira (7) que as críticas recebidas pelo Judiciário a deixam receosa como se fosse "uma mulher que apanha".

Em evento em Belo Horizonte, ela comentou que, nas últimas décadas, a população passou a acompanhar as decisões do Judiciário. Ao defender a participação do povo, ela contou um caso para ilustrar seu nível de preocupação com a opinião pública.

A ministra, que é mineira, disse que estava, no último sábado, em um táxi na cidade quando leu um painel num edifício no centro.

"Eu olhei de longe e falei: 'Nossa Senhora!'. Para mim, tinha escrito assim: 'Fora, hoje é dia do Supremo'. E aí eu interpretei: hoje é dia de pegar o Supremo", disse.

"Depois eu vi, era: 'Oba, hoje é dia do Supremo' e Supremo é uma marca de um produto que estava sendo anunciado", completou.

O taxista, que tinha reconhecido a ministra, comentou que ela estava muito receosa. Cármen Lúcia emendou: "Eu estou igual mulher que apanha. Na hora que alguém pega o chicote pra bater no cachorro, ela já sai correndo".

"Isso de tanto que todo mundo me fala o tempo todo, e denuncia, e critica o Judiciário. Como tem que ser mesmo porque o povo não está satisfeito e nem eu", concluiu.

Decisões tomadas por ministros do STF na última semana receberam críticas de parte da opinião pública.

Numa delas, o ministro Edson Fachin, na última sexta, decidiu liberar Rodrigo Loures, ex-assessor de Michel Temer, da prisão. Loures foi flagrado pela Polícia Federal recebendo dinheiro da JBS e cumpre prisão domiciliar.

No mesmo dia, o ministro Marco Aurélio negou a prisão do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e devolveu-lhe o mandato parlamentar. Aécio é acusado de ter recebido propina da JBS.

A delação de Joesley Batista, da JBS, também motivou uma discussão no Supremo sobre a possibilidade de rever colaborações premiadas e os benefícios aos delatores. Até agora, dez ministros da corte validaram o acordo -falta o voto de Cármen Lúcia.

DEMOCRACIA

A presidente do STF argumentou que nem sempre as decisões do Judiciário são as que o povo gostaria, mas que os juízes devem se pautar pela razão e não pela emoção do público.

Segundo a ministra, os juízes têm o "dever de comunicar bem e ouvir a sociedade, apesar de termos que cumprir a lei mesmo que as decisões não sejam, num determinado momento, o que o povo mais gostaria". "Até porque, muitas vezes, a emoção domina e o direito é razão", disse.

"Na democracia, nós temos o grande desafio de comunicar à sociedade as ações, e a sociedade aqui não é abstrata. ["¦] É o conjunto de cidadãos de carne e osso, que pede sapato, remédio, educação para o seu filho."

"Nesta mudança de quadro democrático que nós temos no mundo, o cidadão hoje quer participar também das decisões do Poder Judiciário –não ditando as decisões, mas tentando entender as decisões", afirmou.

Felpuda


Dez vereadores da Capital mudaram de partido na tentativa de encarar a reeleição ou, dependendo do caso, disputar a vaga de vice-prefeito. Legendas foram “engordadas”, outras entraram em estado de inanição e outras ainda simplesmente sumiram do mapa. Que ninguém ouse perguntar a quem “trocou de camisa” qual a linha programática dos partidos em que agora estão filiados. Seria para eles, digamos, questão de pouca importância. Política tem dessas coisas...