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Campo Grande - MS, terça, 13 de novembro de 2018

Eleições 2018

Candidato que fale 'no tom'
terá chance, conclui consultora

18 SET 2017Por Folhapress08h:24

Olga Curado já usou seu treinamento à base de aikidô (arte marcial japonesa) com os petistas Lula e Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves.

Na eleição de 2018, dará o golpe de mestre o concorrente que transmitir moderação na fala e no gestual e exibir vigor, crê a consultora de imagem, experiente em ajudar candidatos a moldarem o discurso e a linguagem corporal.

"Não vai ser ninguém que fale acima do tom. As pessoas não aguentam mais essa gritaria", afirma a jornalista, que há 15 anos auxilia políticos em campanha, executivos e empresas encalacrados em crises de imagem –um trabalho que ela resume como "aprender a tomar decisão em tempos difíceis".

"Todo mundo encheu o saco de briga, ninguém quer radicalização", diz a goiana, que assessorou Dilma em 2010 e Aécio em 2014. "Agora vai ser alguém com perfil conciliador. Não à toa estão todos [pré-candidatos] falando isso."

Os requisitos afastariam o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE) de um resultado positivo na eleição. Bolsonaro foi atendido pela consultora em São Paulo, há cerca de um ano.

Por sigilo contratual, ela não fala sobre a clientela.
Vitalidade, outro atributo que a guru vê como determinante, exclui do páreo Marina Silva. "Não transmite isso, nem na voz nem na figura."

A energia é necessária, mas não deve significar "vitalidade agressiva", avalia. "Tem que ser sereno, mas com coragem pessoal para colocar na mesa o radical do MST e o mercado financeiro."

João Doria (PSDB), outro nome ventilado para o pleito, é "habilidoso comunicador, com senso de oportunidade", afirma Olga. Mas, na opinião dela, faltam ao prefeito de São Paulo "habilidades humanas, no sentido da empatia."

Quem, então, reuniria as características capazes de conquistar o eleitor em 2018?
"Não consigo enxergar!", diz ela, rindo. "Não espero salvador da pátria. Então talvez esses que estão postos consigam demonstrar. Queremos não homens privados, mas homens públicos. Não sei onde estão, mas que têm, têm."

Sua esperança é que o eleitor gaste tempo para se informar. Um dos benefícios da Lava Jato, diz, foi "nos ensinar a ser menos crédulos e reverentes com os políticos".

O submundo escancarado pelas investigações deixou os eleitores escandalizados e será rejeitado nas urnas, acredita a jornalista. "Já tropecei com um bando que tinha um compromisso tão claro com a fruição do poder que passava muita segurança. O bandido pode conseguir ser muito convincente se ele não tem problema em ser bandido."

Nos meses que antecedem as campanhas, o telefone de Olga toca mais vezes. "[Desesperados] vêm sim, mas para alguns talvez eu não tenha tempo, né? A agenda é complicada...", afirma, sorrindo de canto de boca.

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