Campo Grande - MS, terça, 21 de agosto de 2018

MICHEL TEMER

Após reunião no Palácio da Alvorada,
Carlos Marun se diz esperançoso

Ministros e líderes governistas se reuniram ontem, às 17h, para articulações

10 JUL 2017Por Izabela Jornada11h:30

Após reunião no Palácio da Alvorada, ontem (09), entre ministros e líderes governistas, o deputado federal Carlos Marun (PMDB), apesar de considerar positivo o encontro, declarou que a oposição ao Governo está “querendo se vingar do povo”. “Como eles não receberam votos suficiente, agora querem atrapalhar a retomada do crescimento do Brasil”, disse.

Marun acredita também que o resultado da reunião de ontem foi positivo porque os votos serão suficientes para apoiarem o presidente Michel Temer. “Concluímos que temos o apoio partidário e os votos necessários para vencermos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário”, afirmou o peemedebista.

O correligionário de Michel Temer, considerado também um dos integrantes da “tropa de choque” do presidente, Marun disse que a fragilidade da denúncia e a correção das medidas tomadas na área econômica “ajudam muito nisto”. “Resta a oposição protelar a decisão para prolongar a crise. Atitude nefasta de quem é raquítico em argumentos, votos e patriotismo”.

A expectativa de Marun é de que dos 66 integrantes da CCJ, 40 votem a favor do presidente. “E em plenário, a oposição não vai conseguir os 342 votos”, disse. 

Sobre as substituições, Marun disse que é natural fazer mudanças para que representantes que apoiem o Governo estejam mais representativos na CCJ.

Até agora já foram duas sessões da CCJ. Hoje (10), às 14h será a próxima reunião da comissão e até as 17h, o deputado, Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), relator da denúncia por corrupção passiva contra o presidente deve apresentar parecer. 

Segundo informações do G1, o relator confirmou que o texto está pronto e disse que não recebeu pressões. “Tive um tratamento muito respeitoso de todos os meus colegas deputados e deputadas federais. Nenhum deles, em momento algum, ultrapassou o limite do razoável. E, fora isso, enfim, eu pude trabalhar tranquilamente. Estou bem tranquilo, bem consciente e me sinto preparado pra poder segunda-feira (hoje) estar presente na CCJ e desempenhar o papel para o qual eu fui designado”, afirmou Zveiter.

OUTRO LADO

Mesmo com a positividade de Marun, em matéria, G1 declarou que Temer não pode esperar muito nem do próprio partido, o PMDB. O presidente e o relator, na CCJ, onde está a denúncia contra ele, são peemedebistas independentes. Tem ainda a iminente delação de Eduardo Cunha, também do PMDB, que aponta contra Temer e seus ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral. No Planalto, a expectativa é de que esses ministros estão a um passo de sofrerem denúncias. E que o relatório na CCJ será pela admissibilidade da denúncia de corrupção passiva contra Temer.

Site G1 reforça que a projeção de votos declaradamente a favor de temer não é suficiente. Além da oposição, há muitos indecisos, todos preocupados com o desgaste político de defender Temer. Importantes líderes afirmam que tudo caminha para um inevitável afastamento do presidente. Se isso se confirmar, o sucessor automático é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do Democratas. Partido que, aliás, já é visto com desconfiança pelo Planalto. Nesse clima, Maia tenta se preservar. Tomou distância da CCJ.

MUDANÇAS

As vésperas do colegiado começar a analisar as denúncias da Procuradoria Geral da República (PGR), o líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi, fez alteração na composição de parlamentares. 

O vice-líder da bancada do PMDB, Carlos Marun (MS), será alçado ao posto de titular no lugar de José Fogaça (PMDB-RS). Marun entrou na "dança das cadeiras" quando foi colocado na suplência no lugar de Valtenir Pereira (MT), que trocou o PMDB pelo PSB.

O PTB também pretende tirar Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), notório opositor do governo, da titularidade da comissão. Faria de Sá vai para suplência no lugar de Giovani Cherini (PR-RS) e para a vaga de titular do PTB será designado Nelson Marquezelli (PTB-SP). Na bancada do PSD, Evandro Roman (PSD-PR) substituirá Expedito Netto (PSD-RO) como titular.

Segundo informações do Estadão, o esforço dos partidos da base aliada é garantir que governistas tenham prioridade de voto na apreciação do relatório do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ). Como a perspectiva é de que o parecer será pela admissibilidade da denúncia, os governistas atuam para reverter o cenário ruim e avisam que podem fazer mais substituições.

Só o Solidariedade fez quatro trocas nos últimos dias. Primeiro saiu Major Olímpio (SD-SP), que votaria contra o governo, e entrou o líder da bancada, Áureo (SD-RJ), na vaga do titular. Olímpio foi para a suplência. Na sequência, Áureo deixou a vaga de titular e indicou Laércio Oliveira (SD-SE), reconhecido governista, para votar como titular. Em uma vaga de suplente cedida pelo PROS, o Solidariedade formalizou a indicação de Wladimir Costa (SD-PA). Costa ficou conhecido na Casa por ser defensor do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética, mas, no dia da votação da cassação no colegiado, mudou de posição diante da pressão da opinião pública.

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