Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

MUNDO

Acuados em caso Odebrecht, políticos peruanos temem apuração sobre OAS

26 ABR 19 - 04h:00ESTADÃO CONTEÚDO

Depois de as investigações sobre a participação da Odebrecht no pagamento de propina e doações de campanha terem levado quatro ex-presidentes peruanos à Justiça, a apuração sobre o papel da OAS em irregularidades no país tem preocupado tanto políticos já envolvidos quanto novas figuras. 

A empresa assinou em março um termo de colaboração com o objetivo de fornecer informações sobre irregularidades em obras no país. Nesse termo, segundo um dos coordenadores da operação do MP peruano, a OAS reconheceu ter pago subornos, doado dinheiro de caixa 2 e se comprometeu a colaborar com as investigações. 

Graças a esse entendimento inicial, também segundo o promotor, que pediu para não ter o nome divulgado por não estar autorizado a falar publicamente sobre o teor do acordo, as investigações avançaram em novas frentes, distintas das que ocorreram com a Odebrecht, envolvendo novos atores políticos do país. De acordo com o procurador, a colaboração da Odebrecht criou um "efeito cascata" com outras empresas, especialmente a OAS, uma das que mais têm negócios no Peru.

As obras da OAS sob escrutínio do MP foram feitas durante os governos de Ollanta Humala (2011-2016), Alan García (2006-2011), nas prefeituras de Lima sob o comando de Susana Villarán (2011-2014), Luís Castañeda (2015-2018) e no governo da Província de Cuzco, chefiado por Jorge Acurio Tito. 

São pelo menos sete obras que, juntas, estão orçadas em US$ 1,34 bilhão, entre as quais duas vias expressas em Lima, um hospital em Cuzco, duas estradas e um centro de convenções. Apenas as obras contratadas no governo de Humala (duas estradas e o centro de convenções) custaram US$ 542 milhões. Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), não foram financiadas obras da OAS no Peru - a empreiteira usou esse recurso no Uruguai. 

A nova fase das investigações (da OAS) afeta especialmente governantes ligados à esquerda, como Humala, Villarán e Castañeda. Houve também participação no governo de García. Nas primeiras informações reveladas pela OAS aos promotores peruanos, consta que a empresa doou US$ 1 milhão para a campanha pelo "não" no referendo revogatório de Villarán à frente da prefeitura. Segundo estimativa do jornal El Comercio, a OAS pagou Us$ 6 milhões em suborno a políticos peruanos.

Humala chegou a ser preso preventivamente por 9 meses por indícios de doação ilegal de campanha relacionados à Odebrecht, mas está solto desde o ano passado graças a um habeas corpus emitido pelo Tribunal Constitucional do Peru. García se matou no dia 17, depois de receber uma ordem de prisão temporária da Justiça. O MP espera que, diante dos próximos testemunhos da OAS no Brasil, haja elementos para pedir a prisão preventiva dos ex-prefeitos de Lima.

Desde segunda-feira, procuradores peruanos tentam ouvir o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, sobre três casos relacionados à prefeitura de Lima, mas ele adiou o encontro. Na segunda-feira, a justificativa, segundo o procurador peruano Rafael Vela, foi a de que o advogado de Pinheiro, Fernando Silva, teve um atraso no voo e não poderia comparecer.

Na terça-feira, a justificativa foi outra. Segundo o procurador peruano Germán Juárez Atoche - responsável por colher a declaração, Pinheiro alegou estar sujeito a um acordo de delação premiada no Brasil com cláusula de confidencialidade que ainda não foi homologado no Peru e, por isso, ele não tem obrigação de dar declarações a autoridades que não constem no acordo. 

Os casos que seriam abordados nesta semana seriam a entrega de US$ 1 milhão da construtora para a campanha do "não" no referendo, as mudanças no projeto da Linha Amarela, também chamada de Vía Parque-Rímac, e os repasses para a campanha de reeleição de Susana. Consultada pela reportagem, a defesa de Pinheiro afirmou que não se manifestará sobre os adiamentos. Em nota, a OAS afirmou que "tem contribuído com todas as informações que se façam necessárias" sobre o processo no Peru.

Conversa sobre participação de García é divulgada 

Um áudio divulgado ontem pela imprensa peruana pode levar a mais discussões sobre o nível de envolvimento do ex-presidente peruano Alan García, que se matou após receber ordem de prisão, no caso de corrupção envolvendo a Odebrecht. A conversa gravada ocorreu entre Erasmo Reyna, advogado do partido Apra, de García, e o ex-diretor da construtora brasileira Jorge Barata, que presta declarações sobre as acusações.

O diálogo entre os dois tratou justamente da morte de García e ocorreu, segundo a divulgação, na terça-feira após o depoimento de Barata, em Curitiba. Nele, Reyna aborda Barata e afirma que García tinha "muito respeito" pelo ex-diretor. "E eu para com ele. Respeito e admiração", respondeu Barata. 

Pouco depois, Reyna fala sobre a acusação de que García pediu dinheiro à Odebrecht para sua campanha em 2006. "Ele nunca lhe pediu nenhum favor. É uma vítima de tudo isso." Ao que Barata responde: "Eu sei".

Nos bastidores, a questão é a intenção da defesa em desvincular o nome de García dos casos de suborno da Odebrecht para financiamento de campanhas eleitorais. Barata afirmou, em dois dias de declarações a procuradores peruanos, que US$ 200 milhões foram dados ao partido do ex-presidente, sendo que parte foi entregue em um local de campanha do Apra. Ontem, Reyna foi impedido de presenciar as declarações. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

AVIÃO DA FAB

Ministros do STF discutem prisão de sargento acusado de transportar cocaína

ECONOMIA

CNPE publica resolução sobre Novo Mercado de Gás

BRASIL

Acaba sem acordo audiência sobre indenização de R$ 40 mi a vítimas de Brumadinho

BRASIL

Organização que fraudava tributos federais é alvo de operação da PF

Mais Lidas