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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado/domingo: "Consumidores em alerta contra abusos"

Além de preocupar-se com os riscos da pandemia da Covid-19, os consumidores precisam estar atentos aos preços abusivos
11/04/2020 03:00 - Da Redação


Em tempos de pandemia e de calamidade pública do novo coronavírus, todo o cuidado ainda é pouco. Isso vale tanto para os riscos da doença quanto para fugir dos  preços abusivos em setores do comércio e da prestação de serviços. A exemplo do que acontece com o valor dos combustíveis – em que há redução nas refinarias, mas a queda acaba não aparecendo com a mesma rapidez nas bombas –, há também o preço do gás de cozinha, reduzido na origem, mas ainda distante dos pontos de revenda.

Infelizmente, em dias tais, sempre aparecem os oportunistas que tentam obter lucros maiores majorando sorrateiramente os preços dos seus produtos. Isso tem levado a Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor (Procon) a alertar consumidores para que não sejam vítimas fáceis de espertalhões e também a advertir comerciantes para os riscos de serem responsabilizados – até criminalmente – pelos abusos que vierem a cometer.

É preciso que os consumidores sejam fiscais dos próprios bolsos para não serem explorados. Se constatarem situações de abuso, denunciem aos organismos de fiscalização ou simplesmente não comprem. As relações comerciais são uma via de mão dupla. Assim como existe um lado que precisa comprar, há o outro que  precisa vender. E os abusadores só continuarão existindo se as vítimas continuarem caladas. Em outras palavras, cada um tem a opção de  procurar seus direitos sempre que se sentir prejudicado, principalmente agora, quando há preocupação com a possibilidade de uma disseminação maior do vírus e alguns fornecedores tentam tirar proveito disso.

No início da pandemia, estabelecimentos comerciais precisaram ser fiscalizados em uma ação contra prática de preços abusivos em equipamentos de proteção individual, como máscaras, luvas e álcool em gel. Os preços foram às alturas e as mercadorias chegaram a desaparecer das prateleiras de farmácias e supermercados. A partir do momento em que a demanda esfriou, os itens voltaram a aparecer. Hoje há álcool em gel sobrando. Máscaras? As de pano estão valendo, e muito. As descartáveis ficaram para trás, forçando uma gradual queda nos preços.

Nos supermercados, a mesma coisa. Não é necessário lotar os estabelecimentos. Não é preciso estocar alimentos. A correria tem duas consequências graves – a demora na reposição, que pode causar a falta para outro consumidor, e o aumento de preço acarretado pela busca incessante – é a lei do mercado: quanto mais vende, mais caro fica. No grande mercado está caro? É só comprar no pequeno, e vice-versa.

Aumentos repentinos nos preços não se justificam pela elevação dos custos dos produtos, mas pelo oportunismo inescrupuloso de poucos. Abusos só vão fazer com que o poder público se veja obrigado a intervir para coibi-los. Se for preciso, o governo será forçado a agir e limitar preços para bens essenciais ao enfrentamento da situação emergencial, regulando o aumento de custos em toda a cadeia de suprimentos e o ajuste natural entre oferta e demanda, sem exageros.  

O consumo de tudo nestes dias de calamidade pública tem de ser consciente, e a fixação de preços, responsável. É tempo de pensar coletivamente e não de oportunidade para lucros fáceis em cima da necessidade do outro.

Felpuda


Há quem diga que o horário eleitoral já começou. Isto porque lives estão pipocando nas redes sociais de pretensos candidatos, principalmente aqueles que querem cadeiras nas câmaras municipais. O mais interessante é que somente agora muitas dessas figurinhas estão descobrindo os problemas enfrentados pelos cidadãos dos mais diferentes setores. Até então, cuidavam apenas do “seu quadrado”. E só!