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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Pandemia ameaça salário de servidores"

Com a arrecadação em baixa, em razão da guerra contra a Covid-19, estados e municípios terão problemas para o seu funcionalismo
10/04/2020 03:00 - Da Redação


A pandemia do novo coronavírus tem produzido resultados amargos e tristes não apenas na saúde pública mundial, mas também na economia. Depois de terem sido forçados a escancarar os cofres para cobrir despesas do enfrentamento à doença, governantes – inclusive os municipais – agora têm pela frente outro desafio: arrumar dinheiro para pagar o funcionalismo. As folhas de março foram quitadas pela maioria dos entes, mas não se sabe qual será o rumo das folhas de abril, e a preocupação é buscar resposta de curto prazo para os problemas financeiros e fiscais.  

A esperança dos gestores está na aprovação do Plano Mansueto pela Câmara dos Deputados – o que já deveria ter ocorrido. Mas a votação do projeto, que é para socorro estados e municípios, acabou sendo adiada ontem, devendo ser realizada na próxima semana. O texto prevê suspensão de pagamento de dívidas com a União, auxílio emergencial para compensar a queda na arrecadação e novos limites de endividamento aos estados. A proposta está sendo discutida entre o relator e os líderes partidários. O aumento do endividamento é um dos pontos de crítica. Outros deputados pressionam pela ampliação do pacote de ajuda.

Em Mato Grosso do Sul, o governo projeta um rombo de R$ 1,4 bilhão na receita prevista para este ano por causa da desaceleração econômica do Estado causada pelas medidas de isolamento para conter o avanço do vírus. Prevendo perder o montante significativo, o governador Reinaldo Azambuja negocia empréstimo de R$ 1 bilhão com bancos internacionais. Mas, para isso, depende da aprovação da medida de socorro aos estados.  

Em Mato Grosso, nosso vizinho, a administração também está tentando amenizar a crise. Até esta sexta-feira, deve pagar os salários dos servidores na integralidade, mas já adiantou que no próximo mês poderá ser forçada a parcelar. Em Minas, o governador alertou que a arrecadação caiu bastante e os gastos, especialmente os direcionados para o combate ao coronavírus, aumentaram. Por isso, ainda não tem dinheiro em caixa para pagar salários.

Por causa de situações como essas, União, Câmara e Senado começam a trabalhar com propostas mais duras. O governo federal autorizou a redução e até mesmo a suspensão do contrato de trabalho no caso da iniciativa privada, por isso há os que defendem medidas semelhantes para o funcionalismo público. Existem propostas de redução, mas até agora ninguém teve coragem o suficiente para levá-las adiante. Outros sustentam uma ideia menos dura, que seria o congelamento dos vencimentos. Seja qual for a providência, todos devem pagar a conta da crise: tanto o serviço público quanto a iniciativa privada.

Felpuda


Sindicalista defende o fim de mordomias e privilégios dos políticos e dos integrantes de outros Poderes, conforme divulgação feita por sua assessoria. Para ele, está na hora de se colocar um basta nessa situação, questionando, inclusive, o número de parlamentares e de assessores. Entretanto, não demonstra a mesma aversão por aqueles dirigentes de sindicatos que se perpetuam no poder e que comandam mais de uma entidade, assim como ele. Afinal, o exemplo deve vir de casa, né?