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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "Socorro precisa de regras flexíveis"

O governo tem anunciado medidas de socorro à economia, mas a exigência rigorosa de garantias pode inviabilizar a ajuda às pequenas empresas
30/03/2020 03:00 - Da Redação


Apesar da divulgação por parte do governo federal de medidas para socorrer a economia nesse período de crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, alguns ajustes ainda precisam ser feitos para que essa ajuda chegue efetivamente às mãos de quem precisa. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo deve gastar até 5% do PIB neste ano em função do avanço da doença no País. Ele foi enfático ao afirmar que serão liberados todos os recursos necessários e que “não deixaremos faltar liquidez na economia”.

O volume da ação projetada inclui R$ 200 bilhões em recursos do depósito compulsório que foram liberados pelo Banco Central. Outros R$ 150 bi virão do BNDES e da Caixa Econômica Federal. Já a antecipação do 13º salário dos aposentados e pensionistas do INSS e diferimento do pagamento do Simples por micro e pequenos empresários representam mais R$ 150 bi. O auxílio de emergência aos 38 milhões de trabalhadores informais devem liberar R$ 50 bi. O governo ainda vai entrar com mais R$ 50 bi na complementação da folha de pagamento das empresas. Por fim há mencionada a liberação de R$ 88 bis em recursos para os governadores e também deve ser criado um programa para os municípios.  

Mas, há um forte risco disso tudo não chegar na ponta, até mesmo porque muitos bancos não estariam facilitando para que pequenos empresários tenham acesso ao socorro. As dificuldades já estariam sendo enfrentadas nas garantias exigidas pelas instituições bancárias para a concessão de tais linhas de créditos. O próprio presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, chegou a afirmar, logo após ter participado do lançamento das medidas, na última semana, que mesmo com a crise econômica causada pela pandemia, a instituição não oferecerá empréstimos sem garantias. “Não faremos o que foi feito há 10 anos, quando a Caixa precisou de injeção de R$ 40 bilhões do Tesouro Nacional. Vamos ajudar a população e as empresas, mas sem comprometer a Caixa”, chegou a dizer.  

Qual deve ser o tamanho do rigor de tais garantias, em momento em que pequenos empresários atingidos pelo isolamento social são   afetados em suas receitas. O problema foi reconhecido pelo ministro Paulo Guedes, no último sábado, quando argumentou que espera divisão de risco com os bancos. Ou seja, se os bancos não flexibilizarem também as suas regras, entendendo de fato que a economia não está vivendo dias normais, mas sim de uma crise de grandes proporções, o propalado socorro não passará de uma medida sem eficácia.

Felpuda


Outrora afinadíssimo com o presidente Jair Bolsonaro, parlamentar sul-mato-grossense começou a ser escanteado em consequência de uma das crises políticas de grande repercussão. A figura entrou em campo e botou falação sobre o que estava ocorrendo, e isso soou que só como crítica pesada ao governo, que, como não poderia deixar de ser, não gostou nadica de nada. Há quem diga que o dito-cujo é muito levado “pelo sangue”. Então, tá!...