Artigos e Opinião

OPINIÃO

"Reforma administrativa: necessária, mas não se muda regras no meio do jogo"

Deputado federal

Continue lendo...

Uma das agendas mais importantes no Congresso Nacional é a reforma administrativa. Construir um marco de mudanças do Estado brasileiro é uma prioridade dos Parlamentares, uma exigência da sociedade e parece contar com o apoio do Governo Federal. Fazer com que o Estado brasileiro funcione melhor, oferte serviços públicos de qualidade, tenha capacidade de investimentos estruturantes, promova equilíbrios com a esfera privada e não distorções e construa parcerias profícuas com o empresariado é fundamental para atingirmos outro patamar de desenvolvimento.

O Governo Federal tenta construir sua proposta harmonizando as diversas contribuições dentro do seu ministério. O Parlamento, o poder mais democrático de nossa República é certamente a casa apropriada para debater a proposta, melhorá-la e contemplar os plurais segmentos da sociedade. Neste contexto, faz-se fundamental já se posicionar contrário a qualquer iniciativa que visa modificar a vida profissional dos atuais funcionários públicos, mas sim estabelecer regras claras e inovadoras, com racionalidade, inspirada também no que acontece no meio privado para futuros servidores públicos.

A iniciativa privada nos ensina a importância da produtividade e do rendimento para ascensão na carreira. O difícil concurso pelo qual estudiosos homens e mulheres ingressam no serviço público nivela esses capacitados profissionais. O certame possibilita a ascensão na carreira por uma verdadeira e justa meritocracia em igualdade de condições. Garantidas as condições necessárias para um bom rendimento, o Estado tem o dever de cobrar resultados, eficiência e entrega. É o que espera o cidadão brasileiro.

Reformar o Estado brasileiro não significa acabar com ele. Não se muda as regras no meio do jogo e não se pode demonizar o nosso valente funcionalismo público como se fossem parasitas. Os médicos, enfermeiros, professores, policiais, bombeiros, técnicos administrativos, analistas, advogados, técnicos de enfermagem e outros tantos profissionais, na maioria das vezes, enfrentam condições de trabalho muito difíceis para atender os brasileiros que mais precisam.

A burocracia estatal necessita de uma reforma para colocar em patamar de igualdade seu tamanho e sua eficiência, mas burocracia não é palavrão, como pregam alguns. Excesso de burocracia sim. A burocracia organiza os processos, sistematiza as ações e dá segurança jurídica e previsibilidade. O excesso de burocracia é a porta de entrada da corrupção, mas a sua inexistência também.

Aproximar e fazer parcerias com a iniciativa privada é um dos alicerces de uma discussão sobre reforma administrativa, mas não é o único. Fazer parcerias em áreas onde o conhecimento e a experiência empresarial comprovadamente darão um ganho de qualidade no setor público é o melhor caminho.  Mas, naquilo que o Estado brasileiro faz, que é apenas vítima de preconceito ideológico, é melhor implementarmos outras reformas. A única metodologia que poder sanar os pontos enumerados aqui é o diálogo plural e democrático e o Parlamento brasileiro, assim como fez na reforma da Previdência, está amplamente preparado para este desafio.

EDITORIAL

Trânsito: mudanças para o coletivo

Medidas da Agetran geram, em um primeiro momento, muita resistência, mas buscam melhorar a fluidez e acompanhar o crescimento de Campo Grande

25/04/2026 07h00

Continue Lendo...

As alterações recentes promovidas pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) em Campo Grande têm provocado reações negativas por parte de parcela significativa da população. A insatisfação, em muitos casos, é compreensível do ponto de vista individual, especialmente quando mudanças afetam rotinas consolidadas.

No entanto, antes de críticas precipitadas, é necessário compreender as razões que motivam essas intervenções.

Campo Grande não é mais a mesma cidade de anos atrás. O crescimento populacional e o aumento da frota de veículos impuseram novos desafios à mobilidade urbana. Em vias de grande circulação, como a Avenida Afonso Pena, tornou-se inviável manter a lógica de tráfego de um período em que o fluxo era muito menor.

Medidas como a proibição de conversões à direita em determinados cruzamentos – a exemplo do encontro com a Rua Bahia – são respostas técnicas a essa nova realidade.

Ainda que causem desconforto inicial, essas mudanças buscam melhorar a fluidez do trânsito em corredores estratégicos. Ao restringir movimentos que geram retenções e conflitos entre veículos, a tendência é de reduzir congestionamentos e tornar o deslocamento mais eficiente no conjunto da via.

Trata-se de uma lógica amplamente adotada em centros urbanos maiores, onde a organização do tráfego exige decisões que priorizem o coletivo.

É nesse ponto que surge o principal desafio: a diferença entre o interesse individual e o benefício coletivo.

Para o motorista que precisa alterar seu trajeto ou percorrer alguns metros a mais, a medida pode parecer inconveniente. No entanto, quando analisada sob a ótica da mobilidade urbana como um todo, a intervenção tende a trazer ganhos mais amplos, beneficiando um número maior de pessoas.

Cabe também ao condutor assumir seu papel nesse processo. Dirigir em uma cidade que se aproxima de 1 milhão de habitantes exige mais do que conhecimento básico das leis de trânsito. É preciso atenção às mudanças, planejamento de rotas e disposição para se adaptar a uma dinâmica urbana em constante transformação.

Como toda mudança, há um período de adaptação. É natural que, no início, prevaleça a resistência. Contudo, a experiência mostra que, com o tempo, novas regras são assimiladas e passam a fazer parte da rotina.

A expectativa é de que, no futuro, essas intervenções sejam compreendidas não como obstáculos, mas como instrumentos para um trânsito mais organizado e eficiente.

Mais do que agradar individualmente, a gestão do trânsito deve buscar soluções que atendam ao interesse coletivo. E, nesse sentido, ainda que impopulares no curto prazo, as mudanças podem representar um passo necessário para acompanhar o crescimento da cidade.

Artigo

Como o excesso de informações impacta a relação com a dor?

Nem tudo que é visto ou ouvido se aplica à realidade individual

24/04/2026 07h45

Continue Lendo...

Em um cenário em que todos opinam sobre saúde, as redes sociais se tornaram uma fonte constante de informação e também de distorção. O excesso de conteúdo, muitas vezes sem contexto ou embasamento, tem contribuído para um fenômeno crescente: o aumento do medo relacionado à dor.

Muitos pacientes chegam aos consultórios já carregando crenças formadas a partir de relatos vistos on-line. Experiências individuais são frequentemente apresentadas como verdades absolutas: “minha dor piorou ao subir escadas”, “me machuquei ao treinar”, “parei e melhorei” ou até afirmações alarmistas como “correr faz o osso bater com o osso”. O problema é que cada corpo responde de forma única. O que acontece com um não define o que acontecerá com outro.

A exposição excessiva a conteúdos alarmistas ativa mecanismos de alerta no cérebro. A pessoa passa a observar mais o próprio corpo, interpretar sensações com preocupação e evitar movimentos por medo. Forma-se um ciclo conhecido: medo gera tensão, tensão gera rigidez, a rigidez aumenta a dor, e a dor reforça o medo.

Além disso, a repetição dessas mensagens amplia o alcance do problema. Uma experiência pessoal compartilhada sem contexto pode gerar pânico coletivo, especialmente em quem já está fragilizado. A dor deixa de ser apenas física e passa a ser influenciada pela expectativa negativa.

Informação é essencial, mas precisa de critério. Nem tudo que é visto ou ouvido se aplica à realidade individual. Buscar orientação qualificada, reduzir o consumo de conteúdos alarmistas e compreender que o corpo é adaptável são passos fundamentais para quebrar esse ciclo.

Em tempos de excesso de informação, proteger a mente tornou-se também uma forma de tratar a dor.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).