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COLUNA PONTO DE VISTA

Sem bancada e com peculiar informalidade, Maria Júlia Coutinho estreia como âncora do Jornal Hoje

Sem bancada e com peculiar informalidade, Maria Júlia Coutinho estreia como âncora do Jornal Hoje
04/10/2019 12:00 - GERALDO BESSA/TV Press


 

De tempos em tempos, uma “dança das cadeiras” acaba remexendo as estruturas do jornalismo da Globo. Nos últimos anos, “Fantástico”, “Jornal Nacional” e “Jornal da Globo” passaram por grandes mudanças a partir da substituição de seus apresentadores titulares. Enquanto isso, o “Jornal Hoje” seguia leve e forte sob o comando de Sandra Annenberg e Evaristo Costa. Em 2017, alegando que precisava de férias e estava infeliz na bancada, Evaristo “pulou do barco”. Depois de alguns meses solo, Sandra ganhou a companhia de Dony De Nuccio, um nome de destaque da GloboNews que acabou sendo aproveitado pela Globo por conta de seu bom desempenho no canal pago. Entretanto, a saída de Dony foi ainda mais estranha que a de Evaristo: ele foi forçado a pedir demissão depois de reconhecer que quebrou o código de ética da emissora ao manter um contrato de produção de apresentação de vídeos para um banco privado. Por fim, com o anúncio de aposentadoria de Sérgio Chapelin do “Globo Repórter”, a Globo resolveu mexer de verdade no “Jornal Hoje”. Transferiu Sandra para o posto de Chapelin e promoveu Maria Júlia Coutinho a apresentadora, que finalmente encontrou um lugar de destaque na grade da Globo.

A entrada da jornalista no “Jornal Hoje” aconteceu de forma natural. É comum que a Globo olhe para o próprio “casting” em substituições de maior importância. Foi dessa forma que Poliana Abritta assumiu o “Fantástico” e, sobretudo, Renata Lo Prete acabou como âncora do “Jornal da Globo”. Há tempos que a emissora vem “testando” o apelo popular de Maria Julia, que estreou na casa em 2007, mas chamou atenção mesmo como “garota do tempo” dos mais diversos telejornais da grade. Recentemente, ela foi promovida ao time de apresentadores eventuais do “Jornal Hoje”, “Fantástico” e “Jornal Nacional”, onde tornou-se a primeira negra a apresentar o principal jornal da emissora. Maju, como normalmente é chamada, tem um estilo de noticiar muito próximo do jeito informal que a Globo vem adotando ao longo dos últimos anos. De forma elegante, ela consegue inserir humor quando é apropriado e não força qualquer sisudez quanto tem de dizer algo realmente sério. É uma naturalidade bem-vinda em tempos em que nomes como William Bonner e Ana Paula Araújo “forçam a barra” para soar menos formais e agressivos.

A presença de Maju no “Jornal Hoje” não agrega nenhuma alteração tão brusca. Até porque, a produção mantém seu estilo mais tranquilo e charmoso, que combina com o horário de exibição, logo após o almoço. Com cenário mais integrado à redação da Globo em São Paulo, o telejornal perdeu sua bancada tradicional e agora conta com mesa e banco, onde o telão lateral é que está em destaque. O clima mais descontraído está também nos figurinos usados pela jornalista, com decotes e cores mais chamativas, algo impensável no jornalismo da Globo dos anos 1990, por exemplo. Ganhando em diversidade e promovendo uma jornalista em ascensão, a Globo mantém o “Jornal Hoje” no caminho da leveza e das informações digestivas.

Felpuda


Certa pré-candidatura à Prefeitura de Campo Grande nasceu com grandes brechas que certamente serão usadas pelos adversários no período da campanha eleitoral, segundo voz corrente nos bastidores políticos. Uma delas: como o postulante vai dizer que fará boa administração se no período em que administrou conhecida instituição passou boa parte do tempo reclamando de crise financeira e ameaçando fechar as portas?