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Saúde: refluxo requer tratamento e alimentação personalizada

29 JUN 16 - 16h:30EDUARDO FREGATTO

Azia, sensação de queimação, regurgitação, dor ao engolir, tosse noturna crônica e dores no tórax são sintomas que precisam ser levados a sério. Muitas pessoas acreditam que o desconforto não passa de uma simples má digestão; porém, o diagnóstico pode ser a doença do refluxo gastroesofágico – mal que acomete cerca de 35 milhões de brasileiros e atinge tanto crianças quanto adultos.

“Achar que a azia e a má digestão são a mesma coisa é um equívoco comum”, afirma a gastroenterologista Ana Santoro, especialista em assuntos médicos da indústria farmacêutica GSK. De acordo com a médica, a azia ocorre quando o ácido gástrico, composto químico que auxilia o processo digestivo e é produzido por nosso próprio organismo, rompe o anel muscular que separa o esôfago do estômago, provocando dor e queimação. 
Já a má digestão pode ser causada pela quantidade de alimento no estômago, pela própria digestão e mistura desse alimento, ou até pela aerofagia, que é a deglutição de ar durante o ato de comer e beber. 
Quem convive com refluxo precisa fazer mudanças na rotina alimentar e no estilo de vida, a fim de evitar o desconforto e impedir o agravamento da doença.

RELATOS

A acadêmica de Biologia Sara Sguissardi, 24 anos, foi diagnosticada com doença do refluxo há dois anos. Ela procurou um médico, pois sentia muita queimação, dores para engolir e sensação de desconforto após as refeições.

“Minha mãe e minha avó também têm refluxo, então, desconfiei do diagnóstico”, relata. Ela procurou um especialista, realizou exames e confirmou sua suspeita. Desde então, precisou adotar várias mudanças em seus hábitos alimentares.

“Eu diminuí bastante a quantidade de comida ingerida, passei a tomar menos café, comer menos comida gordurosa”, explica. “Alguns alimentos eu já sei que vão me fazer mal; então, evito, como pepino.”

Além disso, há um ano e meio, a estudante resolveu aderir à dieta vegetariana, o que melhorou bastante sua condição. “Antes, se eu comia um bife ou hambúrguer, já sabia que passaria mal o dia inteiro”, conta.

Bebidas alcoólicas também causam crises de refluxo. A psicóloga Jessica Ramos, 26, teve os primeiros sintomas sempre que ingeria álcool em festas e confraternizações. “No dia seguinte, eu não conseguia me alimentar direito. Sentia muito enjoo”, relata.

Após as crises seguidas, Jessica decidiu alterar a alimentação. Reduziu a ingestão de bebidas alcoólicas e de alimentos ácidos, como derivados de laranja e limão. Também passou a comer mais saladas e comidas simples, sem muitos temperos.

TRATAMENTO

A nutricionista Mariana Corradi, de Campo Grande, alerta que os pacientes diagnosticados com a doença do refluxo devem seguir tratamento medicamentoso, prescrito por um médico, além de alterar a alimentação. É recomendado que a pessoa procure um nutricionista para criar um cardápio personalizado. A duração do tratamento medicamentoso é extremamente variável. Como os sintomas tendem a se tornar crônicos, o uso prolongado é indicado em parte significante dos casos.

É comum que os pacientes recorram aos antiácidos, disponíveis em farmácias e sem necessidade de prescrição médica, para aliviar os sintomas. Geralmente, são vendidos em pó, para serem diluídos em água, e prometem alívio em poucos segundos. De acordo com Mariana, a medida é recomendada para reduzir a dor. Além do antiácido, que neutraliza a acidez do estômago, também podem ser ingeridos os procinéticos, que aceleram o trânsito intestinal, diminuindo o tempo que o alimento fica no estômago, ou o protetor gástrico, que forma uma camada protetora no esôfago, impedindo a agressão causada pelo ácido do estômago.

Em todo caso, estes medicamentos apenas tratam dos sintomas, mas não agem contra a doença. É preciso seguir o tratamento adequado, prescrito por médico. Caso a doença do refluxo não seja tratada corretamente, há risco de evoluir para uma esofagite.

SEM CURA MÁGICA

A gastroenterologista Ana Santoro reforça que o consumo de alimentos gordurosos e condimentados, a ingestão de álcool, o ato de fumar e o estresse podem piorar os quadros de refluxo. Sara conta que, em semanas de prova de faculdade, quando está estressada e mal-humorada, seus sintomas pioram. Quem convive com a doença do refluxo sabe que não existe cura mágica, por isso a importância de seguir o tratamento correto e melhorar a qualidade da alimentação. 

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