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COMPORTAMENTO

Roberta D'Albuquerque: "Será que a gente deveria se acostumar com o erro?"

Roberta D'Albuquerque: "Será que a gente deveria se acostumar com o erro?"
02/12/2019 19:30 - ROBERTA D'ALBUQUERQUE


 

Eu sei que já é dezembro e que horário de verão – chega dói repetir, mas vamos lá – que horário de verão está suspenso. Teria começado há um mês. Eu já devia estar acostumada. É que já não dá para correr à noite, dia ainda claro. Nada de acordar cedinho com o tempo ainda fresco. Deixar o domingo terminar depois, ainda que já tenha terminado. Sem ainda esse ano, eu sei. Já entendi.

Quem não entendeu – de novo, olha lá – ainda, foi a agenda do meu telefone. Veja bem, nunca funcionei com agenda de papel. Ano após ano, comprei a que me parecia mais linda e possível de pôr em uso. Janeiro até que ia, fevereiro já dava aquela espaçada, de março em diante desandava. Até que eu descobri a agenda do Google, e dela me tornei dependente absoluta. Todos – eu disse todos – os meus compromissos estão anotados na agenda do Google. E funciona o negócio. Eu trabalho em consultório, minha agenda está conectada a agenda do site, onde os novos analisandos marcam suas entrevistas. Eu marco daqui e eles marcam de lá. Dá certo até, como um relógio suíço. Dava, não estamos na Suíça, certo? Eu já devia estar acostumada. Até porque nunca estive na Suíça.

Aqui as coisas se planejam e desplanejam em uma andadinha do ponteiro de segundos. Pois bem, o horário de verão inexistente desajustou a minha agenda Google. Eu marco alguém às 10 horas e o quadradinho da agenda se pinta de azul no espaço das 11h. Uma outra pessoa entra no site, vê o quadradinho das 10h branquinho, branquinho, vai lá e... azul nele. Aí é preciso ligar, explicar esse texto gigante – com direito as caminhadas à noite com o dia ainda claro, as manhãs fresquinhas e bla bla bla – para um desconhecido, que só queria agendar um horário automaticamente sem precisar falar com ninguém.

E tem mais: ao problema, falta constância. A coisa toda desajustou no começo de novembro e, em uma semana, voltou a funcionar normalmente. Sem aviso, alguns dias depois, esculhambou de novo. E agora deu para escolher onde desanda. Uns compromissos seguem certos, outros flutuam de um horário para o outro. E desde quando desordem obedece regra? Eu já devia estar acostumada.

Desmarca a atualização automática do fuso, eles disseram. Aí já viu, né? Cada um anda para um lado. O cara das 10h, que estava marcado para às 11h, pulou pra meio dia, o novo que tinha marcado no mesmo buraquinho das 10h fugiu para as 9h. E eu não sei que horas esse povo vem. A menina que passou os últimos dois anos vindo às 7h (ou às 8h – jamais saberei) está azul lá pelas 6h da manhã. Só que ela também usa agenda google, entendeu? Não tem mais hora certa para café da manhã, almoço, nem jantar. E o intervalo? Que intervalo, rapaz? Tem 3 pessoas se apertando no quadradinho das 4h da tarde. Não sei que horas vou acordar amanhã – embora saiba que já estará quente, provavelmente – que horas estarei de volta em casa. Correr? Tá louco? Já estou morta de agora, fora que estará escuro, claro! Acostumo não, minha gente. Tá tudo errado. Não é para acostumar.

Felpuda


Paixão política que extrapola o bom senso, chega nas redes sociais e se transforma em baixaria pode resultar em prejuízo no bolso. Isso foi o que aconteceu com autor de texto nada elogioso contra colega por diferenças em apoio a candidatos nas eleições de 2016. O dito-cujo foi condenado a pagar indenização de R$ 7 mil, com correção monetária e juros mensais a partir da publicação da sentença, além dos honorários advocatícios. Detalhe: os adversários daquela época hoje andam de braços dados. Pode?