CARNAVAL

Para superar desânimo do ano passado, liga agita Corumbá a um mês do Carnaval

Após problemas e desinteresse em 2019, liga promove pré-carnavais para animar festa em Corumbá
22/01/2020 07:00 - SILVIO ANDRADE


 

A queda de público e a pouca animação nas arquibancadas acendeu o alerta no maior Carnaval de rua de Mato Grosso do Sul. As escolas de samba se distanciaram de suas comunidades e a programação dos desfiles, a cargo da prefeitura de Corumbá, tem sido marcada por atrasos na saída dos blocos. A proposta de valorizar os antigos carnavais na última noite também não motiva o corumbaense e os poucos turistas que ainda estão na cidade.

O afastamento da população local dos desfiles ficou latente no ano passado, quando observou-se uma certa apatia nas arquibancadas – onde a rivalidade entre as escolas de samba se manifestava com o público cantando seus sambas-enredos. O evento vem se tornando cansativo e monótono quando se espera por cinco horas a descida do Bloco Cibalena, que atrai mais de 30 mil foliões. E nesse intervalo, o som do palco principal toca ritmos sertanejos.

O desinteresse momentâneo do corumbaense, amante do samba, e as falhas na programação oficial, no entanto, opõe-se à evolução das escolas de samba – dos barracões à passarela. E são estas entidades que buscam sacudir a cidade para restaurar a alegria do povo, promovendo aos domingos o Esquenta Corumbá, no porto-geral. A iniciativa é da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesco), com o apoio da prefeitura.

“É preciso fomentar a participação da cidade, que se distanciou”, afirma o presidente da Liesco, carnavalesco Zezinho Martinez. Ele cobra das escolas de samba um maior envolvimento de suas comunidades e considera o Esquenta um recomeço. “Eventos motivadores como esse serão essenciais para o sucesso do Carnaval, trazendo a alegria ao povo, em especial a classe baixa, que faz o Carnaval e está desmotivada por várias razões, uma delas a falta de grana”.

A Liesco decidiu realizar dois ensaios técnicos – antes era apenas num –, em que a organização do Carnaval afere o sistema digitalizado de som e as escolas de samba marcam o compasso de seus desfiles. O evento, realizado na Avenida General Rondon – circuito do Carnaval de rua – será usado como um chamariz, conclamando o corumbaense para entrar no clima. A prefeitura também está promovendo roda de samba no porto-geral, aos sábados.

“Estas ações serão fundamentais para melhorar o humor do povo, que está reclamando da crise financeira e precisa ser motivado para voltar ao samba e fazer parte do espetáculo, que é o nosso desfile das escolas de samba”, aponta Martinez, há dez anos à frente da Liesco. “A alegria do corumbaense pelo Carnaval é quando ele pega a fantasia de sua escola de coração e a melhora, pregando mais um paetê. Precisamos dessa alegria para elevar o nosso desfile”.

SEM APOIO
O Carnaval de rua de Corumbá, considerado o mais animado do interior do Brasil, é sustentado quase que 100% pelo poder público. Este ano, a prefeitura local liberou, em três parcelas, R$ 660 mil para as nove escolas de samba, dinheiro usado na confecção de fantasias e carros alegóricos. O governo do Estado libera, até o fim de janeiro, mais R$ 300 mil, além de R$ 99 mil para os 14 blocos oficiais e mais recursos para a infraestrutura do sambódromo.

“Continuamos esperando o apoio do empresariado, que só usufruía do nosso Carnaval e do investimento público, com a lotação da rede hoteleira e movimento da economia da cidade”, cobra Zezinho Martinez, da Liesco.

“Temos grandes empresas, inclusive nacionais, que poderiam adotar as escolas de samba. Isso seria extremamente positivo, elevaria nosso nível técnico e o espetáculo, atraindo mais turistas. Todos ganhariam, com certeza”.

O desfile das escolas de samba será realizado nos dias 23 (domingo) e 24 (segunda-feira) de fevereiro. No primeiro dia, saem na avenida, pela ordem, Unidos da Major Gama, Nova Corumbá, Acadêmicos do Pantanal e Unidos da Vila Mamona; no segundo dia, Imperatriz Corumbaense, Marquês de Sapucaí, A Pesada (campeã em 2019), Estação Primeira do Pantanal e Império do Morro. A programação oficial do Carnaval ainda não foi divulgada.

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Felpuda


Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".