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ENTREVISTA

Na reta final de “Verão 90”, Alexandre Borges destaca importância de trama leve para o público

11 JUL 19 - 16h:58LUANA BORGES/TV Press

Integrar o elenco de “Verão 90” faz Alexandre Borges voltar no tempo. Foi na década que ambienta a novela escrita por Izabel de Oliveira e Paula Amaral que o ator viveu uma das melhores fases de sua vida. Depois de ter a experiência de morar por um tempo em Portugal, voltou para o Brasil e viu sua carreira deslanchar. Começou a fazer cinema, teatro e televisão e não parou mais. “Tenho saudade dos anos 90. Vivi coisas maravilhosas”, lembra. Por isso, tem um gosto especial interpretar o Quinzão na trama das sete, que chega em sua reta final.

Diante do atual contexto político e econômico de instabilidade no Brasil, Alexandre é categórico e lamenta a difícil situação enfrentada por boa parte da população. “A gente fica muito triste com a quantidade de desempregados no Brasil, com a quantidade de crimes”, enumera. Mas, por isso mesmo, o ator acredita no papel de entreter que uma novela leve como “Verão 90” pode ter. E mais do que isso: resgatar sentimentos que ficaram para trás diante de tantos avanços tecnológicos. “Esse trabalho traz um respiro e estabelece uma conexão com o passado. Hoje em dia, a gente tem a necessidade de sempre saber de tudo e isso gera uma ansiedade”, compara.

P – Ao longo dos meses de “Verão 90”, quais foram os comentários que você mais escutou?

R – O que eu mais escuto na rua é que a novela é leve, divertida, com atores diferentes, personagens que misturam drama e comédia. Eu sinto que é uma novela que a família vê, que a criança assiste com a mãe e com o pai. Eu vi muito que crianças dançam quando a abertura da novela toca. São essas coisas que alegram a gente e sentir que o público está se divertindo.

P – De umas semanas para cá, Quinzão engatou um romance com Lidiane, de Claudia Raia. Em sua opinião, o que aproximou os dois personagens na trama?

R – Eu acho que foi esse poder feminino do encantamento. A Lidiane usa isso de uma forma livre e empoderada. Ela é dona de si, mas sem perder o lado da sensualidade. E é isso que deixa o homem perdido.

P – Aliás, tipos sedutores permeiam a sua trajetória na tevê com frequência. A que você credita isso?

R – Às vezes, dizem que faço personagens conquistadores, mas eu não acho. Acho que, às vezes, faço personagens como o Quinzão, que se perdem na frente de uma mulher e essa coisa da sexualidade e sensualidade vem porque não tem controle.

P – Você ainda é bastante rotulado como galã. Como lida com isso?

R – Com certeza, o ator lida com a imagem. E imagem hoje, como em qualquer profissão, é muito valorizada. Isso para o bem e para o mal. Mas é um movimento interior meu, de ainda, com 53 anos, cuidar de mim, ter uma alimentação saudável, mexer o corpo, ir para a academia, caminhar e isso ajuda muito.

P – O que fez você aceitar participar de “Verão 90”?

R – Eu entrei nessa novela em um convite muito feliz do Jorge Fernando. Ele é o diretor com quem eu fiz a minha primeira novela na Globo, há 25 anos. Trabalhamos em “Ti-Ti-Ti”, “As Filhas da Mãe” e tenho um carinho muito grande por ele. Fiquei muito feliz com a sua recuperação. A gente torceu muito e a novela fez esse grande sucesso.

P – Jorge Fernando construiu boa parte de sua trajetória a partir de trabalhos em comédia. Como a experiência dele no gênero ajuda você a interpretar um personagem engraçado com Quinzão?

R – A gente tem essa oportunidade como ator, de tentar reproduzir essa criatividade do Jorge. Em alguns momentos, a gente consegue, em outros, não. Mas comédia é isso, é um salto sem rede. É uma entrega que você não tem de ter medo, você tem de fazer se apoiando no texto e na direção. Eu saio da novela melhor do que eu entrei como ator.

P – Esta é a primeira vez que você contracena com Totia Meirelles, que vive Mercedes, ex-mulher do seu personagem. Como foi essa parceria?

R – Maravilhosa! Eu nunca tinha trabalhado com a Totia, mas éramos colegas e eu admirava o trabalho dela. Então, teve muito frescor porque, como a gente nunca tinha trabalhado junto, teve essa coisa de ir conhecendo a pessoa com o personagem. A convivência do elenco em uma novela ajuda muito na trama porque você vai criando uma intimidade.

P – E o reencontro com Claudia Raia também tem rendido ótimas cenas em “Verão 90” ...

R – Cláudia é um furacão. É uma mulher com muita garra, muito profissionalismo e louca como eu também em cena. A gente tem isso um pouco. E eu tento acompanhar as palhaçadas, no bom sentido, que ela faz em cena. Porque comédia é isso, tem o improviso. E foi muito bacana porque a última vez que eu tinha trabalhado com ela foi em “Ti-Ti-Ti”. Cláudia representa, para mim, uma grande estrela com quem tive a oportunidade de trabalhar no meu começo aqui na Globo.

Beleza natural
Alexandre Borges pode até minimizar. Mas a fama de galã o acompanha desde sempre. Talvez os cuidados que o ator mantém com beleza e saúde até contribuam para essa constante escalação. “Faço aquela caminhadinha, se possível diariamente, por 40, 50 minutos, abdominais, flexões, limpeza de pele e uso uns creminhos”, confessa.

Mas ele lembra que não é sempre que o personagem pede uma boa aparência. Ao longo de sua carreira, Alexandre já precisou abrir mão da vaidade em prol de um papel. “Já precisei engordar porque fazia parte do trabalho. Mas, em ‘Verão 90’, para de repente fazer alguma cena sem camisa, tive de entrar na dieta”, conta.

Tijolo por tijolo
Quando olha para trás, Alexandre Borges sente orgulho não só da trajetória profissional que construiu, mas também dos amigos que fez ao longo de 26 anos de carreira na tevê. Entre eles, está Juliana Paes, que contracenou com o ator em sua estreia na tevê, em “Mulheres Apaixonadas”. Até hoje, Alexandre lembra dos momentos que dividiram nos bastidores da novela de Manoel Carlos. “Desde o primeiro momento que eu a conheci, ela foi uma menina encantadora, batalhadora e entregue. E peguei muito na mão dela, falei para a gente bater o texto”, lembra.

Hoje, quando vê a antiga parceira de cena protagonizando novelas, Alexandre fica feliz por, de alguma forma, ter contribuído para a construção de seu caminho. “Naquela época, a personagem dela estava crescendo e foi um momento gostoso. Ela me ajudou e eu a ajudei, independentemente de ter sido o primeiro trabalho da Juliana”, conta.

Instantâneas

# O primeiro trabalho de Alexandre Borges na televisão foi em “Guerra Sem Fim”, novela exibida pela extinta Manchete em 1993.

# Sua estreia, aliás, já foi como protagonista da novela.

# A primeira experiência na Globo foi na minissérie “Incidente em Antares”, exibida em 1994.

# Claudia Raia, sua amiga, e Júlia Lemmertz, sua ex-mulher, são as atrizes com que ele mais contracenou.

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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