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FILMES MARGINAIS

Mostra nacional de filmes será realizada em Campo Grande com entrada gratuita

Evento busca refletir sobre o racismo e os desafios sociais no Brasil

15 JAN 20 - 07h:00NAIANE MESQUITA

Ao escolher os locais que receberiam uma parte da 3ª Mostra do Filme Marginal em Campo Grande, o coordenador do evento nacional, Uilton Oliveira, buscou um público que dialogasse com as produções. 

A mostra será realizada nos dias 16 e 17 deste mês e em locais diferentes. No primeiro dia, ela ocorre na Central de Economia Solidária, onde serão exibidos os filmes “Lama: O Crime Vale no Brasil.  A Tragédia de Brumadinho”, “Um Breve Relato”, documentário que reflete sobre a guerra de classes, e “El Pueblo que Falta”, que mostra a violência na América Latina ao longo dos anos. 

Já no dia 17, a mostra itinerante se muda para a Comunidade Quilombola Tia Eva. No local serão exibidos os filmes “João”, “A Fé”, “Dos Filhos Deste Solo És Mãe”, “Coroação”, “A Pedra” e “Por Gerações”,  todos relacionados sobre a história, a cultura e a ancestralidade do povo negro. O último, inclusive, mostra o legado religioso e cultural deixado por Iyá Nitinha. No aspecto cultural, Iyá Nitinha foi a idealizadora da Orquestra de Atabaques Alabe FunFun, patrimônio cultural que mostra a força do atabaque em nossa cultura. Iyá fincou em Miguel Couto, Baixada Fluminense, um pedaço de raiz do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, tradição viva há mais de 150 anos.

Outro destaque é a exibição do documentário “Nosso Sagrado”, que investiga a perseguição e o racismo religioso contra o candomblé e a umbanda.

“Nós vamos levar para Campo Grande um pequeno panorama da terceira edição da mostra que foi realizada em 2019 no Rio de Janeiro, em Paris, Belo Horizonte e Salvador. Foram 118 filmes selecionados para essa mostra. A escolha dos filmes e da programação foi de acordo com os locais em que eles seriam exibidos”, explica Oliveira.

Na comunidade quilombola, o racismo será o tema principal. “Nós escolhemos produções que têm a temática do racismo, do preconceito religioso e da educação, por entender que as pessoas que vão frequentar a mostra têm familiaridade com o tema, sofreram com o tema. São filmes que vão dialogar de fato com a comunidade quilombola”, acredita.  

Itinerante

De acordo com Oliveira, a mostra foi construída para ser itinerante e tem cumprido o seu papel. “Ela tem essa proposta de estar circulando em diversas cidades. Nossa curadoria é militante, temos essa exigência e preocupação com o conteúdo dos filmes. Produções que manifestem conteúdos de racismo, homofobia, machismo e feminicídio não são aceitas, porque não vamos propagar esse tipo de filme”, explica Oliveira. 

Segundo o coordenador, os personagens dos filmes são marginalizados por alguma razão. “Antes os personagens trans, negros eram incluídos nas produções, mas a narrativa era muito ruim e não eram os negros que faziam os seus personagens, eles eram incluídos em situações ruins. Agora essas pessoas contam a sua própria história”, acredita. 

Serviço – A mostra ocorre no dia 16, na Central de Economia Solidária, na Rua Marechal Rondon, 1.500, Centro. No dia 17,ela segue para a Comunidade Quilombola  Tia Eva, na Rua Eva Maria de Jesus, s/n, Jardim Seminário. As exibições são gratuitas. 

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