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NOVELA

Jeito diferente

Perto do fim, “Jezabel” mostra que uma parte da teledramaturgia da Record funciona
07/08/2019 14:02 - GERALDO BESSA/TV Press


 

A Record testou um novo esquema de produção com “Jezabel”. Mais curta e realizada em parceria com a Formata, a ideia da emissora era sair das longas novelas que marcam sua teledramaturgia épica e ainda deslocar do Rio de Janeiro a base de trabalho de suas tramas. Gravada entre o interior de São Paulo e o deserto do Marrocos, a produção fecha sua história em torno de 80 capítulos cumprindo as promessas que fez. Diferentemente de outros títulos da emissora, que começam recheados de cenas grandiloquentes e, aos poucos, se resumem a sequências dentro de estúdios e efeitos especiais toscos, a história da ambiciosa princesa fenícia interpretada por Lidi Lisboa foi grandiosa do início ao fim. Boa parte desse mérito é fruto do poder de organização de Alexandre Avancini, melhor diretor da emissora e responsável por títulos como “José do Egito” e “Os Dez Mandamentos”. O grande problema da trama, entretanto, foi a simplicidade da própria história.

Se o maior chamariz das produções bíblicas é o desenvolvimento de histórias baseadas em cenas fortes, como a abertura do Mar Vermelho ou a queda dos muros de Jericó, faltou a “Jezabel” uma cena que fizesse a diferença em meio às parábolas mais banais. Expandir as conexões com outras produtoras além do tradicional acordo com a Casablanca foi um movimento importante para a Record. Com sérios problemas na finalização e acabamento das novelas, a Casablanca parece perdida no tempo mesmo utilizando equipamentos de ponta. Com isso, a Formata ajudou a emissora a entregar um resultado estético acima da média. Entre batalhas e muitas armações da protagonista, “Jezabel” apresentou também uma eficaz direção de atores. Geralmente, o que se vê na tela é um misto de atuações em sintonia com o gênero épico e muitos atores perdidos em cena. Longe dos estúdios da emissora na capital carioca, é nítido que o elenco, além de uma preparação mais intensa, também manteve o foco ao longo dos meses de trabalho, com destaque para nomes como André Bankoff, Hylka Maria, Rafael Sardão e Mônica Carvalho.

Aposta de Avancini, Iano Salomão surge como um forte candidato a novo galã preferido da Record. De origem teatral e antes apenas conhecido do público dos musicais que movimentam a cena paulistana, o ator conseguiu passar a força exata ao viver o profeta Elias, que acabou se revelando como o verdadeiro protagonista da história. Apesar da importância do personagem dentro da trama, enviado do deus hebreu para deter a ambição de Jezabel, é nítido que a atuação naturalista e carismática do intérprete facilitou o trabalho. Com a produção próximo do fim, a Record exibe toda sua falta de talento em organizar a própria grade de programação e a seleção das histórias para a linha de produção. “Jezabel” termina sem que sua substituta, a também épica “Gênesis”, tenha ao menos iniciado as gravações. Por conta desse atraso de produção, a emissora vai programar a fraca “O Rico e Lázaro”, novela exibida originalmente em 2017.

Felpuda


Político experiente tem repetido que não é o momento de falar em eleições. O momento é de tensão, de incertezas políticas e econômicas – como se o País fosse uma ilha de preocupações cercada pelo coronavírus por todos os lados. Em Mato Grosso do Sul, onde já se registrou morte pela doença e o número de casos só tende a subir, não poderia ser diferente. “É suicídio político para quem ousar falar em eleição neste momento”, conclui. Só!