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TELEVISÃO

Guerra quente

História de inimizade surgida no Twitter, 'Eu, a Vó e a Boi' chega ao vídeo como mosaico da loucura cotidiana

10 NOV 19 - 00h:00GERALDO BESSA/TV Press

O diálogo entre a televisão e as redes sociais já é uma realidade. Autores, diretores e executivos estão sempre mapeando e testando a repercussão das produções em plataformas como Facebook, Instagram e Twitter. Sem tanto apoio de imagem e som, os 140 caracteres por “post” permitidos pelo Twitter acabaram sendo responsáveis pela primeira produção que, em vez de repercutir o que está sendo exibido, inspirou a criação de uma série. Com estreia prevista na Globoplay para o dia 29 de novembro, a série “Eu, a Vó e a Boi” é baseada em uma “thread” - gíria surgida no microblog que se refere a uma série de postagens que completam uma linha de pensamento - que conta a história de mais de meio século de inimizade e rivalidade entre duas vizinhas, moradoras de Boa Vista, Roraima. Em 2017, enquanto esperava o pedido feito em um restaurante, o jovem Eduardo Almeida, ou melhor @eduardohanzo no Twitter, compartilhou com seus seguidores algumas intrigas e armações entre sua avó e a tal vizinha, chamada carinhosamente de Boi. Milhares de compartilhamentos depois, Glória Perez percebeu o apelo popular da história e chamou Miguel Falabella para assinar a adaptação. “De repente, estava pegando um avião para conversar com Miguel e Glória. Ambos foram extremamente generosos e aceitaram as ideias que foram surgindo na minha cabeça. Foi um processo incrível e fiquei muito feliz com o resultado”, conta Eduardo, que assina como colaborador da série.

Com direção de Paulo Silvestrini, a produção de 12 episódios retrata a guerra declarada entre Turandot e Yolanda - a Boi -, personagens de Arlete Salles e Vera Holtz, capazes de tudo para prejudicar a vida uma da outra. Na série, a narrativa ganhou uma roupagem mais ácida e personagens alucinados, bem ao estilo de Falabella. “Embora seja uma série de humor, com tipos muito inusitados, ela também coloca o dedo na ferida. Hoje temos um país sentido, dividido. O discurso é sempre da truculência. E isso é o que a avó e a Boi fazem nessa história. Elas não argumentam, elas agem uma contra a outra. São situações engraçadas, mas por trás desse humor as coisas são ditas”, analisa Miguel. Ninguém sabe quando tudo começou, mas já aposentadas, viúvas e, portanto, dispondo de tempo livre o suficiente nas mãos, nenhuma delas tem a menor intenção de propor um tratado de paz.

Deslocada para o subúrbio carioca, a trama de “Eu, a Vó e a Boi” se passa na rua Tudor Afogado, uma via cinza e monocromática onde as casas de Turandot e Boi são separadas por uma vala que, praticamente, materializa a aura de ódio e rancor entre as elas. Por ali, ninguém escapa ileso dos boicotes diários praticados pelas matriarcas. “O Miguel sempre me traz grandes personagens e a Turandot é um deles. É um trabalho contemporâneo, moderno. Tem a poesia, tem a crítica, tem a sátira. Foram meses vivendo intensamente com as mesmas pessoas. Então a gente se afeiçoa, se descobre, se reconhece. Já estou vivendo com saudades no coração”, entrega a veterana Arlete Salles.

Quando Norma e Montgomery, personagens de Danielle Winits e Marco Luque, filhos das rivais, se apaixonam perdidamente, tudo parece sentenciado ao caos eterno. Nem mesmo o nascimento dos netos Roblou e Matdilou, de Daniel Rangel e Matheus Braga, abre uma trégua entre as duas senhoras. É pelo ponto de vista um tanto fragilizado de Roblou – alter ego de Eduardo Almeida –, que o público acompanha as constantes desavenças entre as duas senhoras. “O que mais me chamou a atenção, desde o primeiro teste, foi que o Roblou quebrava a quarta parede. Ele dialoga com os personagens e com o público ao mesmo tempo”, ressalta Rangel.

Com gravações realizadas entre abril e setembro deste ano, a cidade cenográfica “Eu, a Vó e a Boi” foi assinada por Marcia Inoue e ocupou um terreno de cerca de 2.500 m² dos Estúdios Globo. Com cenografia idealizada para fazer os figurinos extravagantes de Cao Albuquerque brilharem, todas as paredes, letreiros e objetos cênicos variam em tons de cinza. “A série não tem uma cronologia muito rígida e parte de situações alucinantes. Não queria que a estética privilegiasse a realidade, mas sim que situasse os personagens em uma espécie de universo paralelo”, explica o diretor. Ainda sem previsão de estrear na emissora aberta, a série pode ser um dos últimos trabalhos de Miguel Falabella na Globo, que já avisou que não pretende renovar seu contrato no ano que vem. Empolgado com as possibilidades do “streaming”, a ideia do ator e autor agora é garantir mais independência aos seus projetos com a possibilidade de negociar com outros canais e plataformas de vídeo. “Quero liberdade. Hoje em dia, se a Globo não se interessa por um projeto meu, acabo sem ter onde desenvolvê-lo”, analisa Miguel.

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