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Campo Grande - MS, terça, 25 de setembro de 2018

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Festival Sul-Americano
reúne o melhor do folclore

Programação reúne grupos de países como Paraguai e Bolívia

11 JUL 2018Por CASSIA MODENA09h:00

Anaim Alves de Souza tem 78 anos de vida, dos quais mais de 50 já foram entregues às rezas, ao improviso do repente e à dança catira, elementos que são o ponto alto da Folia de Reis de Aparecida do Taboado. É lá que o mineiro de nascimento vive desde a juventude e pratica a devoção ensinada por seus pais e avós.

A Folia é uma festividade religiosa que ocorre entre dezembro e janeiro, também em outras partes do País. Antiga, é uma forte e viva manifestação do folclore brasileiro. Anaim é o embaixador de um dos grupos que ajuda a perpetuá-la, o Embaixadores dos Reis Magos, que é composto de 14 pessoas. Também é o líder da Companhia da Catira, que reúne aproximadamente o mesmo número de integrantes. Ambos costumam se apresentar juntos não só no município do leste de Mato Grosso do Sul, mas também em outras cidades e estados. Tanto pessoas mais velhas, como Anaim, quanto jovens e crianças fazem parte das duas formações tradicionais.

No dia 3 de agosto, a Companhia da Catira e os Embaixadores dos Reis Magos virão à Capital para se apresentar no 2º Festival Sul-Americano de Folclore. Farão isso entre outros grupos sul-mato-grossenses e de outros estados brasileiros, além de paraguaios e um boliviano. 

O FESTIVAL

O folclore compartilhado por povos da América do Sul – um caldo que mistura ritos, mitos, histórias e manifestações artísticas – é o tema do Festival Sul-Americano de Folclore, cuja participação é gratuita. O evento começou a envolver escolas de Campo Grande em maio deste ano e vai culminar com apresentações abertas dos grupos folclóricos mais um seminário interestadual.

Realizado pela Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore, o Festival tem o propósito de apoiar as tradições culturais e discutir formas de ajudar a mantê-las, diante do apelo de processos relacionados à globalização. Sua segunda edição sucede uma primeira iniciativa mais enxuta, mas não menos importante, que foi realizada em 2014 no município fronteiriço de Ponta Porã. Na época, a Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore apenas apoiou o evento, que foi realizado pela prefeitura local, com recursos do governo federal. A demora em organizar a próxima edição ocorreu porque o pagamento do patrocínio do Fundo de Investimentos Culturais (FIC), do governo estadual, atrasou.
 
EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

Educação de estudantes das escolas públicas de Campo Grande e formação de professores e profissionais interessados em se aprofundar no assunto “Estudos do Folclore e Educação patrimonial” são o foco da proposta. Cerca de mil alunos realizaram atividades alusivas ao folclore entre os meses de maio e junho. Já o seminário ainda está para ocorrer. Será no dia 6 de agosto, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a partir das 8h, com participação livre. Dezenas de pesquisadores estarão presentes.

A folclorista, professora aposentada da UFMS e presidente da Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore, Marlei Sigrist, explica que a educação e a formação são uma preocupação quanto ao folclore, e oferecer atividades que as visem são a principal contribuição da entidade, formada principalmente por professores. “É onde mais conseguimos contribuir. Todos osanos pensamos em algo para levar para as escolas, então é algo que ultrapassa o festival, é permanente”.

Pesquisadora do folclore sul-mato-grossense, ela destaca a importância de valorizar as manifestações culturais que o englobam. “Estaremos fortalecendo a área da cultura tradicional. Temos raízes culturais que formam todos os elementos da nossa identidade. As coisas enlatadas da indústria cultural não são as nossas raízes”, provoca.

Entre os mais jovens, especialmente, fortalecer a relação com o folclore é importante, segundo Marlei, para que a cultura tradicional não se perca. “Quando falamos do folclore e uma criança diz que o avô ou a avó dela faz aquilo, nós estamos dando importância a essa cultura”, afirma.

A presidente da comissão estadual do folclore acredita que as manifestações folclóricas estão se sobressaindo aos processos da globalização e os grupos estão se reorganizando e se repaginando. “Sempre existirão grupos promovendo isso”, finaliza.

NO PALCO

As apresentações dos grupos de folclore estão marcadas para os dias 3, 4 e 5 de agosto, na Praça do Rádio Clube, em Campo Grande, das 18h às 22h. Haverá ainda, no primeiro dia, um cortejo das formações convidadas pelas ruas da Capital e nos shoppings Norte Sul Plaza e Bosque dos Ipês.

Os grupos que sobem ao palco são: Ballet Folklorico Iberoamericano Del Paraguay (Asunción-Paraguay), Ballet Folklorico David Sanches (Pedro Juan Caballero-Paraguay), Catira de Camapuã (MS), Grupo de Siriri Flor de Atalaia (Cuiabá-MT), CTG Fagundes dos Reis (Passo Fundo-RS), Grupo Camalote (Campo Grande-MS), Associação Folclórica Paramazon (Belém-PA), Embaixadores dos Reis Magos (Aparecida do Taboado-MS), Cururueiros de Mato Grosso do Sul (Corumbá e Ladário-MS), Violas de São Gonçalo (Amambai-MS), Toro Candil de Amambai (Amambai-MS), Grupo Terena da Aldeia Limão Verde (Aquidauana-MS), Catira Taboado (Aparecida do Taboado-MS), Capoeira Quilombo (Campo Grande-MS), Mahila e Tribos da Areia (Campo Grande-MS), Tikay (Campo Grande-MS), Ryukyu Koku Matsuri Daiko (Campo Grande-MS), Litani (Campo Grande-MS) e Capoeira Arte Camará (Campo Grande-MS).

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