Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

Cultura

Festa do Divino preserva tradição
em Mato Grosso do Sul

Festa de Figueirão está sendo avaliada para tornar-se patrimônio imaterial

3 JUN 2017Por CRISTINA MEDEIROS17h:39

Neste final de semana (sábado e domingo) algumas  cidades do interior de Mato Grosso do Sul promoverão a tradicional Festa do Divino. Trata-se de uma comemoração popular de rua, tipicamente folclórica. A celebração é uma manifestação espontânea e tem aceitação coletiva e festeja um evento cultuado pela Igreja Católica, o Pentecostes, que é a descida do Espírito Santo na forma de línguas de fogo sobre os apóstolos. Com isso, acreditam os cristãos, que eles começaram a falar todas as línguas dos povos a que dirigiam sua pregação em nome de Jesus. O domingo de Pentecostes é uma comemoração com data móvel, pois acontece cinquenta dias depois do domingo da Páscoa. A Festa do Divino é feita no mesmo dia.

Em Mato Grosso do Sul há algumas delas bem conhecidas como em Coxim, em Itaporã (Montese) e em Figueirão (comunidade de Santa Tereza). A Festa do Divino de Figueirão é mantida pela tradicional família Malaquias, que neste ano completa 108 anos de criação a partir de uma promessa feita por dona Francelina Malaquias. 

PATRIMÔNIO IMATERIAL

Esta edição será acompanha pela Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore (CSMFL) que, junto à equipe técnica de Patrimônio Imaterial da Gerência de Patrimônio Cultural da Fundação de Cultura do Estado de MS, avaliará  a Festa do Divino Espírito Santo da Família Malaquias.

A festa é promovida na zona rural, em Santa Tereza, a aproximadamente 23 km do centro de Figueirão, na divisa com o Distrito de Pontinha do Cocho. A chegada da Bandeira do Divino à capela acontece neste sábado (3) a partir das 14h, seguindo-se os rituais de louvor até a noite, quando acontece o terço cantado, o levantamento do mastro da bandeira e, em seguida, festejos sociais como apresentação de dança da Catira e baile. 

O giro da bandeira tem o compromisso de convidar a população para a festa, abençoar os devotos e arrecadar fundos para os festejos. Por isso, a janta sagrada, que é oferecida aos foliões, também é oferecida, gratuitamente, ao público presente. Toda essa história está contada no livro da pesquisadora Marlei Sigrist “Mestres do Sagrado” lançado em 2014.

“O valor tradicional dessa festa está, primeiramente, vinculado ao fato de ser uma tradição rural, que se sustenta pela ação e mobilização das pessoas envolvidas com a celebração e a festa ainda se mantém com todas as suas características de origem, com pouca interferência da sociedade de massa”, explica a pesquisadora. Em segundo lugar, complementa Marlei, pelos valores culturais demonstrados nas formas de expressão que eles detêm como a Dança da Catira (com criações musicais próprias e sapateado original), ou nas formas cantadas das rezas de louvor, ou mesmo na organização do giro da bandeira (percorrem uma distância aproximada de 200 km em círculo no sentido anti-horário, obedecendo a regras impostas pelo tempo). 

O processo de Registro do Patrimônio Imaterial obedece a várias fases até, finalmente, ser criada a Lei para sua concretização. Portanto, esse é o momento intermediário de verificação e análise da manifestação cultural.

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