Correio B

CORREIO B

Fazer ensaio fotográfico pode ajudar a elevar autoestima

Fazer ensaio fotográfico pode ajudar a elevar autoestima

CASSIA MODENA

26/01/2017 - 19h44
Continue lendo...

Ser fotografado era privilégio no passado, mais uma das exclusividades de figuras que ocupavam cargos de poder e tinham boas condições financeiras. Retrato era coisa para se fazer duas ou três vezes na vida, com a melhor roupa, só que sem sorrir ou ousar uma pose que não fosse estática.

Hoje, os ensaios fotográficos nunca estiveram tão populares. As lentes apontam para todos os lados. Conhecer a si mesmo e reconhecer a própria expressão, o próprio corpo e a própria identidade podem – por que não? – ser bons motivos para se deixar capturar pela fotografia, sem que haja uma ocasião especial para isso. Sorrir e posar é permitido, assim como exibir as fotos se tornou praticamente obrigatório.

“Estava enfrentando um momento delicado da minha vida que envolvia depressão, identidade racial, questões profissionais e problemas de ansiedade”, revela Angela Batista, 23 anos. Isto foi antes de passar pela experiência de ser modelo no meio de uma plantação de girassóis, próxima ao Bairro Indubrasil, em ensaio fotográfico para o projeto Sunset, do jornalista e fotógrafo André Patroni. 

Angela é formada em Letras. Ele fez nu artístico, entre as flores, e não se importou com o que pensariam depois, só foi lá e fez. “O André me retratou do jeito que sou e não há maneira melhor. Quando me vi nua, eu amei aquelas dobrinhas da minha barriga, minhas estrias e pensei: ‘Como sou linda!’. Eu precisava me sentir bonita de novo e aquele cenário das fotos ajudou a me tirar da vala que o preconceito e o desrespeito haviam me jogado”.

PRECONCEITO

Em dezembro do ano passado, Angela passou por uma situação humilhante em um terminal de ônibus de Campo Grande. Grudaram um chiclete no cabelo dela propositalmente, enquanto ela cochilava. A professora, que tem pele negra e fios crespos, entendeu se tratar de um ato de ódio contra sua aparência. Publicou um desabafo nas redes sociais, e ele chegou até o fotógrafo Rafael Silva.

Com a intenção de ajudá-la a superar e orgulhar-se da cor e do cabelo, Rafael fez o convite para um ensaio em que deveria negar o preconceito e o machismo e exaltar o poder feminino nas imagens. A iniciativa dele também foi uma grande ajuda para Angela. “O Rafael trouxe à tona a força que eu estava perdendo”, resume ela. 

Fotos também serviram de arma contra o preconceito e elevaram a autoestima da dona de casa Marjorie Saldanha, 38 anos. Ela não estava procurando pelo serviço, porém, recebeu a proposta de uma outra mulher com quem sempre se encontrava ao levar os filhos à escola, mas não conhecia.

Foi a fotógrafa Tatiana Maganha quem convidou Marjorie. Ela topou ser modelo plus size de uma série fotográfica retrô que a profissional estava produzindo, com o tema “Pin Up, Cheesecake e Café”. A ideia era retratar a diversidade feminina como traço moderno, à frente desse plano de fundo, e expor o resultado em uma cafeteria de Campo Grande.  

Marjorie foi clicada no Hotel Gaspar, com direito à mistura de poses sensuais e a trajes típicos do século passado, sem vergonha nenhuma. “Eu tinha até me esquecido de ser mulher com tantos afazeres. Adorei, todos me elogiaram”. 

Mãe de três filhos, ela também estuda psicologia. Admite que às vezes se esquece de que não é preciso estar dentro dos padrões de beleza para se sentir bonita. “Passei a me gostar mais, foi muito bom para mim”. Ela não teve de pagar nada pelas fotos por se tratar de uma contribuição à exposição da artista.

CONVERSA

A timidez pode interferir nas sessões de foto, ainda mais para quem passa por essa experiência pela primeira vez e tem só a pretensão de guardar as imagens e não publicar mais do que meia dúzia delas nas redes sociais.

A estudante Camila Vilar começou a fotografar profissionalmente há pouco tempo e, fora a questão técnica, criar uma relação de proximidade com as pessoas que estariam em frente à sua câmera foi uma das primeiras coisas que procurou aprender. “E agora eu sempre busco conversar antes com a pessoa, pergunto sobre o que ela gosta e tento dizer coisas interessantes a ela durante a nossa conversa, para que a gente se conheça melhor”, detalha.

Chamar modelos voluntários para ajudá-la a praticar também foi tática para melhorar essa relação. Camila fotografou diversas pessoas, algumas delas até já conhecia. Ela deixou à escolha do convidado contribuir ou não com alguma quantia em dinheiro.

A advogada Fernanda Torres, 23 anos, é a prima de segundo grau de Vilar e topou ser fotografada no início do ano passado. “Sempre sonhei em fazer um book fotográfico, mas nunca tive dinheiro para pagar. Aí fiquei sabendo da proposta dela e conversamos. Eu não sabia bem o que fazer e como funcionava, mas deu tudo certo. Ela me deixou tranquila. Ficou do jeito que eu queria”. O namorado foi levar Fernanda até o Itanhangá Park, local em que as fotos foram feitas, e também acabou posando por sugestão de Camila.

Nesse período, a estudante também fotografou um grupo de amigos, variação que gostou bastante. “Eu me voltava mais às cores e a uma pessoa só quando fotografava, então, essa experiência foi um exercício para mim. E foi bom também porque não tinha nenhum motivo especial para as fotos, eu só deveria retratar uma amizade de longa data. As fotos ficaram espontâneas e alegres. Eles ficaram muito gratos e aproveitamos a oportunidade para nos conhecer melhor”.

Cinema Correio B+

Explorando Mel Brooks: A Memória de um Gênio da Comédia

Um documentário sobre humor, amizade, perdas e o peso de sobreviver ao próprio legado

21/02/2026 13h00

Explorando Mel Brooks: A Memória de um Gênio da Comédia

Explorando Mel Brooks: A Memória de um Gênio da Comédia Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O documentário Mel Brooks: The 99 Years Old Man! nasce menos como uma homenagem clássica e mais como um gesto de urgência. Não a urgência do mercado, mas a do tempo. Mel Brooks completa cem anos em 28 de junho de 2026, e sua trajetória atravessa praticamente toda a história do entretenimento moderno.

Do rádio à televisão, do cinema de estúdio à Broadway, da sátira política ao besteirol absoluto, Brooks não apenas acompanhou transformações culturais profundas como ajudou a provocá-las.

A decisão de registrar essa memória em vida parte de Judd Apatow, um dos nomes centrais da comédia norte-americana contemporânea. Apatow não se aproxima de Brooks como um biógrafo distante nem como um crítico do presente julgando o passado.

Ele se coloca como fã. Seu cinema e sua televisão foram moldados por uma ideia de liberdade criativa que Brooks ajudou a instaurar: a de que o humor pode ser grosseiro, político, autorreferente e profundamente humano ao mesmo tempo.

Mel Brooks costuma ser definido como o inventor do besteirol, mas essa etiqueta nunca deu conta de sua complexidade. Seu humor nasce do vaudeville, do humor judaico, da paródia consciente de gêneros clássicos e da sátira como ferramenta de enfrentamento.

Quando Brooks desmonta o faroeste, o terror ou o musical, ele não está apenas rindo do cinema, mas expondo as estruturas de poder, moral e exclusão que esses gêneros carregam. O riso, para ele, sempre foi uma forma de sobrevivência.

A série se divide em três episódios que não seguem uma cronologia rígida, mas um percurso emocional. O primeiro revisita sua formação, a experiência como soldado na Segunda Guerra Mundial e a entrada no humor televisivo.

O segundo mergulha no auge criativo, quando Brooks redefine a paródia no cinema e se consolida como uma figura incontornável de Hollywood. O terceiro é o mais delicado e, talvez, o mais poderoso. Ele fala de envelhecer, de perder amigos, de vaidade, arrependimentos e da estranheza de se tornar um monumento ainda em vida.

A recepção crítica foi majoritariamente entusiasmada justamente por essa recusa em suavizar o passado. O documentário não tenta “atualizar” Mel Brooks nem pedir desculpas por ele. Há piadas que não entram. Há contextos explicados. Mas nunca existe a sensação de censura retrospectiva.

Explorando Mel Brooks: A Memória de um Gênio da ComédiaExplorando Mel Brooks: A Memória de um Gênio da Comédia - Divulgação

O próprio Brooks comenta, com lucidez e ironia, o que hoje não faria mais e aquilo que jamais abriria mão. O filme confia na inteligência do espectador para lidar com o desconforto.

Um dos núcleos emocionais mais fortes da série está na relação entre Brooks e Carl Reiner. Os dois foram melhores amigos, parceiros criativos e quase uma entidade única por décadas.

A presença de Rob Reiner, filho de Carl, adiciona uma camada inesperada de emoção. Seus depoimentos foram exibidos poucas semanas após o assassinato de seu filho, uma dor que não é verbalizada diretamente, mas atravessa cada gesto, cada silêncio.

A decisão de Apatow de não editar essas falas para “contextualizar” o luto é essencial. Qualquer tentativa de ajuste quebraria a integridade do registro. O que se vê é um documentário que aceita a dor como parte da vida, sem moldura explicativa.

Isso dialoga profundamente com a própria condição de Mel Brooks, um homem que sobreviveu à maioria de seus contemporâneos e precisa conviver com essa solidão tardia.

Outro aspecto raro é a franqueza com que Brooks fala de sua vida pessoal. Ele se reconhece como um pai ausente, absorvido pelo trabalho e pelo ego criativo. Fala de seu casamento com Anne Bancroft com uma mistura de devoção e insegurança.

Ele a amava intensamente, mas admite o ciúme do talento e do reconhecimento dela. Essa honestidade desmonta a imagem do gênio confortável e revela um homem cheio de contradições, afetos desorganizados e vaidades nunca completamente resolvidas.

Mesmo com piadas datadas e referências que hoje soam politicamente incorretas, o documentário se impõe como um registro essencial. Não porque tenta absolver Mel Brooks, mas porque entende sua importância estrutural. Ele não apenas fez rir. Ele ensinou que o riso pode ser uma forma de enfrentamento do trauma, da opressão e do absurdo do poder.

No fim, Mel Brooks: The 99 Years Old Man! não é apenas o retrato de um comediante lendário, mas de um homem que se recusa a agir de acordo com a sua idade. Não por negação do tempo, mas por fidelidade a si mesmo. Rir, para Mel Brooks, nunca foi um gesto juvenil. Sempre foi um gesto de sobrevivência.

PÓS-CARNAVAL

Bloco Forrozeiros MS se apresenta no Enterro dos Ossos na Esplanada Ferroviária

Bloco Eita! também terá programação paralela no Monumento Maria Fumaça

21/02/2026 11h30

Grupo Terra Seca, de Dourados, se apresentará pela primeira vez no bloco

Grupo Terra Seca, de Dourados, se apresentará pela primeira vez no bloco Divulgação

Continue Lendo...

O Carnaval de rua de Campo Grande se despede oficialmente neste sábado (21), ao som de zabumba, sanfona e triângulo. A partir das 17h, o Bloco Forrozeiros MS ocupa a Esplanada Ferroviária, na Rua Dr. Temístocles, para realizar o tradicional Enterro dos Ossos, encerrando a programação do ABC (Aglomerado de Blocos de Carnaval de Rua de Campo Grande), juntamente com o Bloco Eita!, que terá programação paralela no Monumento Maria Fumaça.

Com proposta que une Carnaval e forró, o Forrozeiros MS consolidou-se como uma das expressões mais singulares da festa na capital sul-mato-grossense. Desde 2020, o bloco fecha a folia com programação marcada pela dança a dois, o clima familiar e a diversidade de público, reunindo diferentes gerações em torno da cultura nordestina.

Em 2026, três bandas estão confirmadas para o último dia de Carnaval: Ipê de Serra, Flor de Pequi e, pela primeira vez no evento, o grupo Terra Seca, de Dourados. Neste ano, o bloco presta homenagem à Michele Lima, fundadora da Escola de Dança Fulô e referência na formação de dançarinos e no fortalecimento da cena do forró em Campo Grande.

Programação

A programação musical começa com a Ipê de Serra, que abre a noite com repertório pensado especialmente para o clima de encerramento da festa. “O repertório é animado e interativo, com músicas que o público conhece e canta junto. É forró para dançar do começo ao fim”, destacou o percussionista Juninho. Nesta edição, a banda contará com participações especiais das cantoras Suy Cavalcanti e Ana Paula Dutra.

Na sequência, sobe ao palco o Flor de Pequi, parceiro do bloco desde o início da trajetória. Para a vocalista Júlia Mendes, a conexão com o Forrozeiros MS ultrapassa a relação profissional. “Essa parceria engloba amizade e uma luta em comum pela valorização da cultura e da ocupação da rua como espaço democrático”, afirmou. A banda também preparou participações especiais das artistas Sophia Fontana e Rachel Delvalle.

Encerrando a noite, a banda Terra Seca assume o palco como convidada especial desta edição. É a primeira vez que o Bloco Forrozeiros MS traz uma banda de fora para integrar o Enterro dos Ossos. Com 27 anos de trajetória, o grupo de Dourados é referência no forró pé de serra em Mato Grosso do Sul. Para Acelino Rodrigues Carvalho, a presença do gênero no Carnaval dialoga com a própria diversidade da festa no Brasil.

“A diversidade de ritmos sempre fez parte do Carnaval. O forró também integra essa riqueza cultural”, afirma. Ele reforça ainda a importância histórica do estilo. “O Forró Pé de Serra é um dos gêneros mais importantes da música brasileira e representa a nossa identidade cultural”, disse. Sobre o show, a promessa é clara: “O público pode esperar muito forró de raiz, com qualidade e originalidade, que é a nossa marca”, ressaltou.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).