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NA ARRITMIA DA FOLIA

Escolas de samba de Corumbá estão pecando na estrutura e organização

Cidade branca é destino de muitos foliões no Carnaval

14 MAR 19 - 09h:00SILVIO DE ANDRADE

O título ninguém tira: Corumbá tem o melhor Carnaval de rua do interior brasileiro. A paixão pelo samba no pé move a festa popular, cada vez mais carnavalescos do Rio de Janeiro imigram para a cidade, atraídos pela oportunidade de empregos, vida sossegada e fácil convivência com o jeito carioquês de ser do corumbaense. Mas o samba está em descompasso com a falta de profissionalismo de escolas e blocos, que se apoiam apenas em verbas públicas.

A desorganização de algumas agremiações, muitas mantidas por famílias, e a não renovação de ritmistas e aderecistas, somados à estrutura acanhada da Avenida General Rondon para o tamanho desse Carnaval, acionaram o alerta: é preciso repensar a folia pantaneira. Fusão de escolas, maior rigor dos estatutos, construção de barracões, envolvimento das comunidades, programação mais atrativa e um novo espaço para os desfiles estão em discussão.

A superação dos passistas e ritmistas na passarela do samba, sustentando a evolução das escolas, não se sobrepõe às falhas inadmissíveis que maculam o espetáculo. A campeoníssima Império do Morro, 8ª colocada no desfile, teve dois carros quebrados, uma ala não saiu por falta de fantasias e ainda atropelou o cronômetro em quatro minutos. Na 3ª posição, a Estação Primeira fez um belo desfile, mas não tem bateria e saiu com ritmistas da Nova Corumbá.

ENDEREÇO AO SAMBA
Segundo a Liesco (Liga Independente das Escolas de Samba), para esse Carnaval avançar e se profissionalizar fora da avenida é preciso de um endereço, na definição do seu presidente, Zezinho Martinez. “Estamos sem teto”, diz ele, cobrando apoio do poder público e do empresariado para a construção de um barracão coletivo para as dez escolas. “Você tem que torcer para não chover e não danificar as alegorias, fantasias. É uma aflição o ano todo.”

Zezinho reconhece que algumas escolas não trabalharam bem, mesmo com a antecipação da verba da prefeitura, e anunciou mudanças estatutárias da liga para punições mais severas e o cumprimento de forma criteriosa dos repasses. A formação da bateria será uma obrigatoriedade, bem como o envolvimento da comunidade e um número mínimo de ensaios para ter direito aos recursos públicos. Ele defende a antecipação do desfile das escolas para sábado e domingo.

BARRACÃO E SAMBÓDROMO 
A falta de estrutura das agremiações é um limitador para qualificar o Carnaval. Poucas têm um espaço próprio ou alugado para trabalhar e fazer suas promoções durante o ano, não dependendo unicamente de verbas do governo e da prefeitura. A maioria, porém, foi criada por famílias e funciona em fundo de quintal, sem envolvimento das comunidades. A Vila Mamona ocupa sem pagar aluguel um imóvel há 20 anos, agora colocado à venda pelo dono.

“Não sei qual vai ser o futuro da nossa escola”, lamenta Antero Sena Filho, 74, ex-presidente e ex-mestre de bateria da Vila. “Nossas escolas precisam de um barracão, não apenas para ensaios, mas atender as comunidades com cursos, fazer o social”, cobra o carnavalesco nascido cuiabano. “Nosso Carnaval cresceu em proporções e temos uma potência que não se imagina para evoluirmos, mas está faltando a ferramenta (estrutura)”, finaliza.

Para o crítico de Carnaval Melque Borges, é preciso um maior intercâmbio com o Rio de Janeiro - uma referência para Corumbá -, para aprimorar as escolas, desde a formação de novos talentos por meio de oficinas a uma nova condução das baterias e um processo de reaproveitamento das fantasias e alegorias. Ele prioriza um espaço para que as escolas promovam eventos e trabalhem, mas “sambódromo, agora, é colocar o carro na frente dos bois”.

DESFILE ENGESSADO
A discussão de uma nova passarela do samba é antiga. Os tradicionalistas defendem a permanência do desfile na Avenida General Rondon, onde o espaço limitado não permite ampliar as alegorias e o público fica mal acomodado. O local ainda tem outro agravante: metade da pista de evolução é de paralelepípedos. “A avenida tem seu simbolismo, mas deixa o Carnaval engessado”, afirma Rosângela Villa, crítica de Carnaval e professora.

O presidente da Fundação da Cultura e do Patrimônio Histórico, Joílson Cruz, reconhece que é preciso dar uma sacudida no Carnaval de rua. Ele quer mais mobilidade ao público e defende alterações nos dias de desfile dos blocos oficiais e do Carnaval cultural, bem como maior rigor na saída dos blocos sujos, que não obedecem a horários. Disse que mudar o desfile das escolas de samba para o sábado e domingo, proposta da Liesco, é uma possibilidade.

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