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PONTO DE VISTA

Duas é demais

Em dupla à frente do 'Globo Repórter', Glória Maria e Sandra Annenberg poderiam render bem mais nas reportagens
08/11/2019 10:09 - MÁRCIO MAIO/TV Press


 

Manter-se no ar por 46 anos é um grande feito para qualquer programa de televisão, principalmente quando não se trata de um telejornal. Não à toa, o “Globo Repórter” é visto como um espaço nobre entre os jornalistas da Globo. Além da tradição na grade da emissora, há a vantagem de se tratar de uma produção semanal e que, por ocupar uma faixa de apenas 50 minutos da grade – no ar, excluindo os comerciais, normalmente são 10 minutos a menos –, consegue ser produzido com muito mais cuidado e qualidade que outro produto com mais tempo e dias de exibição. Por outro lado, é nítida a dificuldade da equipe em inovar. Seja na escolha das pautas ou na apresentação do formato. A última mudança aconteceu com a aposentadoria de Sérgio Chapelin e a entrada de Sandra Annenberg, que agora divide com Glória Maria a apresentação do programa. Literalmente.

Exatamente por se tratar de um programa semanal, de curta duração e com poucas aparições no estúdio, fica difícil entender a necessidade de ter duas pessoas apresentando. Afinal, a função de Glória e de Sandra ali, muitas vezes, se resume a anunciar as imagens que serão exibidas em seguida, a cada bloco. Talvez se fossem outros profissionais, isso não chamasse tanta atenção. Mas ambas são jornalistas bem-sucedidas, com coberturas históricas no currículo, Sandra como âncora e Glória como repórter. E as rápidas aparições na apresentação do “Globo Repórter” parecem pouco perto de tudo que as duas têm a oferecer. Seria muito mais interessante, por exemplo, tê-las nas reportagens, já que é o repórter quem mais aparece. A impressão que se tem é de que a Globo coleciona âncoras demais para poucos programas jornalísticos – e isso porque alguns nomes já migraram para o entretenimento, como Fátima Bernardes, Tiago Leifert e Fernanda Gentil, entre outros.

A verdade é que a saída de Chapelin e a apresentação em dupla não foram suficientes para dar um ar mais moderno ao “Globo Repórter”. O programa não é ruim, mas parece parado no tempo. É claro que, em função de sempre abordar um único tema por programa, é possível aprofundar melhor os assuntos e apresentar diversos desdobramentos. Mas a dinâmica poderia ser mais ágil, a exemplo do que acontece no “Profissão Repórter”. É provável que muitos episódios do “Globo Repórter” pudessem ser reduzidos a um quadro do “Fantástico”, sem que se perdesse muito de sua essência.

A escolha das pautas também cria certa sensação de “déjà vu”. Na maior parte das vezes, é um revezamento entre os muitos mistérios do corpo humano e destinos turísticos para uma viagem. É claro que, nesse segundo caso, o resultado é normalmente uma fotografia deslumbrante. Porém, o formato não é de um programa de turismo – e a própria Globosat tem em seus canais fechados algumas atrações nesse segmento que se já se destacam. Na verdade, o “Globo Repórter” parece bem mais interessante para os profissionais que estão à frente das reportagens do que para os telespectadores que assistem.

Felpuda


Alguns políticos estão se aproveitando deste momento preocupante de pandemia para sugerir projetos oportunistas que, em alguns casos, são de resultados extremamente duvidosos. O mais interessante – para não dizer outra coisa – é que se for analisado o desempenho normal dessas figuras, verifica-se que essa preocupação toda nunca esteve no topo das suas prioridades. Ano eleitoral é assim mesmo. Lamentável!