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CINEMA

Diretor sul-mato-grossense prepara documentário que reúne imagens inéditas do poeta Manoel de Barros

15 AGO 19 - 07h:00NAIANE MESQUITA

“Biografia para mim é onde o poeta aprendeu a brincar”. Para Manoel de Barros, todas as respostas de entrevistas eram como versos para o interlocutor. “Foi dessa forma que ele me respondeu quando eu disse que precisava de uma biografia para o filme ‘Caramujo-Flor’”, explica o cineasta Joel Pizzini. 

Trinta anos após o lançamento do curta-metragem baseado na obra de Manoel de Barros, Joel Pizzini revisita o velho amigo em uma série de vídeos, ainda guardados em VHS e que vão se transformar em um documentário.  “O Manoel nunca quis um filme informativo. Eu precisei encontrar um novo caminho durante a produção de ‘Caramujo-Flor’, mais experimental para que ele concordasse com a proposta. O filme foi  bem recebido justamente pelo lado experimental, poético e eu devo muito ao ‘não’ e a provocação que o Manoel me deu inicialmente”, reconhece Pizzini. “Caramujo- Flor” conquistou o prêmio de Melhor Filme no Festival de Huelva (Espanha) e recebeu os prêmios de Melhor Direção e de Fotografia no Festival de Brasília de 1988.

Para o cineasta, o melhor elogio sobre o filme veio do próprio poeta. “Manoel me disse: ‘Não é a minha poesia, é ambiência dela. Seu filme me deixou quieto’. Hoje percebo que há muito da poesia de Manoel não só nas respostas dele, mas na postura, na performance que ele assumia, na timidez, no gestual, no corpo e nos olhos”, assume Pizzini. 

O cineasta gravou os encontros com Manoel de Barros, realizados no ano de 1987, para o estudo do filme “Caramujo-Flor”. “Eu não pensei em usar na época do curta-metragem, filmei apenas para o registro dos encontros e o trabalho de produção. Mas agora estou recuperando as gravações e tem muitos momentos dos encontros em VHS”, diz.

A mídia antiga conservada é parte não só da história de “Caramujo-Flor” ou da vida de um cineasta encantando com sua fonte de pesquisa, mas do próprio Estado, que reconhece Manoel de Barros como um dos maiores poetas que já escolheram Mato Grosso do Sul para viver. “É de cheirar e mandar guardar, como dizia Manoel de Barros. Ele me falou essa frase um dia, entusiasmado, porque tinha ouvido de um pantaneiro. Ouvi coisas muito bonitas dele e que ainda hoje têm muito significado”, ressalta. Sem data de lançamento, o documentário por enquanto só tem título: “Manual de Barros – Retrato do Poeta quando Coisa”. 

IDENTIDADE

Joel Pizzini faz questão de afirmar que é sul-mato-grossense. Apesar de apaixonado pelo Estado, com diversos projetos inspirados na terra, uma questão do destino o fez nascer em outro local. “Minha mãe é carioca e meu pai sul-mato-grossense. Eu acabei nascendo no Rio de Janeiro e me mudei com seis meses de idade para Dourados”, explica.  
Na lista de projetos, sobra amor por Mato Grosso do Sul. “Um dos meus próximos projetos é o ‘Depois do Trem’, um documentário que mistura ficção e que já foi aprovado pela Ancine, mas eu ainda não assinei o contrato. É a história de um poeta, o Joaquim Cardoso, que inclusive quem me apresentou foi o Manoel de Barros. Ele foi mestre do João Cabral de Melo Neto e calculista do Oscar Niemeyer, mas assim como o Manoel ficou por um tempo, ele não é tão conhecido do público”, explica.

Atualmente, Pizzini trabalha na montagem do novo filme, “Zimba”, documentário de invenção sobre o ator e diretor polonês Ziembinski, que revolucionou o teatro brasileiro com a encenação da peça “Vestido de Noiva” de Nelson Rodrigues, em 1943, apresentada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Realizada pela empresa Leminiscata em coprodução com Globofilmes, Canal Brasil e Itaú Cultural, o filme conjuga vasto e inédito material de arquivo com a performance das atrizes Nathália Timberg e Camila Amado. 

Outro projeto previsto para 2020 é o documentário “Rio da Dúvida”, que recria, com recursos de ficção, a expedição Roosevelt-Rondon, empreendida pelo ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt e o mato-grossense Cândido Mariano Rondon, que ficou conhecido como o Marechal da Paz, pelo seu lema pacifista em defesa das nações indígenas. No fim dos anos 20, em sua visita ao Rio, o cientista alemão Albert Einstein indicou-o ao Prêmio Nobel da Paz.
O filme reúne cenas inéditas encontradas na Biblioteca de Washington com filmagens nas aldeias Pareci, Nambiquara e Cinta-Larga, além de raras imagens de Rondon em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

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