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ENTREVISTA

Danilo Mesquita: longe do glamour

Como Carlos de "Éramos Seis", o ator vibra com trajetória sólida e ascendente na tevê

14 JAN 20 - 08h:29CAROLINE BORGES/TV Press

A trama de “Éramos Seis” apresenta uma realidade bastante distante para Danilo Mesquita. Além de encarar uma produção ambientada na década de 1930, o ator também encarna um personagem completamente oposto ao seu perfil. Ao longo das gravações da atual novela das seis, Danilo precisou aprender a neutralizar sua personalidade expansiva para viver o pragmático Carlos no vídeo. “Para mim, está sendo um desafio muito grande porque sou completamente diferente do Carlos, de ser muito certinho, muito conservador. Eu sou zero conservador, então ele é muito diferente de mim e isso é bem legal. Eu gesticulo muito, sou alegre, brincalhão, expansivo, o Carlos não é tanto. Estou fazendo menos movimentos em cena, sendo mais assertivo. Fiquei animado de viver um personagem tão diferente de mim”, explica.

Na história, Carlos é o filho mais velho de Lola e Júlio, interpretados por Gloria Pires e Antonio Calloni. Sonha em ser médico e desde pequeno tem uma paixão por Inês, de Carol Macedo. Tem uma relação conflituosa com o irmão Alfredo, vivido por Nicolas Prattes, mas, ao mesmo tempo, é o filho mais companheiro de Lola. Com a morte do pai, Carlos assume a responsabilidade pelos problemas da família. Inclusive, larga o curso de Medicina por conta das sérias dificuldades financeiras de Lola ao manter a casa. “Não é fácil para o Carlos essa carga toda. Ele foi criado para ser assim, assume essa responsabilidade, esquece dele muitas vezes para cuidar da família, para cobrar dos irmãos, às vezes é até um pouco chato, mas ele entende que essa é a função dele. Aceita isso e convive com isso. Era assim nessa época, nos anos 1920, 1930. Então, o Carlos foi criado dessa forma, assumiu essa responsabilidade e de fato é uma carga muito pesada em cima dele. Ele não consegue conceber a vida de outra forma”, defende.

P – Você foi um dos últimos nomes a integrar o elenco da novela. Como surgiu a oportunidade para “Éramos Seis”?

R – Foi um convite do Carlinhos (Carlos Araújo, diretor). Foi muito em cima da hora e do nada. Para se ter uma ideia, na época, eu ainda estava rodando um filme. Então, as primeiras cenas de preparação foram junto com outro projeto. Em pouco mais de um mês, eu me inteirei da história, fiz a preparação e comecei a gravar. Foi bem corrido.

P – Com o curto tempo de preparação, como você buscou construir o papel?

R – Foquei muito no livro e no texto da novela. Não tive muito tempo para fazer aulas de dança e costumes, por exemplo. Até fiz, mas foi muito rápido. Fui atrás das relações humanas da história. Botei minha energia nisso. Queria ter tido mais tempo de preparação, mas não rolou. Mas isso não me incomodou, fui para dentro do projeto.

Danilo Mesquita, também tem uma banda, a Beraderos. (Foto: Divulgação/TV Globo)

P – O Carlos é descrito como um rapaz sério, honrado, ético e muito responsável. Você teve alguma preocupação para o personagem não ficar chato?

R - Realmente, o Carlos é um rapaz muito certinho, muito ético, muito honrado. Existe essa casca de banana de ser um pouco chato. Acho que o Carlos é assim, porque, na época, ser o filho mais velho de uma família grande e pobre trazia algumas responsabilidades que são atribuídas naturalmente. E o Carlos não fugiu delas, foi criado para ser esse filho mais velho que assume as responsabilidades da família, que pensa na família em primeiro lugar. Muitas vezes ele deixa de pensar nele mesmo, deixa de fazer as coisas que naturalmente faria porque se sente na responsabilidade de fazer isso para a família. Pensar nisso hoje, nos tempos de hoje, é complicado. Não que hoje as pessoas não sejam corretas, honradas, mas é que o tempo passa e as pessoas entenderam isso de outra forma.

P – “Éramos Seis” é seu segundo trabalho de época. Como você está lidando com a estética delicada do folhetim das seis?

R - Para mim, fazer uma novela de época é sempre difícil. E também um desafio maravilhoso. Porque além de ser uma novela de época, faço um personagem certinho. Então, é um controle total. É o contrário do que sou, da forma como me movimento, como falo — além da coisa do sotaque, tem a forma como se falava naquela época... É um desafio, mas eu adoro. A beleza e o divertido do nosso trabalho é justamente viver coisas diferentes. Viver nos anos 1930, para mim, está sendo uma delícia. Não é fácil, mas é delicioso.

P – A trama de “Éramos Seis” carrega um contexto histórico muito rico da década de 1930. Em tempos de polarização política, você acredita que a novela dialogue com a realidade de alguma forma?

R – A gente fala de questões que não morreram e continuam. O Brasil deu muitos passos para trás. A novela discute política como se discute atualmente. Tem o surgimento do Partido Comunista e, ao mesmo tempo, uma parcela mais conservadora da população. O Brasil precisa se discutir porque é um bebê gigante. Temos mais de 500 anos de história, mas é muito curta ainda. Viemos de uma colonização violenta, uma ditadura violenta... A gente precisa revisitar essas temáticas para andar para frente.

P - Nos últimos anos, você tem encarado papéis de destaque nas novelas, como o Nicolau, de “Rock Story”, e o Valentim, de “Segundo Sol”. Você ficou surpreso com essa sequência recente de papéis no vídeo?

R - Eu sou um contador de histórias. Tenho tido a sorte e o privilégio de ter boas histórias para contar. E é nisso que eu me apego, é isso que me movimenta. Eu realmente tenho tido a sorte de fazer bons personagens. E esse é o material que eu tenho. O ator tem nas mãos a história que ele tem para contar. E eu tenho tido a sorte de contar histórias lindas e fico muito feliz com isso. Penso em como eu vou contar essa história, como posso contar essa história da forma mais honesta, bonita e verdadeira possível.

P – Como assim?

R - É fundamental para o ator se experimentar em milhões de outras formas. É fundamental falar de outros temas, de outras épocas, é fundamental falar de outras formas. O ator é um contador de histórias e a coisa mais deliciosa da nossa carreira é poder contar histórias completamente diferentes, de formas diferentes. Para mim, isso é fundamental.

P – Essa exposição natural da tevê é tranquila para você?

R – É legal esse reconhecimento, mas não acordo pensando que sou ator ou que sou um pouco conhecido. Em “Rock Story”, eu senti essa repercussão muito durante a novela, mas depois passou. Em “Segundo Sol” foi totalmente diferente. Era uma loucura sair de casa. Foi legal, mas meu trabalho é igual como qualquer outro. Sigo com a minha vida igual. Acho muito legal esse reconhecimento e nunca fui desrespeitado. Fico feliz com o retorno do público.

“Éramos Seis” - Globo - de segunda a sábado, às 18h30.

Explorando o meio

Danilo Mesquita tem aproveitado o bom momento profissional. Além de engatar uma série de trabalhos na Globo, ele também atuou em “Spectros”, série da Netflix que estreará em 2020, e estrelou o longa “Ricos de amor”, também do serviço de “streaming”, sem data de lançamento definida. “Tive uma honra maravilhosa, uma felicidade muito grande de ter feito esses projetos. Primeiro porque eu sou um consumidor da Netflix, eu assisto muito, eu adoro. Então, fazer parte disso, protagonizar uma série mundial, um filme mundial para mais de 190 países, para mim é motivo de muita felicidade. E o grande barato do ator é se experimentar em milhões de outras formas, de outros lugares, em coisas diferentes, seja no teatro, em série, na televisão”, vibra.

Aos 27 anos, Danilo tem buscado acumular o máximo de experiências profissionais. Nos últimos anos, ele tem se dedicado ao teatro, tevê e cinema. “Fico muito feliz com esse momento, quero que todas essas plataformas e as outras que estão chegando venham com força. Que entrem nesse mercado que tem um monte de ator, atriz, gente talentosa buscando oportunidade. Quanto mais produções forem feitas, melhor para todo mundo. Gera emprego, trabalho, então eu acho fundamental o crescimento dos streamings no Brasil e eu quero muito continuar fazendo parte disso também”, torce.

O ator é natural da Bahia e já foi jogador de futebol. (Foto: Divulgação/TV Globo)

Sobe o som

A vertente artística de Danilo Mesquita é bastante variada. Além da atuação, o ator também tem um lado musical bastante ativo. Em 2018, ele e o também ator Ravel Andrade formaram a banda Beraderos. A banda faz parte do selo Nascimento Música, criado por Milton Nascimento e seu filho, Augusto. Por conta da atual novela das seis, o ator tem se esforçado para conciliar as gravações e os compromissos com a banda. “Os músicos que construíram esse projeto com a gente são maravilhosos, tocam com Milton Nascimento, com orquestra, então conciliar a data de todo mundo não é fácil. Mas toda vez que a gente se encontra é uma delícia. A gente faz todos os esforços possíveis para se encontrar, para a coisa fluir”, explica.

Em 2020, o grupo já tem planos profissionais engatilhados. Eles irão lançar o primeiro disco. É a primeira vez que Danilo e Ravel entram em um estúdio para gravar. “Estamos achando o maior barato. Temos aprendido muito com esse processo. O Beraderos está acontecendo no tempo dele. A gente espera tocar muito mais por aí”, torce.

Instantâneas

# Danilo Mesquita é natural de Salvador, na Bahia.

# O ator tem uma passagem pela Record, onde participou de “Os Dez Mandamentos”.

# Danilo chegou a ser cotado como um dos protagonistas de “Malhação: Toda Forma de Amar”, mas a escalação não vingou.

# Danilo iniciou sua carreira como jogador de futebol. Durante sete anos, ele se dedicou ao esporte e fez peneiras na categoria júnior de times como Vitória, Bahia e Galícia.

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