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MODA INCLUSIVA

Com paralisia cerebral, Elba vai desfilar pela 1ª vez com roupa feita sob medida

Com paralisia cerebral, Elba vai desfilar pela 1ª vez com roupa feita sob medida

PAULA MACIULEVICIUS BRASIL

05/12/2018 - 08h34
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A paralisia cerebral faz com que Elba fale mais pausadamente, mas nada que comprometa a compreensão. Organizadora de eventos como ela se define, a modelo está mais do que ansiosa para o grande evento deste sábado. Pela primeira vez ela vai desfilar, na cadeira de rodas, e com uma roupa feita exclusivamente para o seu corpo.

"Eu estou preocupada. Com o que? Ah, se vai correr tudo bem", explica Elba Fernandes, de 31 anos. Ela é uma das modelos do segundo desfile de Moda Inclusiva de Mato Grosso do Sul, promovido pela Associação de Mulheres com Deficiência de Campo Grande em parceria com os alunos da disciplina de Ergonomia no Design, do curso de Moda da Uniderp.

Nas semanas que antecederam o desfile, Elba e outras seis mulheres com deficiência participaram de entrevista junto aos acadêmicos para que os looks fossem produzidos. Cada uma escolheu os modelos que mais lhe agradaram, como macacões, vestidos, conjuntos e camisetas. Os estilistas foram guiados pela individualidade de cada uma, além dos quesitos técnico (durabilidade, conforto) ergonômico (vestibilidade e usabilidade) e estético (beleza e design) de cada peça.

A paralisia cerebral de Elba veio devido à falta de oxigênio na hora do parto. A cadeira de rodas que vai desfilar junto já lhe acompanha desde os 12 anos de idade. Por conta de uma má formação na coluna causada por postura incorreta, ela tem escoliose e o maior desafio na hora de encontrar roupas está nas blusas. "Fica um lado maior que o outro. Aí acaba tendo que fazer ajustes", desabafa. 

Roupas são produzidas pelos acadêmicos de Moda.

 

Para os acadêmicos, Elba conta ter resumido a roupa ideal em "tem que ser confortável, nem muito larga nem muito justa".

Ao produzir as roupas dela, as estilistas optaram por tecido de algodão com elastano pelo conforto. No desfile, a organizadora de eventos vai usar uma bermuda e camisa em sarja, com botões frontais e mais uma camiseta regata em malha de algodão bordada para ser usada por baixo.

"Os botões maiores e frontais facilitam na vestibilidade da peça e também esteticamente fica bem bonito”, antecipa a acadêmica Dayene Ibrahim. 

Aliar a beleza e a funcionalidade das roupas para mulheres com deficiência é o desafio que os acadêmicos aceitaram para criar a coleção Cidade Morena - Explorando as belezas de Campo Grande. O projeto foi pensado em atender as necessidades e anseios das modelos que participarão do desfile, como também para servir de inspiração a outros profissionais da moda e da sociedade. A coleção traz peças de roupas casuais para serem usadas nas estações primavera/ verão. Os detalhes estéticos que traduzem Campo Grande estarão em tecidos lisos e estampados em malha, fibra natural ou mistos como viscose, sarja com elastano e linho. Materiais que permitem conforto e encaixe ideal para quem utiliza cadeira de rodas ou prótese na perna, por exemplo.  

Para Elba, o desfile é mais do que mostrar o trabalho feito pelos acadêmicos. "É mostrar para a sociedade que um deficiente tem condições sim de estar bem arrumado. É também uma forma de visibilidade para nós", explica. 

O segundo desfile de moda inclusiva será no sábado, a partir das 18h, ao lado da decoração principal de Natal do Shopping Norte Sul Plaza, que fica na Avenida Ernesto Geisel, 2.300, no Jardim Joquei Club. A programação será toda acessível às pessoas com deficiência visual e auditiva, que contarão com recurso de audiodescrição e interprete de Libras. A coleção também será apresentada com performance do grupo AMDEF Dance, formado por bailarinas com deficiência de dança do ventre. Além da exposição “Cidade Morena”, da artista plástica Lucia Pereira. 

Saúde Correio B+

Você sabia que roer as unhas pode provocar desgaste irreversível dos dentes? Saiba mais.

Hábito frequentemente associado à ansiedade pode causar danos permanentes ao esmalte dentário, sobrecarregar a mandíbula e aumentar o risco de infecções por bactérias presentes sob as unhas

31/10/2026 19h00

Você sabia que roer as unhas pode provocar desgaste irreversível dos dentes?

Você sabia que roer as unhas pode provocar desgaste irreversível dos dentes? Foto: Getty Imagens

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Muito além de uma simples mania, roer unhas pode provocar danos permanentes à saúde bucal. O hábito, conhecido clinicamente como onicofagia, favorece o desgaste irreversível do esmalte dentário, pode alterar a mordida, sobrecarregar a articulação da mandíbula e aumentar a exposição da boca a bactérias presentes sob as unhas.

Frequentemente associado à ansiedade e a outros comportamentos repetitivos relacionados ao estresse emocional, o problema pode surgir em qualquer idade e, muitas vezes, evoluir de forma silenciosa. Como os danos costumam aparecer gradualmente, é comum que só sejam percebidos quando a estrutura dos dentes já foi comprometida.

Segundo a cirurgiã-dentista Dra. Jose Daniela Delgado, especialista em GBT (Guided Biofilm Therapy) da EMS e especialista em Estomatologia e Odontologia Legal e Forense, a onicofagia não deve ser encarada apenas como um hábito estético.

“A onicofagia é um comportamento repetitivo frequentemente relacionado à ansiedade e que acontece de forma inconsciente. Não representa falta de controle ou fraqueza, mas uma maneira que algumas pessoas encontram para lidar com determinadas emoções. O problema é que, quando se torna frequente, pode causar consequências importantes para a saúde bucal”, explica.

Embora fatores como rotina acelerada, excesso de estímulos e estresse sejam frequentemente associados ao aumento da ansiedade, a especialista ressalta que não existe um único gatilho para esse comportamento.

“Cada pessoa manifesta a ansiedade de uma forma diferente. Assim como algumas comem compulsivamente, outras desenvolvem hábitos repetitivos, como roer as unhas. Por isso, é importante compreender a origem desse comportamento para tratá-lo adequadamente”.

Um dos principais riscos está no desgaste do esmalte dentário, camada responsável por proteger os dentes e que não possui capacidade natural de regeneração. O atrito constante entre os dentes provocado pelo hábito acelera esse processo e pode comprometer permanentemente sua estrutura.

“Diferentemente da pele, o esmalte do dente não se regenera. Quando ele é perdido, não volta naturalmente. Dependendo da extensão do desgaste, o paciente pode precisar de restaurações, facetas ou coroas para recuperar a função e a estética dos dentes”, alerta.

Além do desgaste, a onicofagia pode favorecer pequenas fraturas dentárias, aumentar a sensibilidade e provocar alterações na mordida. O esforço repetitivo também sobrecarrega a articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos da mandíbula, favorecendo dores, inflamações, estalos e alterações funcionais da mastigação, especialmente em pessoas que também apresentam bruxismo ou apertamento dental.

Outro risco pouco conhecido está relacionado à contaminação por microrganismos.

As unhas entram em contato diariamente com diferentes superfícies e acumulam biofilme bacteriano. Ao levá-las repetidamente à boca, esses microrganismos podem ser introduzidos na cavidade oral, aumentando o risco de infecções e desequilíbrios da microbiota bucal.

“As unhas acumulam bactérias presentes nas superfícies que tocamos ao longo do dia. Ao levá-las repetidamente à boca, aumentamos a exposição a microrganismos que não fazem parte da microbiota bucal, favorecendo infecções e outros problemas de saúde”.

Além dos impactos físicos, a onicofagia é reconhecida pela comunidade médica como um comportamento repetitivo focado no corpo (Body-Focused Repetitive Behavior – BFRB). O transtorno está descrito no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR), da American Psychiatric Association, e integra o grupo dos transtornos obsessivo-compulsivos e relacionados.

Revisões científicas também apontam associação entre o hábito e desgaste dentário, alterações na mordida, lesões gengivais, disfunções da ATM e maior exposição da cavidade oral a microrganismos potencialmente patogênicos. 

Para interromper o comportamento, a especialista destaca que simplesmente tentar parar de roer as unhas costuma não ser suficiente.

“Parar de roer as unhas sem tratar a causa costuma ser apenas uma solução temporária. É preciso identificar o gatilho emocional. Dependendo do caso, o tratamento pode envolver acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, além de recursos odontológicos para proteger os dentes durante esse processo”.

Ela alerta ainda que muitas pessoas acabam substituindo a onicofagia por outros hábitos igualmente prejudiciais, como morder tampas de caneta, lápis ou outros objetos rígidos, o que pode intensificar o desgaste dentário.

Além do controle do comportamento, o acompanhamento odontológico periódico é fundamental para identificar precocemente sinais de desgaste e de acúmulo de biofilme. Nesse contexto, protocolos preventivos como o Guided Biofilm Therapy (GBT) permitem evidenciar o biofilme antes da remoção, tornando a limpeza profissional mais precisa e ajudando o paciente a compreender melhor sua condição e participar de forma mais ativa dos cuidados com a saúde bucal.

Para a Dra. Daniela, o principal alerta é não subestimar hábitos aparentemente inofensivos.

“Quando um hábito começa a desgastar os dentes, alterar a mordida ou provocar dores na mandíbula, ele deixa de ser apenas uma mania e passa a ser uma questão de saúde. Quanto mais cedo o problema for identificado e tratado, maiores são as chances de evitar consequências permanentes”.

Bem-estar Correio B+

Respirar bem: uma prática simples que pode ajudar a regular o estresse e a ansiedade

Protocolos respiratórios ganham espaço nas práticas de bem-estar e mostram como prestar atenção à respiração pode contribuir para o equilíbrio físico e emocional

31/10/2026 17h30

Respirar bem: uma prática simples que pode ajudar a regular o estresse e a ansiedade

Respirar bem: uma prática simples que pode ajudar a regular o estresse e a ansiedade Foto: Divulgação

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Você já prestou atenção à maneira como respira? Embora seja uma função automática do organismo, a respiração também pode ser utilizada de forma consciente para ajudar a lidar com situações de estresse, melhorar o foco e favorecer a sensação de bem-estar.

Durante uma atividade física intensa, é natural que a respiração se torne mais rápida para atender às necessidades do corpo. Em outros momentos, como em situações de tensão ou mesmo durante práticas de relaxamento, observar o próprio ritmo respiratório pode ajudar a reconhecer os sinais do organismo e a encontrar maneiras de recuperar o equilíbrio.

Respiração consciente e bem-estar

Segundo Karina Ueno, profissional de Educação Física do VICCI Studio, especialista em Breathwork e reabilitação tridimensional, a prática respiratória pode trazer benefícios que vão além da percepção imediata de relaxamento.

“A prática respiratória pode ajudar a reduzir a ansiedade, ampliar a clareza mental e melhorar o foco. Também é importante na recuperação do corpo após períodos de estresse e no desenvolvimento da capacidade de autorregulação emocional. Em contextos terapêuticos e de performance, pode contribuir para uma maior sensação de presença, estabilidade e resiliência”, explica.

Entre os principais benefícios associados à prática estão:

• Redução do estresse e da tensão;

• Melhora da percepção e do controle da respiração;

• Maior capacidade de lidar com as emoções;

• Aumento da concentração;

• Sensação de calma e bem-estar;

• Desenvolvimento de recursos para enfrentar situações desafiadoras.

O que acontece com a respiração quando estamos ansiosos?

A relação entre respiração e estado emocional também pode ser compreendida pela resposta do organismo ao estresse. Quando o cérebro identifica uma ameaça, real ou percebida, ativa mecanismos de alerta que preparam o corpo para reagir. Nesse processo, o coração pode acelerar, os músculos ficam tensos e a respiração tende a se tornar mais rápida e superficial.

Em algumas situações, a hiperventilação — quando a pessoa respira mais do que o necessário para as demandas do organismo — reduz excessivamente a concentração de gás carbônico no sangue. Isso pode provocar sintomas como tontura, formigamento, sensação de falta de ar e aperto no peito, que, por sua vez, podem intensificar o medo e a sensação de ameaça.

“Por isso, aprender a respirar de maneira consciente nesses momentos pode fazer diferença. Uma respiração confortável, lenta e controlada, especialmente com uma expiração um pouco mais longa, pode ajudar a reduzir a ativação fisiológica associada ao estresse”, explica Simone Cavalcante Bolor, psicóloga clínica.

Como praticar a respiração consciente

Uma das maneiras de começar é reservar alguns minutos para observar e desacelerar a respiração, sem forçar o ritmo.

A psicóloga sugere um exercício simples:

1. Inspire lentamente pelo nariz, contando até quatro, se for confortável, permitindo que o abdômen se movimente naturalmente.

2. Solte o ar devagar pela boca, contando até seis, sem fazer força.

3. Repita por dois a cinco minutos, respeitando os próprios limites e sem se preocupar em executar a técnica perfeitamente.

Se a contagem provocar desconforto, o ritmo pode ser ajustado. O objetivo é respirar de maneira tranquila, sem esforço.

“Respirar dessa forma não elimina a ansiedade, mas pode ajudar o corpo a sair gradualmente do estado de alerta e abrir espaço para que a mente se reorganize. No meu trabalho como psicóloga, costumo enviar aos pacientes vídeos com exercícios respiratórios, para que possam acompanhar o ritmo e praticar tanto nos momentos de maior tensão quanto no dia a dia. Quanto mais a técnica é exercitada em momentos de calma, mais familiar ela se torna quando precisamos recorrer a ela”, afirma Simone.

A respiração consciente não substitui o acompanhamento profissional quando há ansiedade persistente ou crises recorrentes. Ela pode, no entanto, integrar uma rotina de autocuidado e ampliar a percepção sobre como o corpo reage às diferentes situações do cotidiano.

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