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SÉRIE

“Killing Eve” é engenhoso jogo
de sedução que subverte os clichês
das séries de espionagem

11 JUN 19 - 15h:00GERALDO BESSA/TV Press

Os planos da Globo para a Globoplay, sua plataforma de “streaming”, cresceram. Antes visto como uma segunda tela da emissora, local onde o telespectador pudesse ter acesso a uma gama maior de produções originais, agora o projeto ficou robusto e, quatro anos depois de seu lançamento, quer brigar por espaço no mercado “on demand” brasileiro, que já conta com gigantes como Netflix, HBO e Amazon. Sendo assim, só o conteúdo da Globo não é suficiente para atrair assinantes que buscam algo mais sofisticado. A saída para deixar o catálogo mais encorpado foi não apenas buscar séries famosas entre o grande público, como “Will & Grace” e “The Big Bang Theory”, mas também disponibilizar produções que estão em alta no exterior, caso da segunda temporada da premiadíssima “Killing Eve”, mais recente e relevante aquisição da Globoplay, que liberou na íntegra os oito novos episódios que acabaram de ser exibidos lá fora.

A segunda leva de episódios esquenta ainda mais a relação entre as duas. Antes de lados opostos, agora Eve e Villanelle têm a chance de trabalhar em um projeto em comum e supersecreto, já que o que está em jogo é a imagem do governo britânico e a eficácia de seus agentes. Antes mais focada em sua presa, a assassina agora também está disposta a atrapalhar o já tão apagado casamento entre Eve e Niko, de Owen McDonnell. Sem escolher lados, roteiro e direção contam essa história com o capricho estético que se espera de uma série com a assinatura da BBC, com direito a passeios por países como França, Rússia e Itália, fotografia com belas escalas de cinza e direção de arte primorosa, sempre de acordo com o clima mais contido e irônico das produções inglesas. Ainda que a trama principal seja suficiente para valer a série, “Killing Eve” apresenta personagens carregados de mistérios e que elevam a sensação de que nada é realmente o que parece, como Carolyn e Konstantin, papéis de Fiona Shaw e Kim Bodnia. O roteiro respeita as obviedades do gênero, porém com tratamento mais realista e cotidiano, o que faz de Eve uma James Bond muito mais divertida e possível. Além disso, no final, ninguém quer que a assassina se dê mal.Produzida no Reino Unido pela Sid Gentle Films para a BBC America, a série é baseada no livro “Codename Villanelle”, de Luke Jennings, e foi adaptado para a televisão pela jovem atriz, roteirista e diretora inglesa Phoebe Waller-Bridge. A estreia da primeira temporada, em 2018, acabou levando a série a se tornar a queridinha de diversas premiações importantes, com uma série de indicações ao Bafta, Emmy e o primeiro Globo de Ouro de Melhor Atriz de série dramática para uma atriz de origem asiática, Sandra Oh, conhecida do público por conta das inúmeras temporadas do sucesso “Grey's Anatomy”. Na trama, Sandra é Eve Polastri, uma funcionária do MI5, serviço de inteligência inglês, que integra uma força-tarefa para desvendar uma série de assassinatos por encomenda cometidos com precisão pela assassina psicopata Villanelle, da ótima Jodie Comer. Na medida em que Eve e Villanelle se aproximam, fica nítido que os crimes cometidos são um mero pano de fundo para uma relação que envolve extremos de sedução e obsessão. No jogo de gata e rata, as duas caem nas próprias armadilhas, muitas vezes de forma proposital, só para não se distanciarem, em cenas onde as duas protagonistas brilham em atuações equilibradas e carregadas de sintonia cômica e dramática.

“Killing Eve” - Globoplay - 1ª e 2ª temporadas disponíveis.

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