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SABOR BRASILEIRO

Campo-grandense encanta os suíços com seus chocolates

Juliana tem empresa na Suíça e moradores aprovaram o tradicional brigadeiro

17 SET 19 - 07h:30NAIANE MESQUITA

Quando Juliana vendeu pela primeira vez o tradicional brigadeiro brasileiro em uma feira na Suíça, ela acreditou que as 200 unidades seriam suficientes para três dias de evento. “Eu comecei a vender na feira de Natal da minha cidade e nessa feira eu fiz mais ou menos 200 brigadeiros para um evento de três dias. Pensei que nem iria vender e que a quantidade seria o suficiente para as pessoas apenas me conhecerem. Quando foi no primeiro dia, eu vendi tudo e passei a madrugada toda trabalhando para o outro dia, quando eu também vendi tudo”, ri Juliana.

O susto e o trabalho na madrugada serviram para Juliana Veiga Hassler, 32 anos, descobrir que a rejeição dos suíços pelo doce brasileiro era uma lenda. “Todo mundo fala que suíço não gosta de doce muito doce, mas os brigadeiros eles amararam, justamente porque é diferente”, explica. 

Imigrante na Europa há 15 anos, sendo seis deles residindo na Suíça, terra natal do marido, Juliana montou a própria empresa, a Billy e Bugga, e começou a sentir um desejo íntimo de relembrar os sabores do Brasil. “Eu tenho essa empresa há cinco anos e quando eu engravidei da minha filha mais nova, a Eva, eu senti a necessidade de criar alguma coisa, de fazer algo diferente e que fosse próximo das minhas origens”, explica. 

Com diversos cursos de confeitaria e os estudos na Academia de Chocolate de Zurique, Juliana incluiu os conhecimentos europeus às brasilidades que ela carrega no sangue. “Fiz várias especializações na área de chocolates, desde temperagens básicas, da produção do grão à barra, até as pinturas mais avançadas, que são uma tendência atualmente. Com a gravidez, fiquei com muita saudade de casa, com os hormônios à flor da pele. Então tive a ideia de fazer algo relacionado ao Brasil mesmo, uma coleção de chocolates inspirados nos sabores do Brasil, que é onde está a minha memória afetiva”, relembra Juliana.

Em um caderninho de receitas, Juliana começou a pesquisar e anotar tudo que lembrava dos sabores de casa. Do dever de casa saíram cinco séries especiais: uma barra do Norte, com castanha-do-pará, cumbaru e chocolate com toques de caramelo; uma do Nordeste, com chocolate amargo e castanha-de-caju; do Sudeste, com chocolate meio amargo e amendoim caramelizado na cachaça; do Centro-Oeste, com chocolate branco e baunilha do cerrado, que ,segundo Juliana, é uma iguaria exótica que existe apenas nesta região; e, por fim, do Sul, com chocolate ao leite e biscoito de erva-mate.“A família do meu marido foi a que mais provou meus testes de chocolate até eu chegar na receita perfeita. Eu tenho aqui, pelo menos, três sabores de chocolate para cada região do País, e o principal ponto foi selecionar ingredientes que seriam fáceis de encontrar na Europa porque, como eu sou uma empresa pequena, eu não conseguiria importar com facilidade do Brasil”, acredita.

Tumor

Quando todas as receitas estavam no “caderninho”, Juliana precisou lidar com o diagnóstico de um tumor no cérebro, acompanhada de uma cirurgia de urgência. “Eu fui operada em outubro do ano passado. Perdi uma parte da minha visão esquerda e da minha visão periférica. Mas, um mês depois da cirurgia, eu estava vendendo meus chocolates na feira. Era época de Natal e eu fiz panetones”, conta.

Nesse período, Eva estava com cinco meses de idade. “Foi muito difícil, eu tive muitos medos, medo de morrer. Quando eu vi que estava bem, estava viva, decidi lançar os chocolates e a minha marca de vez. Foi quando eu tirei o projeto do papel”, diz. Primeira fase do sonho concluída, os planos continuam. “Quero exportar para o resto da Europa e, com certeza, vender no Mato Grosso do Sul”. 

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