Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

RECOMEÇO

Após câncer e AVC, Verônica transformou dor em palavras

Em livro, professora relembra a trajetória intensa de tratamentos e a importância do despertar da consciência

19 JUN 19 - 07h:00NAIANE MESQUITA

Verônica ainda se lembra da sensação de vazio que invadia seu coração com frequência. Mesmo após realizar seus sonhos profissionalmente e descobrir as alegrias e dificuldades da maternidade, a professora não conseguiu evitar uma depressão grave e o consequente pensamento de tirar a própria vida. Foi o amor ao filho, sua grande força motriz, que a fizeram não só passar por esse episódio, como enfrentar um tratamento de câncer e a difícil recuperação de um acidente vascular cerebral (AVC). A trajetória, que parece sair de um filme, foi contada no livro “O Caminho da Superação”, que a escritora lança hoje, às 19h30min, na Livraria Leitura. 

Primeira pessoa da família com formação superior, Verônica cresceu com o desejo de mudar a própria história. Lutou para concluir o ensino em Letras e Espanhol, fez mestrado durante o período que morou em Corumbá e conseguiu passar no concurso público para o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). “Eu estava em um período com muitos acontecimentos bons no trabalho, buscando o doutorado, naquela correria e, apesar de tudo isso, percebi que tinha algo errado comigo. Comecei a sentir muitos sintomas estranhos e cheguei a conclusão que não estava bem de saúde”, relembra. 

O primeiro diagnóstico com que Verônica precisou lidar foi o de depressão, em uma escala grave. “Cheguei a ser internada em um hospital psiquiátrico e cheguei a pensar em suicídio, mas meu filho meu salvou. Eu conto todo esse processo no livro”, diz. 

Mesmo com todos os desafios que a doença exigia naquele momento, Verônica não imaginou que precisaria ser tão forte. Em 2015, chegou o segundo diagnóstico: o de câncer na tireoide. “Eu não entendia tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Eu me encontrei em uma situação inexplicável e foi como uma sentença de morte para mim. Na verdade, eu só fui descobrir depois que a pior atitude que a gente pode tomar é acreditar que aquilo vai acabar com você, vai acabar com a sua vida”, acredita.

A luta contra a doença começou e Verônica descobriu que, ao contrário do imaginado, a vida não acabaria ali. 
“Eu fiz duas cirurgias, uma em outubro de 2015 e outra em janeiro de 2016, e tive a sorte de descobrir a doença no início. Inclusive meu médico, doutor Carlos Freitas, observou que eu tive muita sorte com [o fato de] as cirurgias terem resolvido o problema. Na verdade, com o câncer você precisa esperar cinco anos para dizer que está curado e eu estou há quatro anos. Até cinco anos corre o risco de reincidir a doença, mas eu estou fazendo o acompanhamento, estou fazendo vários exames – agora de seis e seis meses”, explica. Dessa vez, Verônica não dá voz ao pessimismo. “Eu já estou feliz, nessa parte acredito que não terei mais problema”, afirma.

Recomeço

Após o tratamento do câncer, Verônica voltou a trabalhar e começou a recuperar o tempo longe das salas de aula. “Eu tive alguns problemas da cirurgia, como a questão da voz, a dificuldade na fala, voz rouca... mas fiz fonoterapia e voltei a trabalhar depois desse período de tratamento. Infelizmente, quando eu pensei que eu já estava retornando ao meu cotidiano, eu tive o AVC, o aneurisma cerebral”, relembra.

O dia 18 de maio de 2017 ficará para sempre na memória da professora, que recebeu o terceiro e mais difícil diagnóstico: um acidente vascular cerebral. Uma forte dor de cabeça durante o almoço se transformou em 20 dias de internação, sendo 17 no CTI. “Eu não conseguia caminhar quando cheguei ao hospital. Sofri uma parada cardíaca; eu tive uma experiência de quase morte, que eu conto no livro. O que eu vivi nesse momento... eu busco explicações, tanto científicas quanto espirituais”, ressalta. 

As consequências do AVC foram mais difíceis que os momentos vividos anteriormente. Durante dois meses, Verônica precisou contar com o apoio da família, principalmente da mãe e da avó, que vieram ajudá-la até nos momentos mais simples, como tomar banho ou segurar um talher. “Foram dois meses praticamente inválida. Depois, a recuperação gradativa demorou cerca de seis meses. Nessa época, que surgiu o desejo de escrever”, explica.

Da orientação médica de que a escrita ajudaria na recuperação dos movimentos ao conselho de uma amiga, Verônica começou a relembrar a sua história, que hoje ganha o plano físico em forma de capítulos dedicados à aceitação, à superação e ao despertar da consciência.

“Esses momentos me fizeram acordar para a vida, ver o que realmente importa. Foi como um toque do destino que eu precisava para transformar a minha vida, voltar a perceber as coisas que são realmente importantes para ter uma vida feliz, para poder viver momentos mais felizes. Hoje eu sei que a felicidade em si não existe; o que nós temos são momentos felizes e que dependem muito das nossas ações para acontecerem”, acredita.

O livro agora é parte da cura. “Eu sinto uma paz de espírito hoje que eu não sentia antigamente”. 

Esse artigo foi útil para você?
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

À espera de equipamentos, CNN Brasil já montou sua grade de programação
CANAL 1 - FLÁVIO RICCO

À espera de equipamentos, CNN Brasil já montou sua grade de programação

Parada Nerd continua até domingo, com a presença de dubladores e estande de games
CULTURA POP

Parada Nerd continua até domingo, com a presença de dubladores e estande de games

A vitória das mulheres no campo esportivo deve ser reconhecida e comemorada
CANAL 1 - FLÁVIO RICCO

A vitória das mulheres no campo esportivo deve ser reconhecida e comemorada

Após participar do "Show dos Famosos", Helga Nemeczyk estreia no "Popstar"
PROGRAMA MUSICAL

Após participar do "Show dos Famosos", Helga Nemeczyk estreia no "Popstar"

Mais Lidas

Gostaria-mos de saber a sua opinião