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CIÊNCIA

Aluno faz estudo sobre trans
e conhece escritor renomado

Fabrício Pupo Antunes apresentará conferência ao lado do autor norte-americano David Ebershoff, de “A Garota Dinamarquesa”

24 JUL 19 - 07h:30NAIANE MESQUITA

Em 2015, o filme “A Garota Dinamarquesa” concorreu ao Oscar e levantou debates pelo mundo, ao retratar a vida da primeira pessoa que se submeteu a uma cirurgia de mudança de sexo, a artista Lili Elbe. A história é baseada no romance homônimo do escritor norte-americano David Ebershoff, best-seller apontado atualmente como uma das principais obras sobre a questão LGBTQ+. 

Toda a trajetória de luta de Lili, em plenos anos 1920, inspirou não só Ebershoff e a comunidade LGBTQ+, mas também um estudante de apenas 15 anos, morador de Campo Grande. Fabrício Pupo Antunes percebeu, ao ler “A Garota Dinamarquesa”, que poderia fazer mais pelos colegas de escola que sofriam bullying por causa da identidade de gênero. “Eu tinha amigos que não se identificavam com o banheiro masculino, amigos da comunidade LGBT e que sofriam bullying na escola por isso. Eu vi que eles estavam sofrendo e então decidi estudar a questão de gênero e sexualidade, isso em 2017. Fiz isso porque eu acredito que estudar as histórias de pessoas LGBT e divulgar essas histórias ajuda na diminuição do preconceito”, afirma Fabrício.

Esse foi o começo de uma longa história, que culminou no encontro que ocorreu ontem (23), entre Fabrício e o escritor de “A Garota Dinamarquesa”, David Ebershoff. Amigos, os dois trocaram e-mails durante esses anos e agora terão a oportunidade de apresentar uma conferência, intitulada “The Danish Girl: Literature, Film and Identity”, que será realizada na quinta-feira, 25 de julho, a partir das 10h30min, no auditório 2, do Complexo Multiúso da UFMS, durante a 71ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

De 2017 para cá, Fabrício se tornou bolsista de Iniciação Científica Júnior pelo CNPq. O jovem é orientado pelo docente da UFMS Tiago Duque e integrante do Impróprias – Grupo de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Diferenças da universidade.

RESULTADOS

Em 2018, o estudante recolheu informações e depoimentos com experiências positivas de jovens dissidentes de gênero e sexualidade nas escolas de Mato Grosso do Sul. Já neste ano Fabrício decidiu focar nos professores, com experiências tanto negativas quanto positivas. Os resultados de ambos serão apresentados não só na SBPC, como também na Universidade de Aarhus, na LGBT Danmark e na Copenhague Pride, em setembro, na Dinamarca. O convite foi feito pelo prof. Georg Fischer, da Universidade de Aarhus, que ficou interessado pelas pesquisas.

Sobre a oportunidade de conhecer Fabrício e dividir com ele o palco da conferência, David é só elogios. “Eu estou muito animado de estar aqui. Dois anos e meio atrás, quando o Fabrício entrou em contato comigo e compartilhou o seu trabalho, eu fiquei surpreso com a originalidade e sofisticação. Perguntei em que ano da universidade ele estava, e o Fabrício respondeu que tinha apenas 14 anos. O que ele escreveu sobre o livro nem mesmo eu tinha entendido daquela forma”, afirma David. 

A felicidade do escritor é visível, assim como o seu respeito pelo trabalho de Fabrício. Quando questionado sobre o fato de o Brasil ser o primeiro no ranking de assassinatos de transexuais no mundo, deu sua opinião e também pediu a do jovem estudante. “Histórias de transexuais e de pessoas que fazem pesquisas sobre o tema, como a do Fabrício, podem tornar algo que não é tão familiar como mais comum. Então, pessoas que achavam que não poderiam dizer nada sobre isso podem abrir a mente. É muito difícil odiar alguém que você conhece. Não acho que um filme ou um livro podem mudar essa realidade, que também é um grande problema nos Estados Unidos, mas acredito que contar histórias pode encorajar as mudanças. Em 2001, quando escrevi meu livro, o jornal local não queria falar sobre ele. E agora, anos depois, as pessoas estão falando sobre o trabalho do Fabrício”. 

Para o estudante, as novas gerações estão mais propensas a mudanças. “Quando apresentei meu trabalho na escola, os meus colegas mudaram o comportamento de bullying. Claro que tive resistência por parte dos pais em falar sobre o tema, mas dos estudantes, não”, explica. 

Fabrício acredita que seu trabalho, a conferência e a presença de David no Brasil mostram como a pesquisa pode transformar a realidade de quem se dedica ao conhecimento. “Nós vivemos um período de retrocesso em muitos aspectos e o papel da pesquisa, assim como o papel dos militantes, é resistir. Devemos divulgar a pesquisa em diversos meios, nas feiras, porque é uma forma de resistência. Essa vinda do David mostra o que a pesquisa pode oferecer ao jovem pesquisador brasileiro”, ressalta. 

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