Segunda, 21 de Agosto de 2017

DIA DOS PAIS

Por influência dos pais, filhos crescem com vontade de "fazer arte"

11 AGO 2017Por CASSIA MODENA10h:30

Do pai, eles herdaram um pouco mais do que certos traços, hábitos e sobrenome. Por influência dessa figura, também cresceram com a vontade de fazer arte e de trabalhar com ela – e decidiram experimentar o novo dentro da área, levados por esse impulso.

Marcas de tinta, gravuras e música erudita estavam em todos os cantos da casa em que Jonas Feliz e os irmãos cresceram, em Campo Grande. Quem os cercou disso tudo foi o pai, Júlio, que na época trabalhava ativamente como professor de Artes e desenvolvia pesquisa sobre criação de instrumentos musicais alternativos.

A técnica de confecção de instrumentos foi só uma das coisas que ensinou. Também incentivou com as aulas de violão clássico durante a adolescência do filho e apoiou o gosto dele e dos irmãos pelas artes em geral.  

Jonas Feliz formou-se em Música e hoje a ensina em escolas e projetos sociais, é fagotista na Orquestra Municipal Sinfônica da Capital e trabalha como produtor musical em estúdio próprio.

Atualmente, pesquisa também instrumentos musicais, como fez o pai, mas voltou-se para os étnicos. Teve ainda outras experiências na vertente musical com a Orquestra de Violões de Campo Grande e com o grupo de percussão Bojo Malê, dos quais fez parte.

A influência paterna foi além do ensino da técnica. “O mais importante que ele me passou foi a questão crítica, isso de saber selecionar, apreciar a música e usar esse tipo de disciplina no dia a dia e na carreira”, diz o filho.

Querer inovar no que pesquisa é algo que também vem do pai. “Sempre me incentivou a fazer isso, não só na música, mas em qualquer assunto. Ele diz que é preciso ter um aprofundamento, ir um pouco mais a fundo, e aprendi isso com ele”.

Tiveram muitas oportunidades de trabalhar e tocar juntos. Participaram, inclusive, de competições musicais. Atualmente, o pai mora em Portugal com a mãe de Jonas.

 O filho também será pai em breve e acredita que influências como as que ele teve são positivas quando a criança é atraída naturalmente pelas artes. “Não se força nada, o importante é deixar à disposição e ao alcance dela”.

VIOLEIROS

As lembranças dos primeiros shows em que Gabriel Sater viu o pai tocar permanecem. “Eu ficava arrepiado de estar ali. Ouvia cada música atentamente, sentado em meio à plateia”, conta ele. 

Nem pensa antes de dizer que Almir é o “grande ídolo” e que se espelhou nele ao escolher as carreiras de músico e ator. 

Ele morou com a mãe durante a infância e cresceu ouvindo não somente o pai, mas toda a família tocando. 

A paixão pela música surgiu aí e cresceu enquanto entendia que o pai estava fazendo história com uma viola na mão. “Fui descobrindo que aquilo que ele fazia com o instrumento era demais, que o estilo dele de tocar e de compor significava uma revolução musical e que ele estava fazendo escola na MPB”, diz Gabriel.

O mesmo aconteceu em relação à atuação, quando o pai estreou como ator na novela “Pantanal”, em 1990. “Isso também estava na nossa veia musical. Eu era muito fanático, assistia sempre à novela. Aquele universo ficou marcado na minha memória de criança e isso refletiu na minha paixão por essa carreira também”.

Decidiu ser músico aos 17 anos, apesar da desconfiança da mãe. Ela logo cedeu. Almir apoiou desde o início, e continua apoiando. 

O sobrenome abriu algumas portas, mas nunca facilitou nada. Apesar do apoio aberto, Almir não ajudou diretamente a alavancar a carreira do filho. Gabriel afirma que sempre entendeu o porquê. 

“Apesar de sempre apoiar e confiar no meu talento, nossas carreiras sempre foram totalmente independentes.

Ele nunca fechou show para mim e eu sempre tive esse espírito independente de querer ir lá e fazer eu mesmo. Paternidade e carreira são coisas que separamos. O que tive, sempre que precisei, foram os conselhos dele”, revela.

Pai e filho são vizinhos atualmente e moram em São Paulo (SP). Têm-se visto pouco, entretanto, porque estão atolados de trabalhos. 

Almir está em turnê com o projeto “Tocando em Frente”, enquanto Gabriel divulga o disco “Indomável”. Recentemente esteve no Festival de Inverno de Bonito (FIB) e apresentou o novo trabalho, que foi elogiado.

Além disso, o filho está produzindo clipes musicais com ídolos como Renato Teixeira e Sérgio Reis. Como ator, a carreira também vai bem. Ele conta que está envolvido em diversos trabalhos nessa área. 

Espera, agora, a oportunidade de estar ao lado pai no palco novamente. “É maravilhoso, acho que a última vez que tocamos juntos foi em Campo Grande, há muitos anos. Somos dois artistas singulares no palco, e isso é muito legal”.

TRABALHO

Lincoln Gouvea é publicitário e músico como o pai, Eduardo Lincoln Gouvea. São conhecidos pelos amigos e por familiares como “Lincão” e “Linquinho”. Os dois moram em Campo Grande.

Eduardo, 62 anos, é baterista e atualmente toca na banda Yestersom. Já tocou também com Juci Ibanez, Zé Pretim e outros artistas sul-mato-grossenses. O filho, de 34 anos, é vocalista da banda de reggae Canaroots.

Vendo que Lincoln assistia aos shows com entusiasmo quando criança, o pai comprou uma bateria para ele.

Aos 7 anos de idade, começou a estudar em uma escola de música, mas gostava de pegar dicas em paralelo com o pai, em casa, e com um amigo dele. “Ele sempre foi a maior inspiração para mim”, diz. 

Quando adolescente, começou a se interessar por violão e aprendeu a tocar aos 14 anos. Depois de morar algum tempo em Florianópolis, veio com a ideia de cantar reggae. O pai não ficou chateado por ele ter abandonado a bateria, pelo contrário.

“Ele sempre disse que eu poderia fazer o tipo de música que quisesse, mas deveria pensar em estudar também. A música teria de caminhar junto com o que eu fizesse. Hoje, trabalho com publicidade e também sou músico, fiz como ele”, conta.

Os dois compartilham do gosto pelo gênero e também por jazz e samba, e sempre que podem sobem ao palco juntos.

O filho chegou à afinação ideal para cantar na própria banda com a ajuda do pai. “Ele acompanha, dá uns toques sobre isso. Quis cantar depois de vê-lo fazer backing vocal. Ele é a minha referência em tudo o que faço”, afirma.

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