Quinta, 08 de Dezembro de 2016

NORDESTE

Caboclinhos são reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil

A ocorrência dos caboclinhos se estende pelos estados de AL, PE, PB e RN

26 NOV 2016Por PORTAL BRASIL17h:56

Os caboclinhos, expressão da cultura popular de tradição centenária sobretudo em Pernambuco, foram reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nesta quinta-feira (24).

Cultura presente também no Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Alagoas e Minas Gerais, os caboclinhos são classificados pelos brincantes como uma homenagem aos primeiros habitantes do território que veio a se chamar Brasil.

Os grupos – alguns com mais de 100 anos e ainda ativos – apresentam-se nas ruas, principalmente no carnaval, vestidos com penas e pedrarias, em uma releitura carnavalesca dos trajes indígenas tradicionais, e dançam com agilidade os diferentes toques que representam temas de rituais da população indígena.

“Tem o toque de guerra, que é a preparação para o combate; o de perré, para pedir a chuva; o de baião, que é mais festivo, usada para comemorar qualquer coisa que a tribo quisesse; e o toré, que tem um aspecto religioso”, ensina o presidente do Clube Carnavalesco Tribo Indígena Tupã, do Recife, e secretário da Associação Carnavalesca dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco (Accipe), Amauri Rodrigues de Amorim.

Como o nome indica, a reverência ao caboclo (tanto o brasileiro filho de índio e branco como a entidade presente na umbanda, por exemplo) está presente na brincadeira, assim como o culto à Jurema, árvore nativa do Norte e do Nordeste do Brasil considerada sagrada e base de um chá usado em rituais. A brincadeira também tem referência na colonização do território brasileiro.

Os instrumentos musicais são outra singularidade da expressão cultural, sendo o caracaxá e a preaca (adereço/instrumento musical, em forma de arco e flecha), por exemplo, exclusivos dos caboclinhos.

A dança, cujo movimento básico se denomina “manobra”, é executada pelos participantes, que se apresentam, geralmente, em duas filas, cada um deles portando uma preaca, também denominado brecha ou flecha.

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