Sábado, 18 de Novembro de 2017

Papiros Lama

Delator fazia transporte do dinheiro em mochilas e caixas

Ele era responsável pelos recebimentos e pagamentos de propina

14 NOV 2017Por ALINE OLIVEIRA12h:40

A coletiva realizada nesta terça-feira (14), na sede da Receita Federal em Campo Grande, envolveu informações compartilhadas pelas superintendências da Polícia Federal (PF), Controladoria Geral da União CGU e Receita Federal de Campo Grande.

O testemunho qualificado de Ivanildo Cunha Miranda resultou na prisão preventiva do ex-governador, André Puccinelli e seu filho, o advogado André Puccinelli Júnior. 

Questionado se existem mais delações que acrescentem fatos novos a operação, o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da PF, Cleo Mazzoti ressalta que a delação mais recente é do antigo operador que revelou detalhes que vão desde empresas envolvidas até a forma como transportava o dinheiro de São Paulo para Mato Grosso do Sul.

 "Ivanildo explicou que no inicio das operações recebia entre R$ 60 e R$ 80 mil e depois o pagamento chegou a R$ 200 mil, afinal tinha um papel fundamental de ir até São Paulo e trazer o dinheiro em espécie ou efetivar depósitos para pessoas definidas. Segundo declaração da testemunha, algumas vezes o dinheiro era transportado em mochilas e caixas", relatou o representante da Polícia Federal.

Outra informação apresentada pelo delator, mas que já era de conhecimento da equipe de investigação é a planilha com nome de beneficiados com os incentivos fiscais concedidos a JBS. "Outro fato apresentado pelo Ivanildo diz respeito ao pagamento de propina paga pelo frigorífico em razão dos benefícios fiscais concedidos. Do total recebido, 30% era distribuído entre uma lista nominada com pessoas indicadas para receberem os valores. No entanto, os executivos da JBS já tinham entregado o mesmo documento com idenficação de mais quatro pessoas quando prestaram depoimento", revela Mazzotti.

Na avaliação do superintendente regional da PF, Ricardo Cubas César, cada uma das cinco fases da Operação Lama Asfáltica abriu caminhos para aprofundamento da fiscalização e investigação, resultando nos nomes envolvidos e a comprovação de vários crimes públicos. 

"Iniciamos um trabalho organizado que foi conduzindo naturalmente para os nomes das pessoas envolvidas no esquema de distribuição. Temos autos de infração na ordem de R$ 22 milhões sobre os quais foram pedidos recursos que seguem em julgamento na justiça", pontua. 

 

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