Quinta, 23 de Março de 2017

ARTIGO

Therezinha de Alencar Selem: "Turno integral escolar, será uma boa alternativa?"

Professora aposentada pela UFMS

10 JAN 2017Por 02h:00

Alguém quis saber o que penso a respeito deste  programa do governo de Mato Grosso do Sul, oferecendo período integral para o Ensino Médio.

Digo que Educação é um processo complexo e  exigente, uma vez que o ser humano não vem com manual ou receita. Mas é preciso que seja feita com olhar estratégico, sabendo que os resultados se mostram a médio e longo prazos.

Particularmente, sou adepta de ampliação do tempo de permanência de  crianças e jovens no ambiente escolar.

E para tanto, o Sistema de Ensino precisa, ao implantá-lo, tomar determinados cuidados para que de fato, esse tempo a maior, seja otimizado em favor do aluno.

Quer me parecer que MS esteja no caminho certo, ao seguir um roteiro que passa por estas etapas:
1- ter por parâmetro um modelo já experimentado e exitoso.

2- testá- lo na prática, através de um plano piloto, antes de universalisá-lo.

3- propor um currículo diversificado de forma a estimular experimentos pedagógicos, entendendo-se que o “caminho se faz ao caminhar”.

Indispensável considerar que nunca se viveu um momento histórico tão dinâmico, como o da atualidade.  Pais, mestres, governantes não têm mais “certezas”, como três gerações atrás.  O aprendizado e a avalanche de informações apresentam-se para todos, simultaneamente, adultos e crianças.

Por isto, é necessário ousar. Mas ousar com responsabilidade, estabelecendo objetivos e metas que possam ser perseguidos, avaliados no próprio processo e ajustados, desde que o Foco seja mantido.

É preciso que se estabeleçam pontos de chegada, o por quê e o para quê da caminhada.

Para isto, professores e demais agentes do processo, precisam estudar de forma permanente e o Sistema de Ensino,  pautar os resultados na Meritocracia, estimulando os já bem preparados a avançarem  e os potencialmente bons, para que se preparem de forma sistemática, para que possam, todos, enfrentarem os desafios dos novos tempos.

Urge não esquecer que educação exige dois requisitos básicos: confiança e afetividade nas relações interpessoais dos envolvidos, sem o que, o toque de Humanismo que a caracteriza, se perde na aridez do conhecimento pelo conhecimento. Estamos falando de formação de pessoas em sentido amplo, para o mercado, para as relações sociais e sobretudo, como indivíduos.

Sob essa ótica, nao consigo dissociar Ensino de Educação, como muitos querem, hoje em dia.

Para mim, são ângulos da mesma moeda e intercomplementares. Difícil dizer onde começam e terminam, um e outra e até que ponto vai a responsabilidade dos pais e a dos professores.

Lar e Escola são duas instituições com características diversas, é óbvio, mas a criança e o adolescente, sujeitos da ação educativa são os mesmos, e quanto menos contraditórias, sejam, principalmente quanto a Princípios en Valores, maior a garantia de equilíbrio nesse processo complexo e dinâmico, chamado Educação.

Que esta nova experiência em nosso Estado seja um importante passo para que se encontre o melhor caminho a ser trilhado por nossas crianças e jovens em busca de suas identidades, como cidadãos conscientes de seus direitos e deveres.
Estou na torcida!

 

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