Artigos e Opinião

OPINIÃO

Sônia Puxian: "Na ponta dos dedos"

Jornalista

Redação

19/07/2017 - 01h00
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Dono da situação, senhor da verdade, criador de momentos constrangedores, motivo de união e separação, encontros e desencontros, confidente de segredos e confissões, ele pode tudo... Mas quem é ele? 

O seu poder atravessa fronteiras, mar e montanhas. Ele chega onde ninguém imagina e traz de volta solução ou confusão. E você é presa fácil dele. Ah, e ele também pode desvendar mistérios, provocar desentendimentos, confusão e ficar imune a toda situação, afinal ele não fala, mas grava conversas, ele não se intromete, mas intermedia segredos e tem boa memória. Ugh!

 Suas vantagens? Ele vai aonde você o levar, não reclama de nada. E se for o caso ainda toca músicas, atualiza as informações do dia-a-dia, fornece a temperatura, localização de ruas e outras funções importantes. Ah, e também filma, fotografa e reproduz tudo isso na mesma hora.

Ele é um cúmplice, amigo, funcionário leal, confidente e fiel companheiro de todas as horas. Se você o chamar de noite ou de madrugada ele não nega assistência.

Mas quem é esse senhor da verdade? Se é mesmo da verdade ninguém sabe, o que se sabe é que ele é o senhor da situação, da investigação, da informação e por aí vai. Ele guarda imagens, vídeos, mensagens que algumas vezes podem comprometer. Seu nome? Celular!

É isso mesmo, ele está por toda parte, na festa, no barzinho, na balada, no restaurante, no carro, em casa, no quarto, na sala.... Ele vai com você onde for preciso e não reclama. Vai para o Banco, ah, se for ao Banco tem que aguardar no orifício da porta onde ficam metais, chaves e celulares para ser pego em seguida, senão o alarme dispara. Será que dispara mesmo? Hummm. 

Ele também vai para o escritório, banco do carro, bolsa e muitas vezes fica sufocado entre tantos objetos colocados dentro dessa bolsa, no meio de batom, documentos, dinheiro, caneta, creme para as mãos...  

Pode ser que algumas vezes ele também leve um tombo e vá parar na Assistência, aí a coisa muda de figura. O preço é bem elevado e nem sempre agrada o seu dono. E olha que também por incrível que pareça já ouvi falar de celular que foi parar na máquina de lavar e até já mergulhou no vaso sanitário. Ops! Quem sabe, às vezes na hora da agitação essas coisas acontecem.

Dia desses no Shopping enquanto eu aguardava a chegada do meu prato, numa mesa ao lado, quatro jovens estavam reunidos. Adivinhe quem era o mestre da reunião? O celular. Três deles estavam entretidos com o próprio celular, digitando mensagens, teclando com as duas mãos e muita agilidade. O quarto conversava isoladamente com outro amigo pelo celular. Entre eles silêncio!

E aí ficou no ar a pergunta: Estavam mesmo juntos? Mas, num determinado momento tudo mudou, todos se uniram para mostrar as fotos que cada um enviara pelo WhatsApp ao amigo do outro lado da linha. Na hora de saborear o lanche que acabara de chegar o aparelho descansou na mesa por poucos minutos.

Por outro lado, ele também pode complicar a vida das pessoas. Assim como ele une, pode também separar, pois já se ouviu falar que muitos namoros terminaram por um deslize do dono ao deixar o celular livre para ser bisbilhotado. E vai que a namorada pega e vê fotos que não deveriam ser vistas, ou mensagens que não poderiam ser lidas? Isso já aconteceu e o resultado foi o fim do namoro. E nem tem como explicar porque os fatos estão à vista.

Aquela tradicional frase: “Não é o que você está pensando” não funciona nesses casos, afinal o que foi visto não é mesmo pra se pensar, mas pra rever a relação. “Qual relação: a dois, a três? ”. Hummm
Atenção: “Cuidado com seu celular, afinal ele guarda segredos que podem ser desvendados a qualquer momento, e a resposta pode estar na ponta dos dedos”. Tenham ótimos dias e muitas alegrias...

Artigo

Saúde e inclusão social

Por isso, quando falamos em saúde social, falamos da qualidade das relações que sustentam a existência

07/04/2026 07h30

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A saúde, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS) é um estado de bem-estar físico, mental e social. Ou seja, saúde vai muito além da doença! Essa definição é decisiva, porque nos obriga a enxergar mais do que apenas o corpo: ninguém adoece ou floresce sozinho.

A vida humana é tecido de vínculos!

Por isso, quando falamos em saúde social, falamos da qualidade das relações que sustentam a existência – confiança, pertencimento, cooperação, proteção e reconhecimento.

É por isso que precisamos atuar ativamente contra a miséria, a marginalidade e a desigualdade. A pobreza não é apenas falta de renda. É falta de oportunidade, de escuta, de acesso, de horizonte.

A marginalização empurra pessoas para fora da escola, do trabalho, da cidade e da dignidade. E a desigualdade, quando naturalizada, corrói as bases da convivência e transforma diferença em hierarquia.

Do mesmo modo, a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – chamada, informalmente, de Convenção de Nova Iorque – também nos ensina algo fundamental: pessoa com deficiência é aquela que possui impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade.

Ou seja, a deficiência não se explica pela condição individual; ela se agrava, se expande e muitas vezes se torna sofrimento social quando encontra muros de exclusão.

No fim, tudo isso gera severos danos à saúde de todos: a exclusão social é também uma forma de violência contra a saúde.

Os dados confirmam o tamanho do problema. A UNICEF estima que quase 240 milhões de crianças no mundo vivem com alguma deficiência. Essas crianças e adolescentes enfrentam, com frequência desproporcional, preconceito, barreiras e bullying.

Diversos estudos internacionais mostram que estudantes com deficiência têm maior risco de sofrer agressões verbais, isolamento e rejeição no ambiente escolar.

Não se trata de “brincadeira”: é uma violência que fere a autoestima, a aprendizagem e o desenvolvimento.

Por isso, a Educação Inclusiva é muito mais do que matrícula em sala comum. Inclusão é aprender a conviver com as diferenças.

É reconhecer que a escola não existe para padronizar pessoas, mas para formar cidadãos capazes de viver juntos em uma democracia real.

Quando a escola acolhe a diversidade, ela ensina algo que nenhuma cartilha possui: ninguém se desenvolve plenamente sozinho. O ser humano amadurece na relação, no vínculo, na experiência de ser visto e respeitado.

Combater o bullying, portanto, é compromisso ético. É preciso formação de professores, cultura escolar de respeito, acessibilidade, apoio pedagógico e protocolos claros de prevenção e enfrentamento à violência. Onde há humilhação tolerada, há falha institucional. Onde há bullying, há adoecimento coletivo.

A saúde social depende da confiança entre as pessoas. Onde a exclusão avança, a confiança recua. Onde o preconceito se instala, a cooperação enfraquece. E no lugar do cuidado surge o egoísmo, essa deformação que faz o indivíduo acreditar que pode prosperar sozinho.

Não pode. A vida humana é interdependência. Cada pessoa carrega potências e limites; e é justamente na comunidade que superamos obstáculos, produzimos sentido e construímos futuro.

Sem inclusão social, não há saúde social. Sem saúde social, a saúde mental enfraquece!

E sem combater a miséria, a marginalidade e a desigualdade, qualquer discurso de saúde permanece incompleto. E essa luta se faz com a escola inclusiva, a política pública séria e a cultura do respeito!

No fim, essa é o dever da Civilização: a construção de estruturas sociais em que cada pessoa possa pertencer sem pedir licença para existir.

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Editorial

Ler melhor é respeitar o seu tempo

Um jornal se constrói pelo diálogo e é esse diálogo que o mantém vivo

07/04/2026 07h15

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Em um mundo saturado de ruído e letras miúdas, a clareza deixou de ser detalhe – tornou-se valor. Nunca se escreveu tanto. Nunca se leu tão pouco.

Diante desse cenário, o jornalismo precisa fazer uma escolha: disputar atenção pelo volume ou conquistar relevância pela compreensão. O Correio do Estado sabe de que lado está. 

A partir desta edição, nossas páginas de Opinião e Entrevista, aos sábados, passam por uma mudança que é gráfica, mas reafirma nosso compromisso com a verdade e com a qualidade da informação.

Ampliamos fontes, ajustamos espaçamentos, criamos respiro. Pode parecer forma. É conteúdo. É escolha editorial.

É a afirmação de um princípio: respeitar o leitor começa por respeitar o seu tempo – valor essencial para nós – e também o seu olhar. 

Durante décadas, parte do jornalismo mediu sua força pela quantidade – mais texto, mais informação, hoje, essa lógica se esgota.

O excesso, muitas vezes, não informa: afasta, cansa, dispersa. Em um ambiente de atenção fragmentada, clareza não é simplificação. É rigor. É método. É responsabilidade.

Ao optar por uma página que respira, fazemos também uma escolha mais exigente. Síntese passa a ser compromisso permanente. Cada palavra precisa justificar sua presença.

Cada linha deve conduzir, e não dificultar. Em nossas editorias, o valor não está na quantidade, mas na utilidade, no que efetivamente informa, explica e permanece.

Não se trata de uma decisão isolada. Em todo o mundo, veículos consolidados compreenderam que, diante da saturação digital, o impresso precisa oferecer algo distinto: organização, legibilidade, foco. Mais do que informar, é preciso ser compreendido e respeitado na experiência de leitura.

A ciência da leitura é clara: o esforço para decifrar fontes pequenas gera fadiga e afasta o leitor. Queremos o contrário, que as ideias fluam naturalmente do papel para a sua mente. Esta é uma mudança voltada à longevidade da nossa relação com você.

Em diferentes partes do mundo, jornais como The Guardian e Financial Times vêm redesenhando a experiência de leitura para acompanhar as mudanças do tempo. Atento a esse cenário, o Correio do Estado se alinha a essa evolução, sem renunciar aos seus princípios editoriais.

Ao fazer essa escolha, o Correio do Estado se posiciona com clareza. Não seguimos a lógica do ruído fácil nem da informação empilhada – muito menos da desinformação. Apostamos no essencial. No que merece ser lido. No que ajuda a compreender o presente e a pensar o futuro.

Em tempos de pressa e dispersão, oferecer uma página que convida à leitura é também um convite à reflexão.
Ao longo desta semana, convidamos você a participar e compartilhar sua opinião.

Um jornal não se impõe, se constrói na escuta. E é essa escuta que nos move, aprimora e mantém vivos, edição após edição.

Boa leitura.

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