Quinta, 23 de Novembro de 2017

ARTIGO

Ronaldo Braga: "Judiciário, parquet e universidade: uma simbiose perfeita"

Advogado e professor universitário

3 NOV 2017Por 02h:00

Se algo pode ser feito para melhorar o desempenho das pessoas, seguramente isto passa pelas mãos do professor. Não se pode dele prescindir quando se trata de aperfeiçoar comportamentos de uma geração. Perfilo-me aos que entendem que o professor, para ensinar, não deve se restringir à sala de aula, utilizando-se somente das metodologias padronizadas: “O mestre escreve na lousa e o aluno reproduz, buscando aprender”. 

Vivemos em todos os segmentos sociais novos horizontes na formação acadêmica, e isso é uma realidade. Então, não há como negar os resultados estatísticos que demonstram a efetividade e transformação no sistema de lecionar, hodiernamente. Mudanças houve e, claro, para melhor. 

Trago à baila uma delas, que é a arte de aprender com os próprios colegas sob a supervisão do mestre, estando presente ou a distância. Isso é possível? Com a palavra, as grandes instituições de ensino e, sobretudo, o próprio Ministério da Educação. A meu sentir: tenho que sim!

A missão do professor, entre outras, infinitamente relevantes, é de preparar o aluno para enfrentar as adversidades que a vida impõe a todos nós. Como regra, esse importante papel é desenvolvido sob formas de lições teóricas empreendidas em sala de aula, visando à acurada interpretação das leis disciplinadoras da convivência harmoniosa entre homens e mulheres de bem. 

Nesse contexto, há o professor de Direito, figura emblemática que, além de ensinar a introdução da norma jurídica, busca preparar futuros operadores do Direito dotando-os de condições minimamente necessárias ao alcance do êxito naquilo que compreenderá seu ofício institucional. Portanto, imprescindível a inovação que sobrepõe o campo teórico, permitindo-nos o experimento prático da questão suscitada. 

Assim surge a figura importante dos profissionais professores, que não se limitam à execução dos trabalhos em seus gabinetes e se propõem a dividir o que praticam com quem deseja melhorar o aprendizado teórico na concretização prática.  

Creio na evolução da espécie e no progresso da geração que compartilho. Havia pouco, presenciei dois ilustres profissionais professores que se deslocaram dos seus gabinetes, zona de conforto, para realizar palestras e júri simulado aos acadêmicos de Direto da Universidade Uniderp – semana jurídica –, fazendo-o por prazer e abnegação, contribuindo para o aperfeiçoamento intelectual de cada um. 

O evento foi próspero e contou com a presença maciça dos discentes de Direito. Aprenderam na prática como se aplica a norma constitucional (artigo 5º, XXXVIII, d, CF) nos casos que comportam julgamentos dos crimes dolosos contra a vida. A sessão trouxe contornos de realidade com a participação de um juiz de Direito (Dr. Carlos Alberto Garcete) e um promotor de Justiça (Dr. Humberto Lapa Ferri), cujos trabalhos foram presididos por aquele e a sentença de pronúncia sustentada por este. Incontroverso é que a experiência vivenciada ficará marcada para sempre nos que tiveram o privilégio de sentir a importância do Estado-julgador e do Estado-acusador nas resoluções das lides promovidas pelos que insistem em afrontar a regra normativa do Direito Penal. 

Penso assim: quem quer e pode, faz; os ilustres profissionais professores fizeram. Ganha com isso a sociedade; é exatamente ela que, numa adversidade, experimentará os serviços prestados por um operador do Direito.

Ao assistir ao evento, eu me convenci da importância que o professor tem na condução dos destinos dos seus alunos: transformar na prática aquilo que leciona em sala de aula, conduzindo-os ao cume.
Portanto, quis, singelamente, prestar em vida um tributo aos aludidos profissionais professores pelo esforço desmedido no exercício de suas funções institucionais, aliado ao fato de como é sublime ensinar pelo simples prazer de dividir o que aprendeu e, data venia, temos muito que continuar aprendendo.

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