Sábado, 18 de Novembro de 2017

opinião

Rolemberg Estevão de Souza: "O Concurso do IRBr: Desafios para o Candidato"

Diplomata

15 SET 2017Por 01h:00

O Concurso de Admissão para a Carreira Diplomática (CACD) – um dos mais difíceis do País – representa para o candidato três grandes desafios: o domínio de distintas áreas do conhecimento, boa estratégia na preparação e equilíbrio emocional.

As qualidades exigidas do candidato – o que não é casual – são igualmente necessárias para o bom desempenho na carreira e suas situações muitas vezes surpreendentes. Inicio com o último dos desafios citados, por ser o primeiro que se apresenta. 

Equilíbrio emocional. Não me diga? Se preparando para o Instituto Rio Branco? Em breve seremos colegas? Não são todos os candidatos que, ao revelar para um diplomata conhecido suas legítimas pretensões estão preparados para esse tipo de perguntas.

A primeira questão que se apresenta é para quem comunicar essa etapa de sua vida, como comunicar e com que frequência o concursando quer ser “lembrado” desse desafio. Avaliar com quem poderá contar ao longo de dias exaustivos de estudo, fins de semana de mau humor e com quem compartilhar as angústias é tarefa imediata. 

Nos primeiros levantamentos sobre o concurso, o concursando se depara com o Manual do Candidato, o que pode se um achado ou uma fonte de desespero.

O Manual reúne as melhores respostas do concurso anterior. Candidatos graduados em Letras tendem a fazer boa prova de segunda fase (Língua Portuguesa). Graduados e pós-graduados em Direito, Economia, História, Relações Internacionais ou Letras Tradução Inglês, por exemplo, têm melhores condições de desempenho na área de especialização.

O que dizer do desempenho de um candidato alfabetizado e/ou graduado em universidade inglesa ou norte-americana na prova de Língua Inglesa? Ou quem morou e se interessou pelo idioma local em país de língua francesa ou espanhola?

Há, inclusive, aqueles que têm a sorte de se deparar, em sua área de formação, com questão semelhante ao tema de sua especialização ou mestrado. Calma! Antes de “cultivar” a baixa estima, lembre-se de preservar o equilíbrio emocional. 

Domínio de distintas áreas do conhecimento. O Teste Pré-Seleção (TPS) ou primeira fase inicia com as provas objetivas de Língua Portuguesa, Política Internacional, Geografia, Língua Inglesa, História do Brasil, História Mundial, Noções de Direito e Direito Internacional Público e Noções de Economia.

Além da abrangência, os itens de cada questão são distribuídos em diferentes graus de dificuldades, com detalhamentos às vezes desmesurados. Além de conhecimento, é necessário excelente memorização, conhecida também como “decoreba”. Nada diferente de outros concursos.

Na terceira fase, porém, além de conhecimento, é necessário escrever com o jargão das diferentes áreas do conhecimento. 

Boa estratégia de preparação. Há quem se torna diplomata com alguns anos de cursos presenciais, aulas particulares e a distância, há quem precisa apenas de algumas aulas presenciais e orientações, quem faz uso de um ou outro curso a distância e quem não necessita de apoio, por ter sólida formação e opção precoce pela carreira. Diferentes formações demandam estratégias diferenciadas.

O autoconhecimento e a autoavaliação nas diferentes áreas do concurso são basilares para informar o concursando em sua escolha. Complementam essa etapa o planejamento dos estudos e a disciplina em sua execução. 

Tenho, para mim, com base em anos de conversas com colegas de Itamaraty, que estabelecer, previamente, quantidade excessiva de horas diárias de estudo ou a privação de fins de semana de leitura de jornais, de convívio familiar e com os amigos pode ser um equívoco.

Não se esqueça que a área de Política Internacional, por exemplo, exige o acompanhamento do noticiário e a troca de informações.

Quantos candidatos estavam preparados, na prova de 2017, para o item que mencionava o bloqueio imposto ao Catar, em junho de 2017, por um conjunto de países árabes, por não combater de modo eficiente o terrorismo e manter relações de cooperação com o Irã?

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